Cleitinho pode vencer no 1º turno; MG tem 90 urnas trocadas e 60 levados à delegacia
Senador aparece com até 54% dos votos válidos nas últimas pesquisas; Minas registra 182 ocorrências eleitorais, enquanto disputa pelas duas vagas do Senado permanece indefinida
Minas Gerais chega à tarde deste domingo (4), primeiro turno das Eleições 2026, diante da possibilidade de definir a disputa pelo governo estadual sem necessidade de uma segunda votação. Cleitinho Azevedo (Republicanos) aparece com 54% dos votos válidos estimados na última pesquisa Quaest e 53% no Datafolha, enquanto Patrus Ananias (PT) tenta impedir uma vitória antecipada do senador.
Paralelamente à disputa política, o Tribunal Regional Eleitoral de Minas Gerais (TRE-MG) contabilizou pelo menos 90 urnas eletrônicas substituídas até o início da tarde. O balanço divulgado pelo Observatório de Segurança Pública registrou 182 ocorrências eleitorais, com 314 pessoas envolvidas e 60 encaminhadas a delegacias.
Apesar das ocorrências, a Justiça Eleitoral informou que o processo transcorria dentro da normalidade.
O estado também registrou um episódio envolvendo o ex-governador e candidato à Presidência Romeu Zema (Novo), flagrado com um telefone celular na cabine de votação, em Araxá. O Ministério Público de Minas Gerais ingressou com uma ação sobre o caso.
Com 16.377.659 eleitores aptos a votar, Minas Gerais representa o segundo maior colégio eleitoral do Brasil. A votação ocorre nos 853 municípios mineiros, distribuída por 10.074 locais e 52.062 seções eleitorais, conforme os dados gerais divulgados pelo TRE-MG.
Além do governo estadual e da Presidência da República, os mineiros escolhem dois senadores, 53 deputados federais e 77 deputados estaduais.
A votação começou às 8h e prossegue até as 17h, pelo horário de Brasília, quando terá início a divulgação dos resultados oficiais.
TRE-MG substitui 90 urnas e afirma que eleição segue normalmente
O Tribunal Regional Eleitoral de Minas Gerais informou, no início da tarde, que pelo menos 90 urnas eletrônicas haviam sido substituídas em diferentes regiões do estado.
As primeiras substituições ocorreram ainda nos minutos iniciais da votação, em municípios como Itabirito e Coronel Fabriciano.
O número aumentou progressivamente durante a manhã:
| Horário do balanço | Urnas substituídas |
|---|---|
| 9h30 | 17 |
| 10h32 | 44 |
| 11h30 | 66 |
| Por volta das 12h | 83 |
| Início da tarde | 90 |
As ocorrências alcançaram municípios como Belo Horizonte, Betim, Contagem, Divinópolis, Governador Valadares, Juiz de Fora, Montes Claros, Ouro Preto, Uberaba e Uberlândia, entre outras localidades.
O diretor-geral do TRE-MG, Rodolfo Pacheco, afirmou que a votação transcorria dentro da normalidade e que os problemas identificados não representavam comprometimento geral da operação eleitoral.
As substituições são realizadas por equipamentos de contingência preparados previamente pela Justiça Eleitoral.
O estado dispõe de 52.062 seções eleitorais, além de equipamentos de reserva para atender eventuais falhas técnicas.
Historicamente, a substituição de urnas faz parte do planejamento operacional. No primeiro turno de 2022, Minas Gerais registrou 555 equipamentos substituídos ao longo de toda a votação. Em 2024, foram 472.
Os números de 2026 ainda são parciais e não devem ser comparados diretamente com os balanços finais das eleições anteriores.
Confira as informações oficiais do TRE-MG.
Minas registra 182 ocorrências e 60 pessoas encaminhadas à delegacia
O Observatório de Segurança Pública de Minas Gerais também divulgou um balanço das ocorrências relacionadas ao processo eleitoral.
Segundo o levantamento publicado no início da tarde, foram registrados:
| Indicador | Total |
|---|---|
| Ocorrências eleitorais | 182 |
| Pessoas envolvidas | 314 |
| Pessoas encaminhadas à delegacia | 60 |
| Candidatos envolvidos | 0 |
| Prisões registradas no balanço | 0 |
A divulgação irregular de propaganda partidária apareceu como a principal natureza das ocorrências.
Também foram identificados casos relacionados à arregimentação de eleitores e suspeitas de boca de urna.
É importante diferenciar condução à delegacia de prisão. O encaminhamento de uma pessoa para esclarecimentos ou registro de ocorrência não representa condenação nem significa, necessariamente, prisão em flagrante.
Na coletiva realizada durante a manhã, o presidente do TRE-MG, desembargador Carlos Henrique Perpétuo Braga, afirmou que as atividades eleitorais transcorreram normalmente durante as primeiras horas.
A Polícia Militar mantém equipes mobilizadas para a segurança dos locais de votação e o acompanhamento da logística eleitoral.
