Bastidores: Kasarin deve anunciar apoio a Vicentinho nesta quinta e mudança rompe trajetória política ao lado de Dorinha

Bastidores: Kasarin deve anunciar apoio a Vicentinho nesta quinta e mudança rompe trajetória política ao lado de Dorinha
Crédito: Divulgação
Ricardo Fernandes AlmeidaPor Ricardo Fernandes Almeida 10 de setembro de 2026 45

Entre alianças, casas demolidas e crises em Colinas: Kasarin terá de explicar ao eleitor suas escolhas políticas

A trajetória política do ex-prefeito Josemar Carlos Kasarin precisa ser analisada muito além dos discursos de campanha. Quem pretende representar Colinas do Tocantins na Assembleia Legislativa precisa também estar disposto a responder pelo próprio histórico, pelas alianças que construiu, pelas crises que atravessou e, principalmente, pela relação que manteve com aqueles que estiveram ao seu lado quando ele mais precisou.

E Colinas tem memória. Em outubro de 2025, Kasarin declarou publicamente apoio à Professora Dorinha para o Governo do Tocantins e a Carlos Gaguim para o Senado. Não era conversa de bastidor ou especulação eleitoral. Era uma posição política assumida pelo próprio então prefeito.

Pouco tempo depois, Kasarin enfrentou uma das maiores crises de sua passagem pela Prefeitura de Colinas. A relação com a Câmara Municipal chegou a um nível crítico, vereadores romperam com o Executivo e um processo de impeachment passou a ameaçar diretamente sua permanência no cargo.

Foi justamente nesse período que Dorinha apareceu como uma das lideranças que tentaram construir uma saída política para o impasse.

O Diário Tocantinense registrou, naquele momento, movimentações envolvendo Dorinha, Carlos Gaguim e Vanda Monteiro na tentativa de reconstruir o diálogo entre Kasarin e os vereadores. Esse episódio não pode simplesmente desaparecer porque chegou uma nova eleição.

Quando Kasarin estava politicamente pressionado, existiram lideranças que tentaram ajudá-lo. Dorinha foi uma delas. Mas a relação não ficou apenas na crise institucional. Quando Kasarin decidiu construir sua candidatura a deputado estadual, outra porta importante foi aberta dentro do Podemos, comandado no Tocantins pelo prefeito de Palmas, Eduardo Siqueira Campos. Kasarin encontrou no partido espaço para construir seu projeto eleitoral.

Eduardo Siqueira recebeu o ex-prefeito em uma legenda que, posteriormente, oficializou apoio à candidatura de Professora Dorinha ao Governo do Tocantins. Politicamente, isso é relevante.

Kasarin não entrou em um partido isolado do projeto de Dorinha. Entrou em uma legenda cuja direção estadual mantinha relação política direta com a candidata e que acabou caminhando oficialmente com ela. Por isso, qualquer mudança de posicionamento de Kasarin precisa ser explicada ao eleitor.

Não porque um político seja proibido de mudar de opinião. Mas porque política também é construída com palavra, reciprocidade e confiança. Existe ainda uma comparação importante sobre quem efetivamente ajudou Colinas. Dorinha possui histórico de recursos destinados ao município, principalmente nas áreas de saúde e educação.

Levantamentos divulgados pelo Diário Tocantinense apontaram milhões de reais em indicações, articulações e investimentos destinados a Colinas ao longo dos últimos anos. Na saúde, há registros de recursos destinados ao Fundo Municipal de Saúde. Na educação, Dorinha também aparece ligada à implantação e articulação de estruturas educacionais no município.

Além dos recursos, Dorinha também colocou o Hospital Municipal de Colinas dentro da discussão de fortalecimento da saúde regional.Em entrevista ao Diário Tocantinense, ela afirmou estudar um modelo que permita ampliar a estrutura hospitalar de Colinas, com mais especialidades, exames, cirurgias e integração com a rede estadual.

