Análise: “A imprensa não é empregada”: Cleber Toledo cobra postura de Vicentinho, e embates com jornalistas podem pesar entre indecisos; Veja o vídeo

Análise: “A imprensa não é empregada”: Cleber Toledo cobra postura de Vicentinho, e embates com jornalistas podem pesar entre indecisos; Veja o vídeo
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Ricardo Fernandes AlmeidaPor Ricardo Fernandes Almeida 21 de outubro de 2026 19

A quatro dias do segundo turno, a relação de Vicentinho Júnior com a imprensa passou a integrar o debate sobre sua candidatura ao Governo do Tocantins. Em comentário publicado nesta quarta-feira (21), na Coluna do CT, o jornalista Cleber Toledo criticou as reações do deputado a questionamentos e cobrou mudança no tratamento dispensado aos profissionais da comunicação.

“A imprensa não é empregada para fazer pergunta que agrada”, afirmou Toledo. O Diário Tocantinense reproduz a declaração com crédito à Coluna do CT e recupera os episódios mencionados para analisar o contexto e os possíveis efeitos sobre a confiança do eleitor.

No vídeo original, Toledo apresenta um trecho de entrevista em que Vicentinho é questionado sobre valores mencionados em uma investigação. O candidato afirma já ter prestado esclarecimentos, classifica o conteúdo como “matéria requentada” e reclama da forma da pergunta. A entrevistadora argumenta que ele poderia apresentar sua versão naquele espaço.

A crítica de Toledo se concentra na reação do candidato. O jornalista sustenta que perguntas incômodas continuarão fazendo parte da rotina de Vicentinho caso seja eleito governador. Ao mesmo tempo, reconhece seu crescimento político e afirma respeitar sua trajetória.

Um dos episódios retomados envolve Wesley Silas, do Atitude Tocantins. Em reportagem assinada pelo jornalista e publicada em 9 de setembro, o portal relatou que Vicentinho recusou entrevista durante uma agenda em Gurupi e virou as costas após ser abordado. Segundo o veículo, a assessoria havia convidado a reportagem para acompanhar o compromisso.

O próprio texto registra a justificativa do candidato: Vicentinho considerava que declarações anteriores haviam sido distorcidas e que o portal fora deselegante com ele. O Atitude contestou essa interpretação e afirmou ter publicado a entrevista anterior na íntegra.

Na avaliação apresentada pelo portal, “o candidato não desrespeita apenas o profissional de imprensa no exercício do seu dever”. A reportagem associa o episódio ao interesse da população em conhecer as propostas e a postura de quem disputa o comando do estado. Toledo fez uma ressalva ao comentar o caso. Disse considerar equivocada a interpretação de Wesley sobre uma declaração de Vicentinho a respeito da participação em debates, mas afirmou não acreditar em má-fé do jornalista.

A ponderação é importante para compreender o conflito. O candidato pode contestar uma interpretação e apresentar elementos que demonstrem um erro. O veículo, por sua vez, precisa examinar a reclamação e corrigir informações quando necessário. A divergência não elimina o interesse público nas respostas. O relato de que a assessoria convidou a reportagem também coloca em discussão a organização do atendimento à imprensa. Cabe à equipe de comunicação alinhar entrevistas, encaminhar perguntas e facilitar esclarecimentos. O episódio, isoladamente, não permite afirmar que exista uma orientação da assessoria para restringir a cobertura, mas mostra um desencontro entre o acesso anunciado e o atendimento realizado.

Outro caso citado por Toledo envolve Verônica Veríssimo Bolzan. Conforme reportagem da Coluna do CT publicada em 24 de junho, a jornalista recebeu uma ligação de Vicentinho depois de registrar um encontro dele com o vereador de Palmas Vinícius Pires, em Brasília.

Na conversa divulgada, o deputado atribuiu motivação política ao registro, associou Verônica ao prefeito Eduardo Siqueira Campos e anunciou medidas judiciais. “Você vai entender como é que o jogo funciona”, disse, segundo o trecho reproduzido pela Coluna do CT e aqui retomado com atribuição à fonte original.

