ELEIÇÕES 2026 em Alagoas: JHC e Renan Filho lutam pelo governo e corrida apertada para o Senado
Últimas pesquisas apontam empate técnico pelo Governo e cenário embolado entre Marina JHC, Arthur Lira e Renan Calheiros; eleição deste domingo também é marcada por apreensão de quase R$ 1 milhão e substituição de urnas
Alagoas chega ao primeiro turno das Eleições 2026, neste domingo (4), com uma das disputas mais acirradas do Nordeste. A corrida pelo Governo do Estado está concentrada principalmente entre o ex-prefeito de Maceió João Henrique Caldas, o JHC (PSDB), e o senador Renan Filho (MDB), enquanto a eleição para as duas vagas ao Senado reúne nomes de grande peso político no estado, como Marina JHC (PSDB), Arthur Lira (PP) e Renan Calheiros (MDB). Ao todo, 2.441.794 eleitores estão aptos a votar em Alagoas.
Quatro candidatos disputam o Governo de Alagoas: JHC, Renan Filho, Lenilda Luna (UP) e Márcio Jambo (Democrata). A eleição pode ser decidida já neste domingo caso um dos candidatos obtenha mais de 50% dos votos válidos. Caso contrário, os dois mais votados retornarão às urnas no segundo turno, marcado para 25 de outubro.
JHC e Renan Filho chegam às urnas em empate técnico
As pesquisas divulgadas na reta final mostram uma disputa praticamente aberta entre JHC e Renan Filho. No levantamento mais recente do Paraná Pesquisas, divulgado no sábado (3), JHC apareceu com 50,2% dos votos válidos, contra 48,7% de Renan Filho. Lenilda Luna registrou 0,7% e Márcio Jambo, 0,4%. A margem de erro é de 2,7 pontos percentuais, o que coloca os dois principais candidatos em empate técnico. A pesquisa ouviu 1.400 eleitores em 52 municípios entre 30 de setembro e 3 de outubro e foi registrada no TSE sob o protocolo AL-08661/2026.
A Quaest também apontou uma diferença pequena entre os dois principais concorrentes. O levantamento divulgado na véspera da votação indicou empate técnico entre JHC e Renan Filho, reforçando a possibilidade de uma definição somente no segundo turno. A pesquisa ouviu 1.800 eleitores nos dias 2 e 3 de outubro, com margem de erro de dois pontos percentuais e nível de confiança de 95%.
O cenário da reta final contrasta com pesquisas anteriores. Em levantamento da Quaest divulgado em setembro, JHC aparecia com 43% e Renan Filho com 41%, também dentro da margem de erro. Já o Real Time Big Data, realizado entre 10 e 14 de setembro, registrava Renan Filho com 46% e JHC com 43%, mostrando que a liderança oscilou ao longo da campanha e que a disputa permaneceu sem um favorito consolidado.
A eleição coloca frente a frente dois grupos políticos de forte influência no estado. JHC tenta levar para o governo a força construída durante sua passagem pela Prefeitura de Maceió, enquanto Renan Filho busca retornar ao Palácio República dos Palmares após ter governado Alagoas por dois mandatos e atualmente ocupar uma cadeira no Senado.
Senado tem três nomes separados por poucos pontos
A disputa pelas duas vagas ao Senado é ainda mais embolada. Sete candidatos estão registrados: Alexandre Fleming (UP), Arthur Lira (PP), Davi Davino Filho (Republicanos), Dr. Wanderley (MDB), Mariedson (Democrata), Marina JHC (PSDB) e Renan Calheiros (MDB). Como cada eleitor poderá votar em dois candidatos, os dois mais votados serão eleitos para mandatos de oito anos.
Na pesquisa Quaest divulgada neste sábado (3), Marina JHC apareceu numericamente na liderança, com 29% dos votos válidos. Arthur Lira veio em seguida, com 27%, e Renan Calheiros registrou 25%. Davi Davino Filho marcou 9%, enquanto os demais candidatos ficaram com percentuais menores. A margem de erro é de dois pontos percentuais, o que mantém os três principais nomes dentro de uma faixa de forte competitividade.
O levantamento da Quaest é particularmente relevante porque foi realizado praticamente na véspera da votação. Foram entrevistados 1.800 eleitores com 16 anos ou mais nos dias 2 e 3 de outubro. Como há duas cadeiras em disputa, a pesquisa consolidou as menções aos dois votos do eleitor para apresentar a distribuição proporcional entre os candidatos.
O cenário havia sido diferente em setembro. Pesquisa Real Time Big Data colocava Renan Calheiros na liderança, com 22%, seguido por Marina JHC, com 21%, Arthur Lira, com 19%, e Davi Davino Filho, com 17%. A evolução dos levantamentos mostra uma disputa extremamente competitiva pelas duas cadeiras, sem segurança para nenhum dos candidatos apontados como favoritos.
A eleição para o Senado também adiciona uma dimensão familiar e política à disputa pelo Governo. Marina JHC, esposa do candidato ao governo JHC, aparece entre os principais nomes na corrida ao Senado, enquanto Renan Calheiros disputa uma das cadeiras e seu filho, Renan Filho, concorre ao Governo. Arthur Lira, ex-presidente da Câmara dos Deputados, completa o grupo de nomes de maior projeção nacional na disputa.