Esse debate é importante porque o próprio Kasarin reconheceu diversas vezes que o Hospital Municipal de Colinas atende pacientes não apenas da cidade, mas de vários municípios da região. Ou seja, Colinas assumiu uma responsabilidade regional sem possuir estrutura financeira proporcional ao volume de atendimentos. Outro nome que aparece de maneira concreta na saúde de Colinas é o senador Eduardo Gomes.

Em abril de 2026, foram destinados R$ 3 milhões extras para Média e Alta Complexidade no município. O recurso foi direcionado ao Fundo Municipal de Saúde para custear serviços hospitalares e procedimentos especializados. Na ocasião, o próprio Kasarin agradeceu publicamente Eduardo Gomes e reconheceu a importância do senador para o município.

Isso precisa ser lembrado. Quando esteve no comando da Prefeitura, Kasarin reconheceu publicamente quem ajudava Colinas.

Agora, na construção de um novo projeto político, o eleitor também tem o direito de observar se essas relações continuam tendo valor ou se passaram a valer apenas enquanto eram convenientes. Carlos Gaguim é outro nome que possui relação direta com investimentos no município.

Entre os projetos associados à atuação do parlamentar está o Parque da Cidade, além da articulação de máquinas e equipamentos destinados a Colinas. Dorinha, Eduardo Gomes e Gaguim aparecem, portanto, em diferentes momentos ajudando o município com recursos, articulações políticas e projetos.

E existe um ponto ainda mais sensível nessa história: as crises enfrentadas pela própria população de Colinas. Uma delas envolve a saúde.

Durante a gestão Kasarin, o então prefeito apresentou diversas vezes os avanços do setor como uma das marcas positivas de seu governo. Falou sobre maternidade, cirurgias, reformas de unidades e ampliação dos atendimentos.

Mas documentos analisados posteriormente pelo Diário Tocantinense mostraram que o Conselho Municipal de Saúde reprovou prestações de contas e relatórios referentes ao exercício de 2025, apontando atrasos e inconsistências. Esse é um dado que precisa ser confrontado com o discurso político.

Se houve avanços, eles precisam ser reconhecidos. Mas se o próprio Conselho Municipal de Saúde encontrou problemas na prestação de contas, isso também precisa fazer parte da avaliação da administração.

Outro episódio ainda mais delicado envolve as famílias que moravam em áreas do Setor Santa Maria e do Jardim Novo Progresso. O conflito fundiário começou e se desenvolveu enquanto Kasarin ainda estava no comando da Prefeitura.

Em janeiro de 2026, famílias já buscavam apoio da Defensoria Pública e cobravam uma solução para evitar a perda de suas moradias. A Prefeitura apresentava uma versão sobre a ocupação das áreas. Os moradores e a Defensoria apresentavam outra.

Kasarin negou ter prometido regularização fundiária e afirmou que a ocupação teria sido estimulada por adversários políticos. Essa versão precisa ser registrada. Mas também precisa ser registrado o resultado final daquela crise. Em 30 de abril de 2026, já depois da saída de Kasarin da Prefeitura e com Zé Nagru administrando o município, dezenas de construções foram demolidas em cumprimento a uma decisão judicial.

Mas também seria errado apagar o fato de que o conflito existia durante seu governo e de que as famílias já cobravam uma solução enquanto ele ainda tinha poder político e administrativo para participar das discussões e não o fez. A pergunta que permanece é simples: Kasarin fez tudo que poderia ter feito para buscar uma solução para aquelas famílias?

Se fez, precisa mostrar. Se apresentou propostas, reuniões, projetos ou alternativas, esse espaço está aberto para que sejam apresentados. Mas a história não pode ser reescrita como se a crise tivesse começado apenas depois que ele deixou o cargo. Existe também a memória de um estilo político que marcou a trajetória de Kasarin. Os pirulitos viraram símbolo.

