El Niño extremo pode tirar 2% do PIB da América Latina e levar 4,8 milhões de pessoas à pobreza

El Niño extremo pode tirar 2% do PIB da América Latina e levar 4,8 milhões de pessoas à pobreza
Ricardo Fernandes AlmeidaPor Ricardo Fernandes Almeida 23 de setembro de 2026 9

Estudo da Cepal alerta que os impactos econômicos podem se estender por três anos e atingir principalmente agricultura, energia, pesca e populações vulneráveis.

Um episódio extremo do fenômeno El Niño pode provocar perdas acumuladas de pelo menos 2% do Produto Interno Bruto da América Latina e do Caribe ao longo de três anos e empurrar outras 4,8 milhões de pessoas para a pobreza, segundo um novo relatório da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal).

O documento foi divulgado nesta semana e reforça que os efeitos de um El Niño de grande intensidade vão muito além das alterações no regime de chuvas. Os impactos chegam diretamente à produção agrícola, geração de energia, pesca, preços dos alimentos, emprego e renda das famílias.

Segundo a Cepal, aproximadamente metade da perda econômica projetada pode ocorrer já no primeiro ano após um evento extremo. A estimativa considera uma perda acumulada de pelo menos 2% do PIB regional em três anos.

As consequências variam conforme a região. Em algumas áreas, o El Niño costuma aumentar a ocorrência de chuvas intensas e inundações; em outras, pode intensificar períodos de seca e temperaturas elevadas.

O impacto sobre famílias de menor renda preocupa especialmente porque essas populações possuem menor capacidade financeira para lidar com perdas de emprego, encarecimento dos alimentos ou danos provocados por eventos climáticos. A Cepal recomenda medidas de adaptação, planejamento antecipado, fortalecimento dos sistemas de proteção social e investimentos capazes de tornar infraestrutura e setores produtivos mais resistentes aos eventos climáticos extremos.

No Brasil, os efeitos do fenômeno variam entre as regiões e precisam ser acompanhados por órgãos meteorológicos. No Tocantins, a evolução das temperaturas e do regime de chuvas é especialmente relevante para agricultura, pecuária, disponibilidade hídrica e combate às queimadas.

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