Mais de 40 mil policiais militares integram a operação organizada no estado.
O monitoramento permanece ativo durante a votação, encerramento das seções e transporte dos equipamentos.
Filas ultrapassam duas horas e Justiça Eleitoral pede uso de colinha
O tempo de espera para votar também se tornou uma das principais ocorrências deste domingo em Minas Gerais.
Em Belo Horizonte, diferentes locais de votação registraram filas prolongadas, inclusive nas seções utilizadas pelos candidatos ao governo estadual.
Patrus Ananias (PT) chegou à PUC Minas, no bairro Coração Eucarístico, por volta das 10h50 e somente conseguiu votar às 13h05.
O atual governador, Mateus Simões (PSD), também enfrentou espera superior a duas horas na Escola Estadual Barão do Rio Branco, no bairro Funcionários.
Alexandre Kalil (PDT) aguardou aproximadamente 40 minutos antes de registrar o voto na Escola Estadual Governador Milton Campos.
Diante das reclamações, o diretor-geral do TRE-MG, Rodolfo Pacheco, informou que o tribunal acompanha os atrasos.
O aumento do tempo de permanência diante da urna já era esperado em razão das seis escolhas que cada eleitor precisa fazer neste primeiro turno.
A Justiça Eleitoral recomenda levar os números dos candidatos anotados em papel, medida que reduz o tempo necessário para localizar os nomes e confirmar os votos.
O TRE-MG também esclareceu que os eleitores que estiverem na fila até as 17h terão o direito de concluir a votação, mesmo depois do encerramento oficial do horário.
Cleitinho pode vencer a eleição de Minas Gerais no primeiro turno?
A principal expectativa política para o encerramento da votação envolve a possibilidade de Cleitinho Azevedo conquistar o governo estadual sem necessidade de segundo turno.
A pesquisa Quaest divulgada no sábado (3) apresentou o senador com 54% dos votos válidos estimados, diante de 23% de Patrus Ananias.
Alexandre Kalil apareceu em terceiro, com 10%.
O Datafolha divulgado na mesma data também apontou Cleitinho acima da maioria absoluta, com 53% dos votos válidos, contra 21% de Patrus e 9% de Kalil.
Veja a comparação completa dos principais candidatos:
| Candidato | Quaest | Datafolha |
|---|---|---|
| Cleitinho (Republicanos) | 54% | 53% |
| Patrus Ananias (PT) | 23% | 21% |
| Alexandre Kalil (PDT) | 10% | 9% |
| Flávio Roscoe (PL) | 6% | 4% |
| Mateus Simões (PSD) | 4% | 4% |
| Gabriel Azevedo (MDB) | 2% | 3% |
| Ben Mendes (Missão) | 1% | 2% |
Percentuais de votos válidos estimados nos levantamentos divulgados em 3 de outubro.
A pesquisa Quaest ouviu presencialmente 3.204 eleitores entre os dias 2 e 3 de outubro. A margem de erro é de dois pontos percentuais, com nível de confiança de 95%. O levantamento foi registrado no TSE sob o número MG-06889/2026.
O Datafolha realizou 2.003 entrevistas presenciais em 55 municípios, com margem de erro de dois pontos percentuais para o total da amostra e nível de confiança de 95%.
Os dois levantamentos convergem ao apontar Cleitinho acima dos 50% dos votos válidos estimados.
Entretanto, os percentuais representam intenções declaradas durante as entrevistas, não votos efetivamente contabilizados.
Para vencer no primeiro turno, um candidato precisa receber mais da metade dos votos válidos apurados pela Justiça Eleitoral, excluídos brancos e nulos.
Caso nenhum concorrente alcance a maioria absoluta, os dois mais votados disputarão uma nova eleição em 25 de outubro.
Leia mais:
Candidatos votam e enfrentam filas em Belo Horizonte e Divinópolis
Os principais candidatos ao governo de Minas Gerais compareceram às urnas durante a manhã e o início da tarde deste domingo.
Cleitinho Azevedo (Republicanos) votou por volta das 12h45, na Escola Estadual Martin Cyprien, em Divinópolis, no Centro-Oeste mineiro.
Acompanhado da mulher, Amanda Azevedo, o senador demonstrou confiança na possibilidade de vitória ainda no primeiro turno.
O candidato afirmou que as últimas pesquisas indicavam essa possibilidade, mas ressaltou a necessidade de aguardar a manifestação dos eleitores.
Patrus Ananias (PT) votou na seção 60 da PUC Minas, no bairro Coração Eucarístico, em Belo Horizonte. O petista estava acompanhado do candidato a vice-governador, Jarbas Soares Júnior (PSB).
Após votar, Patrus reafirmou seus compromissos democráticos e declarou que sua candidatura estava preparada para disputar uma eventual segunda votação.