Durante a campanha de 2024, o tema chegou aos debates políticos da cidade. O próprio Kasarin reconheceu que distribuía pirulitos para crianças e jovens quando circulava por Colinas. Depois, adversários passaram a utilizar o episódio como crítica política.

Mais recentemente, Edy César voltou ao tema ao afirmar que a população não queria mais “pirulito nem pão e circo”, mas obras, serviços e resultados concretos.Independentemente da concordância ou não com a declaração, ela mostra como determinados símbolos permanecem vivos na memória política. Existe ainda um episódio mais grave registrado anteriormente.

Em 2023, o várias pessoas que preferiram falar em off ao Diário Tocantinense relatou ter sido alvo de agressões verbais de Kasarin após questionamentos sobre problemas urbanos no município. Segundo o relato publicado à época, além das ofensas, Kasarin teria jogado um pirulito contra o jornalista. O episódio gerou manifestação de entidades ligadas à comunicação.

Esses fatos não podem ser tratados isoladamente quando se analisa uma trajetória política. Eles ajudam a formar a percepção sobre comportamento, relacionamento institucional e maneira de lidar com críticas. Kasarin também acumulou rompimentos políticos.

Teve conflito com o então vice-prefeito Francisco Cacau. Entrou em confronto com vereadores. Viu parte de sua base se afastar. Enfrentou uma grave crise com a Câmara Municipal.Posteriormente deixou a Prefeitura e passou a construir seu projeto para deputado estadual.

Cada rompimento pode ter sua própria explicação. Mas, quando as rupturas se acumulam, surge uma pergunta legítima para qualquer liderança que pense em caminhar com ele:qual é a durabilidade de uma aliança política com Kasarin? Esse questionamento ganha ainda mais peso porque Kasarin teve uma vitória eleitoral expressiva em 2024. Foram mais de 14 mil votos e mais de 73% dos votos válidos.

Foi uma demonstração incontestável de força eleitoral. Mas eleição para deputado estadual é diferente de eleição para prefeito. Kasarin não está mais na Prefeitura. Os vereadores possuem seus próprios grupos. As lideranças locais ganharam autonomia. Zé Nagru está no comando da administração municipal.

E a estrutura política que ajudou Kasarin a vencer em 2024 não necessariamente estará inteira ao seu lado em 2026. Voto não é propriedade. Liderança também não.Por isso, a eleição que se aproxima não será apenas um teste de popularidade. Será também um teste de confiança.

Kasarin terá de mostrar ao eleitor por que merece novamente representar Colinas, agora em outra esfera de poder. Terá de explicar suas escolhas. Terá de explicar seus rompimentos. Terá de mostrar o que entregou enquanto prefeito. Terá de responder pelos problemas que ficaram.

E terá de demonstrar por que lideranças que estiveram ao seu lado devem continuar acreditando em seu projeto. Ao mesmo tempo, essa análise mantém integralmente aberto o espaço para manifestação do ex-prefeito Josemar Carlos Kasarin.

Ele poderá apresentar sua versão sobre a crise das famílias do Santa Maria e Jardim Novo Progresso, detalhar sua atuação durante o conflito fundiário, esclarecer as decisões tomadas na área da saúde, explicar os rompimentos políticos ocorridos ao longo de sua gestão e apresentar documentos ou informações que considere necessárias.

O espaço também permanece aberto para esclarecimentos sobre sua relação com Dorinha, Eduardo Siqueira Campos, Eduardo Gomes, Carlos Gaguim e demais lideranças mencionadas. Caso haja manifestação, o posicionamento poderá ser incorporado à publicação com o devido destaque e respeito ao contraditório.

Porque uma análise política séria não deve esconder fatos favoráveis nem fatos desfavoráveis. Deve colocá-los diante do eleitor.E talvez a principal pergunta que Colinas terá de responder em 2026 seja esta:

Kasarin está construindo uma nova etapa de sua trajetória ou apenas levando para uma nova eleição os mesmos conflitos, rupturas e contradições que marcaram sua passagem pela Prefeitura?

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