Vicentinho fecha seus dois votos ao Senado e anuncia Luxemburgo como novo aliado na majoritária
A campanha de Vicentinho Júnior (PSDB) ao Governo do Tocantins ganhou uma nova composição nesta quinta-feira, 27 de agosto. O candidato anunciou apoio a Vanderlei Luxemburgo (Podemos) para o Senado e, com isso, definiu os dois nomes que pretende apresentar ao eleitor tocantinense para as duas vagas em disputa: Alexandre Guimarães (MDB) e Luxemburgo.
O anúncio foi realizado em Palmas depois do debate promovido pela Federação das Indústrias do Estado do Tocantins (FIETO) e pela TV Jovem Record. Vicentinho convocou uma coletiva para apresentar a nova movimentação, ao lado de integrantes de sua campanha. A composição política passa a reunir Vicentinho para governador, Amélio Cayres (MDB) como candidato a vice, Alexandre Guimarães e Vanderlei Luxemburgo como os dois nomes defendidos pelo grupo para o Senado.
O movimento fecha uma lacuna que permanecia desde a formação da chapa. Alexandre Guimarães já havia sido oficializado como candidato ao Senado diretamente ligado à coligação de Vicentinho e Amélio. A segunda escolha, porém, continuava em aberto. Com a chegada de Luxemburgo, Vicentinho passa a pedir de forma mais clara os dois votos disponíveis ao Senado nesta eleição.
Em 2026, o Tocantins escolherá dois senadores. Isso acontece porque o Senado renova alternadamente um terço e dois terços de suas 81 cadeiras. Neste ano, cada eleitor tocantinense poderá votar em dois candidatos diferentes para senador, e os dois mais votados serão eleitos para mandatos de oito anos.
Politicamente, a chegada de Luxemburgo chama atenção por um detalhe importante: ele é filiado ao Podemos, legenda que integra formalmente a coligação de Professora Dorinha, principal adversária de Vicentinho na disputa pelo Palácio Araguaia. Mesmo dentro dessa composição partidária, Luxemburgo vinha conduzindo sua candidatura ao Senado de maneira independente e sem assumir, até então, um candidato ao Governo como seu principal palanque.
Isso mudou.
Ao aceitar caminhar com Vicentinho, Luxemburgo deixa uma posição de maior independência na disputa majoritária e passa a integrar politicamente o palanque do tucano. A situação cria uma configuração pouco convencional: o Podemos permanece formalmente na coligação de Dorinha enquanto um dos candidatos ao Senado da legenda passa a pedir votos ao lado do principal adversário dela para governador.
Para Vicentinho, a adesão tem uma função clara. Além de preencher a segunda escolha para o Senado, coloca na campanha um nome conhecido nacionalmente, com capacidade de alcançar públicos que tradicionalmente não acompanham de perto a política tocantinense.
Vanderlei Luxemburgo disputa sua primeira eleição. Antes de entrar para a política eleitoral, construiu uma carreira de projeção nacional e internacional no futebol. Foi treinador da Seleção Brasileira e comandou alguns dos maiores clubes do país, entre eles Flamengo, Palmeiras, Corinthians, Cruzeiro, Santos, Atlético-MG, Vasco e Grêmio.
O futebol, inclusive, apareceu no discurso utilizado por Vicentinho durante a apresentação. Ao anunciar o novo aliado, o candidato comparou o reforço político à formação de um time e afirmou que a chegada de Luxemburgo representava um apoio do tamanho de um “Maracanã lotado”.
Luxemburgo também adotou linguagem semelhante ao confirmar a decisão de caminhar com o grupo. A chegada encerra uma fase em que o candidato vinha tentando construir seu projeto eleitoral sem uma vinculação mais direta a uma candidatura ao Governo.
Na disputa pelo Senado, Luxemburgo tenta transformar reconhecimento nacional em voto no Tocantins. Sua campanha trabalha temas como esporte, educação, geração de emprego, oportunidades para jovens e gestão pública. Sua chapa possui Jair Corrêa Júnior como primeiro suplente e o vereador Daniel Walison como segundo suplente.
Alexandre Guimarães, por outro lado, já estava integrado desde o início à construção de Vicentinho. Deputado federal pelo MDB, advogado e produtor agropecuário, ele possui trajetória política também ligada ao norte do Tocantins e foi escolhido como o primeiro nome ao Senado dentro da aliança entre PSDB e MDB.
Agora, os dois passam a dividir espaço dentro da mesma estratégia eleitoral.
Para Vicentinho, isso permite organizar melhor o discurso nas ruas. Em vez de pedir apenas um voto para senador e deixar a segunda escolha aberta, a campanha passa a oferecer uma dobradinha: Alexandre Guimarães e Vanderlei Luxemburgo.
Essa definição ganha importância porque a eleição para o Senado está entre as disputas mais fragmentadas de 2026 no Tocantins. Treze candidaturas aparecem na relação atual de concorrentes, incluindo nomes conhecidos da política estadual e outros que tentam entrar pela primeira vez no Congresso Nacional.
