Eleições em Pernambuco têm disputa acirrada pelo Governo e Senado e registram ocorrências de boca de urna
Raquel Lyra e João Campos chegam ao primeiro turno separados por poucos pontos nas pesquisas; no Senado, Marília Arraes e Humberto Costa aparecem na frente, enquanto forças de direita tentam avançar nas duas vagas
Pernambuco chega ao primeiro turno das eleições de 2026, neste domingo (4), com duas das disputas mais acompanhadas do Nordeste concentradas nas urnas: a corrida pelo Governo do Estado e a eleição para duas cadeiras no Senado Federal. Com 7.225.744 eleitores aptos a votar, o estado é o sétimo maior colégio eleitoral do país e tem sete candidatos na disputa pelo Palácio do Campo das Princesas.
A principal disputa pelo Governo ocorre entre a governadora Raquel Lyra (PSD), candidata à reeleição, e o ex-prefeito do Recife João Campos (PSB). Também concorrem Guilherme Fonseca (PSTU), Ivan Moraes (PSOL), Professora Camila (UP), Renan Hallais (Missão) e Victor Assis (PCO). Caso nenhum candidato conquiste mais de 50% dos votos válidos, os dois mais votados avançam para o segundo turno, marcado para 25 de outubro.
Na reta final da campanha, os dois principais institutos de pesquisa apontaram uma disputa apertada. A Quaest, em levantamento realizado nos dias 2 e 3 de outubro com 2.652 eleitores e margem de erro de dois pontos percentuais, mostrou Raquel Lyra com 52% dos votos válidos e João Campos com 47%. Apesar da vantagem numérica da governadora, a diferença de cinco pontos precisa ser analisada considerando a margem de erro do levantamento.
O Datafolha apresentou um cenário ainda mais equilibrado. Na pesquisa realizada com 1.650 eleitores entre 2 e 3 de outubro, Raquel Lyra apareceu com 49% dos votos válidos, enquanto João Campos registrou 48%. Ivan Moraes e Renan Hallais tiveram 1% cada, enquanto os demais candidatos não pontuaram. Com margem de erro de dois pontos percentuais, o resultado configurou empate técnico entre os dois principais concorrentes.
A diferença entre os levantamentos deixou a eleição para o Governo de Pernambuco em aberto na véspera da votação. Enquanto a Quaest colocou Raquel acima da marca necessária para uma vitória no primeiro turno, o Datafolha mostrou a governadora e João Campos tecnicamente empatados e abaixo de 50% dos votos válidos. O resultado das urnas, portanto, tornou-se decisivo para saber se Pernambuco conhecerá seu governador ainda neste domingo ou se haverá uma nova disputa no dia 25 de outubro.
Senado tem duas vagas e quatro nomes concentram a disputa
A eleição para o Senado também apresenta uma disputa competitiva. Em 2026, Pernambuco elegerá dois senadores, e cada eleitor poderá votar em dois candidatos. Ao todo, 12 candidaturas foram registradas para as duas vagas: Carlos Sant’anna (Novo), Eduardo da Fonte (PP), Gorett Bitu (UP), Humberto Costa (PT), Mailson da Silva Neto (PCO), Mariano Macedo (PSTU), Marília Arraes (PDT), Mendonça Filho (PL), Pastor Gilvan Costa (Democrata), Paulo Rubem Santiago (Rede), Samuel Timoteo (UP) e Túlio Gadêlha (PSD).
Na última pesquisa Quaest antes da votação, Marília Arraes (PDT) apareceu na liderança com 30% dos votos válidos, seguida por Humberto Costa (PT), com 27%. Mendonça Filho (PL) registrou 18%, enquanto Eduardo da Fonte (PP) marcou 15%. Túlio Gadêlha (PSD) apareceu com 9% e Carlos Sant’anna (Novo), com 1%. Os demais candidatos não pontuaram no levantamento.
O Datafolha apresentou uma fotografia semelhante, mas com uma diferença menor entre os dois primeiros colocados. Marília Arraes e Humberto Costa apareceram empatados numericamente, ambos com 29% dos votos válidos. Mendonça Filho registrou 16%, Eduardo da Fonte 14%, Túlio Gadêlha 6% e Carlos Sant’anna 3%. Outros quatro candidatos tiveram 1% cada, enquanto Mailson Neto e Gorett Bitu não pontuaram.