Alexandre Kalil (PDT) votou na Escola Estadual Governador Milton Campos, no bairro Lourdes, também na capital. O ex-prefeito manifestou satisfação com a campanha e manteve o discurso de confiança em uma disputa de segundo turno.
Mateus Simões (PSD), atual governador e candidato à reeleição, compareceu à Escola Estadual Barão do Rio Branco, no bairro Funcionários, acompanhado da mulher, Christiana Renault, e do candidato a vice, Danilo de Castro.
Flávio Roscoe (PL) votou no Colégio Edna Roriz, no bairro Belvedere, acompanhado de familiares e apoiadores, entre eles o deputado estadual Bruno Engler.
O encerramento da votação determinará se Cleitinho conseguirá confirmar a vantagem apresentada pelos institutos ou se a disputa mineira continuará até 25 de outubro.
Senado de Minas apresenta disputa aberta por duas vagas
Enquanto Cleitinho aparece em posição favorável na corrida pelo Executivo, a disputa mineira pelas duas cadeiras do Senado apresenta um cenário de indefinição.
As últimas pesquisas Quaest e Datafolha identificaram um grupo de quatro candidatos disputando as primeiras posições, mas registraram diferenças na ordem de preferência do eleitorado.
Na Quaest, Domingos Sávio (PL) aparece numericamente à frente, com 22% dos votos válidos estimados.
Carlos Viana (PSD) e Marília Campos (PT) registram 18% cada um. Aécio Neves (PSDB) aparece com 17%.
Já no Datafolha, Marília ocupa a primeira posição, com 21%, seguida por Carlos Viana, com 19%, e Domingos Sávio, com 17%.
Veja os números:
| Candidato | Quaest | Datafolha |
|---|---|---|
| Domingos Sávio (PL) | 22% | 17% |
| Marília Campos (PT) | 18% | 21% |
| Carlos Viana (PSD) | 18% | 19% |
| Aécio Neves (PSDB) | 17% | 13% |
| Marcelo Aro (PP) | 10% | 9% |
| Áurea Carolina (PSOL) | 6% | 9% |
| Marco Antônio Superman (Novo) | 9% | 4% |
A margem de erro informada pela Quaest é de dois pontos percentuais. No Datafolha, a margem específica para os votos válidos ao Senado é de três pontos percentuais.
O resultado demonstra que não existe convergência entre os institutos sobre quais candidatos ocuparão as duas cadeiras em disputa.
A indefinição também aparece na pesquisa espontânea do Datafolha, na qual 55% dos entrevistados ainda não souberam indicar seus candidatos ao Senado.
A eleição apresenta uma particularidade: cada eleitor mineiro pode escolher dois candidatos diferentes.
Os votos são contabilizados individualmente e não existe segundo turno para o cargo.
Os dois mais votados serão eleitos para mandatos de oito anos, de 2027 a 2035.
A disputa também envolve a tentativa de reeleição de Carlos Viana e a possibilidade de retorno de Aécio Neves ao Senado. Marília Campos, Domingos Sávio e Marcelo Aro também disputam espaço em um cenário de fragmentação eleitoral.
Ministério Público aciona Justiça Eleitoral após Zema usar celular na cabine
Um episódio envolvendo o ex-governador de Minas Gerais e candidato à Presidência da República, Romeu Zema (Novo), também marcou a votação deste domingo.
Zema compareceu à Escola Estadual Delfim Moreira, em Araxá, por volta das 9h.
Durante a votação, foi flagrado com um telefone celular dentro da cabine, conduta proibida pelas normas da Justiça Eleitoral.
Questionado posteriormente, o candidato confirmou que estava com o aparelho, mas negou ter fotografado ou registrado seu voto.
O presidente do TRE-MG, desembargador Carlos Henrique Perpétuo Braga, informou que situações dessa natureza devem ser apuradas.
Posteriormente, o diretor-geral do tribunal, Rodolfo Pacheco, comunicou que o Ministério Público havia ingressado com uma ação relacionada ao episódio.
O ingresso da medida judicial não representa condenação.
A proibição de aparelhos eletrônicos dentro da cabine tem como finalidade preservar o sigilo do voto e impedir a produção de registros que possam ser utilizados para comprovar escolhas eleitorais.
O eleitor pode utilizar o e-Título para identificação, mas deve deixar o telefone no local indicado pelos mesários antes de se dirigir à urna eletrônica.
TRE-MG realiza auditoria em 43 urnas eletrônicas
A fiscalização dos equipamentos também integra a operação eleitoral organizada para este domingo.
O TRE-MG selecionou 43 urnas eletrônicas para diferentes procedimentos de auditoria, conforme definição realizada em audiência pública no sábado (3).
Do total, 33 equipamentos foram destinados ao Teste de Integridade, sendo três reservados à modalidade com biometria.
Outras dez urnas foram selecionadas para o Teste de Autenticidade dos sistemas.
Os procedimentos são realizados em locais como o Conselho Regional de Engenharia e Agronomia