Entre os candidatos estão Eduardo Gomes, Eli Borges, Carlos Gaguim, Paulo Mourão, Alexandre Guimarães, Vanderlei Luxemburgo e outros nomes que disputam as duas cadeiras disponíveis.
A escolha de Luxemburgo também pode produzir reflexos fora da disputa pelo Senado. Vicentinho tenta ampliar sua própria candidatura ao Governo e aproximar eleitores que ainda não estão totalmente inseridos na campanha. Ter ao lado uma figura conhecida nacionalmente pelo futebol oferece um ativo de comunicação que pode ser explorado em eventos, viagens e redes sociais. Por outro lado, o reconhecimento de Luxemburgo não significa automaticamente transferência de votos.
Esse será um dos principais testes da candidatura do ex-treinador. Ser conhecido é diferente de ser escolhido.
Luxemburgo terá de convencer o eleitor tocantinense de que sua experiência fora da política pode ser transformada em representação no Senado e demonstrar conhecimento sobre as necessidades dos 139 municípios do Estado.
A aliança com Vicentinho pode ajudá-lo justamente nesse processo. A estrutura do candidato ao Governo, somada à presença do MDB e às bases municipais de Alexandre Guimarães e Amélio Cayres, oferece a Luxemburgo um caminho mais organizado para chegar ao interior. Para Alexandre, a chegada de um segundo nome também muda a dinâmica.
Até agora, ele era praticamente o único candidato ao Senado diretamente associado ao palanque de Vicentinho. A entrada de Luxemburgo divide espaço político e de comunicação, mas também pode beneficiar Alexandre se a campanha conseguir consolidar no eleitor a ideia dos dois votos casados para senador. A estratégia dependerá, entretanto, das bases.
No Tocantins, alianças estaduais nem sempre são reproduzidas integralmente nos municípios. Prefeitos, vereadores e candidatos proporcionais frequentemente possuem compromissos diferentes para governador, senador, deputado federal e deputado estadual. Isso significa que nem todo apoiador de Vicentinho necessariamente votará nos dois nomes escolhidos por ele.
Luxemburgo também chega carregando essa particularidade. Seu próprio partido integra formalmente outra coligação para o Governo, o que deixa evidente o grau de fragmentação das alianças eleitorais tocantinenses em 2026.
Para o Podemos, a situação exigirá convivência com dois movimentos simultâneos: institucionalmente, a legenda permanece integrada à aliança de Dorinha; eleitoralmente, Luxemburgo passa a fazer campanha associado a Vicentinho. Esse arranjo tende a gerar debate durante a campanha e poderá ser explorado pelos adversários dos dois lados. Para Vicentinho, entretanto, o ganho imediato está na fotografia política.
Sua majoritária passa a aparecer com quatro nomes definidos: Vicentinho Júnior para governador, Amélio Cayres para vice-governador, Alexandre Guimarães e Vanderlei Luxemburgo para o Senado.
A campanha ganha também um novo personagem com enorme reconhecimento fora das fronteiras do Estado.
O anúncio ocorre justamente quando a disputa pelo Governo começa a ganhar maior intensidade. Pesquisas divulgadas nos últimos dias mostram Dorinha e Vicentinho ocupando as duas primeiras posições, embora os números variem conforme o instituto e a metodologia.
Nesse cenário, cada adesão passa a ser explorada como demonstração de crescimento político.
Luxemburgo não é um prefeito trazendo vereadores, nem um deputado transferindo uma estrutura tradicional de votos. Seu ativo é diferente: nome conhecido nacionalmente, exposição espontânea e uma história profissional que alcança públicos muito além da política.
O desafio será transformar esse capital de imagem em organização eleitoral. Para Vicentinho, a aposta é que isso aconteça ao mesmo tempo em que Luxemburgo ajude a ampliar o alcance da própria candidatura ao Governo.
A movimentação também deixa uma pergunta que será respondida nas próximas semanas: como reagirão as bases do Podemos que trabalham com Dorinha? Formalmente, a estrutura partidária não mudou. Politicamente, porém, Luxemburgo mudou de posição.
Ele escolheu um palanque. E essa escolha reorganiza pelo menos uma parte da disputa majoritária.
Vicentinho começou a campanha com Alexandre Guimarães como sua principal referência para o Senado. Agora possui dois nomes para apresentar ao eleitor. Alexandre representa uma candidatura construída dentro da própria aliança partidária.
Luxemburgo chega de fora dessa composição formal, mas entra como aliado político. Em uma eleição em que o tocantinense terá dois votos para senador, Vicentinho decidiu não deixar mais nenhum deles em aberto.
A partir de agora, sua mensagem é clara: para o Governo, Vicentinho e Amélio; para o Senado, Alexandre Guimarães e Vanderlei Luxemburgo. Resta saber se essa composição construída no alto da política conseguirá chegar com a mesma força às ruas e, principalmente, às urnas em 4 de outubro.