Os números indicavam, portanto, uma concentração da disputa pelas duas cadeiras principalmente entre Marília Arraes, Humberto Costa, Mendonça Filho e Eduardo da Fonte. A situação também evidenciava a importância do chamado voto casado, já que o eleitor pernambucano precisa escolher dois nomes diferentes para o Senado. A combinação dos votos poderia ser determinante para definir quem ocupará as duas vagas a partir de 2027.
Não há pesquisa de boca de urna, mas termo aparece entre crimes eleitorais
Apesar da expectativa em torno do resultado, Pernambuco não terá uma pesquisa de boca de urna tradicional neste primeiro turno. Assim como ocorreu em 2022, a rápida totalização dos votos pelo Tribunal Superior Eleitoral reduziu a necessidade desse tipo de levantamento. A votação termina às 17h, pelo horário de Brasília, e os resultados oficiais começam a ser divulgados a partir do encerramento da votação.
O termo “boca de urna”, entretanto, apareceu neste domingo em outro contexto. De acordo com o balanço das forças de segurança, Pernambuco registrou 124 ocorrências relacionadas a crimes eleitorais entre as 18h de sábado (3) e o final da manhã deste domingo. Segundo o secretário de Defesa Social, Alessandro de Carvalho, casos de boca de urna e compra de votos chamaram atenção pelo volume registrado.
As autoridades utilizaram imagens de câmeras de videomonitoramento e vídeos publicados nas redes sociais para auxiliar na identificação de suspeitos. A Polícia Federal também registrou ocorrências eleitorais durante as primeiras horas do pleito. No Recife, segundo o balanço divulgado, a demanda relacionada às ocorrências chegou ao limite de atendimento da Polícia Federal, fazendo com que a Polícia Civil também passasse a receber casos.
Urnas substituídas ficaram dentro do esperado
No início da votação, o TRE-PE informou que o processo transcorria dentro da normalidade. Até as 10h, porém, 53 urnas eletrônicas haviam sido substituídas em diferentes municípios pernambucanos. O número correspondia a apenas 0,23% das 22.694 urnas instaladas em 3.406 locais de votação no estado, índice considerado dentro do previsto pela Justiça Eleitoral.
O primeiro balanço do tribunal também indicou que o funcionamento geral da votação seguia conforme o planejamento. Antes do início do pleito, o TRE-PE havia realizado testes de integridade e autenticidade em urnas sorteadas em audiência pública, procedimento destinado a verificar a segurança e a confiabilidade do sistema eletrônico de votação.
Durante a manhã, os principais candidatos também foram às urnas. Raquel Lyra votou em Caruaru, acompanhada da vice Priscila Krause e dos candidatos ao Senado Túlio Gadêlha e Eduardo da Fonte. João Campos votou no Recife acompanhado do candidato a vice, Carlos Costa, e dos candidatos ao Senado Marília Arraes e Humberto Costa. Marília também votou na capital pernambucana e afirmou esperar que o desempenho apontado pelas pesquisas se confirmasse nas urnas.
Com a votação em andamento, o cenário permanece indefinido tanto para o Governo quanto para o Senado. No Executivo estadual, a diferença entre Raquel Lyra e João Campos varia de acordo com o instituto, indo de empate técnico no Datafolha a uma vantagem maior da governadora na Quaest. No Senado, Marília Arraes e Humberto Costa aparecem nas duas pesquisas finais na dianteira, mas a definição das duas vagas depende da combinação dos votos dos eleitores.
A partir das 17h, com o encerramento da votação, a disputa deixa o terreno das pesquisas e passa para a contagem oficial dos votos. Em Pernambuco, a apuração definirá se Raquel Lyra permanecerá no cargo por mais quatro anos, se João Campos levará a eleição para o segundo turno ou até mesmo se haverá uma surpresa entre os demais concorrentes. No Senado, dois dos 12 candidatos serão escolhidos para representar o estado por oito anos.