Não haverá pesquisa de boca de urna
Apesar da expectativa pela divulgação dos resultados, os eleitores não terão uma pesquisa de boca de urna tradicional neste primeiro turno. Em 2026, os institutos não realizarão esse tipo de levantamento para antecipar os resultados, repetindo o modelo adotado nas eleições de 2022.
A razão é a velocidade da totalização dos votos pelo Tribunal Superior Eleitoral. A votação ocorre das 8h às 17h, pelo horário de Brasília, e a divulgação dos resultados oficiais começa após o encerramento da votação. Com a apuração eletrônica, a vantagem de uma pesquisa de boca de urna diminuiu significativamente.
É importante diferenciar, portanto, pesquisa de boca de urna de crime de boca de urna. A primeira é uma sondagem feita com eleitores depois da votação. A segunda é uma conduta proibida pela legislação eleitoral, relacionada à tentativa de influenciar o voto nas proximidades das seções eleitorais.
Polícia Federal apreende quase R$ 1 milhão em dinheiro e cheques
Entre as principais ocorrências relacionadas ao processo eleitoral em Alagoas está uma ação da Polícia Federal registrada no sábado (3), véspera da votação. Um homem foi preso em flagrante após ser abordado durante fiscalização de rotina na BR-101, em Rio Largo, na Região Metropolitana de Maceió.
Segundo a própria Polícia Federal, foram apreendidos aproximadamente R$ 79 mil em dinheiro vivo e dez cheques que totalizam cerca de R$ 866 mil. Somados, os valores chegam a aproximadamente R$ 945 mil. Também foram encontrados materiais de campanha relacionados a candidaturas das eleições de 2026, além de agendas e anotações com nomes e outras referências que serão analisadas durante a investigação. O homem foi preso por suspeita, em tese, de corrupção eleitoral.
A PF ressalta que todo o material ainda será analisado e que as investigações deverão esclarecer a origem dos recursos, sua possível destinação e eventual envolvimento de outras pessoas. Portanto, a ocorrência não representa, por si só, comprovação de compra de votos ou de responsabilidade de qualquer candidatura mencionada no material apreendido.
Outra ocorrência registrada na véspera envolve a prisão de um vereador de Santana do Ipanema, Júnior Meirica, sob suspeita de participação em compra de votos. O caso também está sob investigação das autoridades e deve ser tratado como suspeita até eventual conclusão do procedimento.
Denúncias também envolvem distribuição de cestas básicas
Na capital alagoana, uma ocorrência envolvendo a distribuição de cestas básicas também entrou no radar das autoridades às vésperas da votação. Um servidor da Prefeitura de Maceió foi conduzido à Polícia Federal para investigação de uma possível ocorrência de crime eleitoral relacionada à distribuição de benefícios.
Segundo reportagem do Tribuna Hoje, a ação ocorreu em uma área onde estavam sendo distribuídas cestas básicas dentro do projeto “Brota das Grotas”. A Polícia Federal deverá analisar as circunstâncias da distribuição e verificar se houve eventual irregularidade eleitoral. A investigação ainda não representa uma conclusão sobre a existência de crime.
Urnas eletrônicas são substituídas durante a votação
O início da votação também registrou problemas pontuais em equipamentos. O TRE-AL informou substituições de urnas eletrônicas em Maceió e em municípios do interior. Os primeiros balanços divulgados ao longo da manhã registraram cinco equipamentos substituídos, número posteriormente atualizado para dez e, no balanço divulgado próximo ao meio-dia, para 13 urnas.
A substituição ocorre quando um equipamento apresenta problema que pode comprometer seu funcionamento. Nesses casos, a Justiça Eleitoral utiliza urnas de contingência para garantir a continuidade da votação.
O Tribunal Regional Eleitoral de Alagoas mantém acompanhamento das ocorrências durante o pleito, enquanto o Ministério Público Eleitoral também realiza fiscalização dos locais de votação e acompanha eventuais irregularidades.
Eleição chega ao momento decisivo
Com a votação em andamento, Alagoas vive uma eleição marcada pela proximidade entre os principais candidatos. No Governo, JHC e Renan Filho chegam às urnas separados por poucos pontos nas pesquisas e dentro da margem de erro dos levantamentos finais. A principal dúvida é se algum dos dois conseguirá ultrapassar a marca de 50% dos votos válidos ou se os alagoanos voltarão às urnas no dia 25 de outubro.
No Senado, a disputa é ainda mais imprevisível. Marina JHC, Arthur Lira e Renan Calheiros aparecem próximos nas pesquisas, enquanto Davi Davino Filho tenta entrar na briga pelas duas cadeiras. Como o eleitor votará duas vezes para o Senado, a combinação escolhida poderá produzir um resultado diferente daquele indicado pela simples ordem de preferência das pesquisas.
A partir das 17h, a eleição deixará o terreno das estimativas e entrará na fase de totalização oficial. Até lá, qualquer projeção deve ser tratada como fotografia do momento, e não como resultado. Em Alagoas, a disputa pelo Governo e as duas cadeiras do Senado permanecem entre as mais abertas do primeiro turno de 2026.
