Brasil confirmou 547 casos da doença de Creutzfeldt-Jakob em 17 anos; veja o que o levantamento mostra
O Brasil registrou 547 casos classificados como confirmados de doença de Creutzfeldt-Jakob entre 2005 e 2021, segundo o Boletim Epidemiológico de volume 53, número 39, do Ministério da Saúde. O levantamento histórico volta à atenção do público após a morte de Lito Sousa, comunicador ligado à aviação, em 1º de outubro.
O estudo analisou 1.576 notificações suspeitas. Desse total, 34,7% foram classificadas como confirmadas, 29% foram descartadas e 36,3% não tinham classificação final registrada. A base foi atualizada em maio de 2022; esses números não representam o total acumulado até outubro de 2026.
São Paulo concentrou 202 confirmações, equivalentes a 36,9% do total. O percentual se refere aos casos confirmados. Já o número de notificações suspeitas no estado foi 512, correspondente a 32,5% desse outro conjunto. Misturar os dois indicadores altera a leitura do levantamento.
A doença de Creutzfeldt-Jakob é uma condição rara, neurodegenerativa, progressiva e fatal, conforme a descrição do Ministério da Saúde. Ela está relacionada a proteínas chamadas príons e pode provocar perda de memória, alterações de comportamento, dificuldades de coordenação e outros sinais neurológicos.
O Ministério informa que não há evidência de transmissão pelo contato social cotidiano, como abraços, beijos ou uso comum de utensílios. A identificação da doença exige investigação médica, porque seus sinais podem se parecer com os de outras condições neurológicas.
Segundo o Ministério da Saúde, aproximadamente 90% das pessoas acometidas pela doença de Creutzfeldt-Jakob evoluem para óbito em um ano. A pasta informa que as propostas terapêuticas estudadas não demonstraram efetividade para alterar a evolução fatal da condição. A assistência recomendada envolve suporte ao paciente, controle das complicações e atenção às necessidades físicas, nutricionais, psicológicas e sociais, além do acolhimento dos familiares.
A nota de pesar do Ministério de Portos e Aeroportos confirmou a morte de Joselito Geraldo de Sousa e destacou sua contribuição para aproximar o público da aviação. O levantamento epidemiológico é uma fonte para compreender a doença; não substitui dados atualizados das secretarias estaduais nem a avaliação individual dos pacientes.