A reportagem informou também que Verônica ocupava a chefia de gabinete da Secretaria de Representação de Palmas em Brasília. O vínculo integra o contexto da contestação feita pelo parlamentar, mas não comprova, por si só, que o registro tenha sido realizado a serviço de um adversário.

Verônica negou que estivesse seguindo Vicentinho. Em declaração publicada anteriormente pelo DT, afirmou: “Fui alvo de acusações que, na minha avaliação, representam uma tentativa de intimidação e de cerceamento da minha liberdade de atuação profissional”.

Também em junho, o Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Tocantins e a Federação Nacional dos Jornalistas divulgaram nota sobre hostilidades contra profissionais da comunicação. O documento não mencionava nominalmente Vicentinho nem Verônica. “A crítica ao trabalho jornalístico jamais pode servir de justificativa para intimidações, ameaças ou tentativas de censura”, afirmaram as entidades, em nota reproduzida pela Coluna do CT. O texto também defende respeito mútuo e encaminhamento institucional das divergências.

A discussão permite examinar ainda registros envolvendo aliados que hoje apoiam Vicentinho, como Kátia Abreu, Eli Borges e Laurez Moreira. São episódios de períodos distintos, que precisam ser apresentados com suas circunstâncias e respostas, sem presumir que as três lideranças tenham um comportamento uniforme.

Em agosto de 2017, publicações nas redes sociais de Kátia Abreu questionaram o trabalho de Cleber Toledo. O episódio provocou manifestações do Sindjor e de veículos tocantinenses. Na ocasião, Kátia atribuiu as postagens à equipe responsável pela página e pediu desculpas. “Peço desculpas a todos que se sentiram ofendidos. Não sou favorável a ataques”, declarou em nota reproduzida pelo Conexão Tocantins.

No caso de Eli Borges, reportagem do Conexão Tocantins de outubro de 2011 registrou sua defesa de uma medida para regulamentar a cobertura jornalística na Assembleia Legislativa. Segundo o veículo, Eli pretendia que os meios de comunicação publicassem, por meio de notas, todo o conteúdo das sessões. Sua justificativa era que a cobertura deveria considerar o conjunto dos trabalhos.

A proposta levanta uma questão sobre a autonomia editorial: cabe aos veículos selecionar os assuntos de interesse público e responder pela precisão do que publicam. O registro da manifestação, contudo, não comprova que a medida tenha sido aprovada ou aplicada. Laurez Moreira aparece no relatório da Fenaj sobre violência contra jornalistas referente a 2011. O documento registra o relato de Wesley Silas sobre insultos, ameaças e pressão para impedir uma publicação envolvendo o Instituto Juarez Moreira. É uma denúncia registrada pela entidade, não uma decisão judicial.

Há também declarações posteriores de Laurez em defesa do trabalho jornalístico. Em setembro de 2025, durante coletiva como governador em exercício, afirmou que os jornalistas ajudariam a fiscalizar os secretários, conforme publicou o Diário Tocantinense. Esses antecedentes podem integrar a avaliação sobre as lideranças reunidas na campanha, mas não transferem responsabilidades entre os aliados. Vicentinho responde por suas declarações; Kátia, Eli e Laurez, pelas próprias condutas. O apoio eleitoral não demonstra que compartilhem a mesma orientação no relacionamento com a imprensa.

Pesquisadores ajudam a contextualizar o debate. Em entrevista publicada pela Escola de Comunicações e Artes da USP em 2023, a professora Daniela Osvald Ramos afirmou: “Há uma dificuldade estrutural de lidar com a liberdade de imprensa no Brasil”. A pesquisadora discutia a resistência ao acompanhamento público dos atos de pessoas e instituições com poder.

Em entrevista à Agência Pública, em 2022, o pesquisador de comunicação política Joshua Scacco defendeu a verificação das declarações e das evidências apresentadas por autoridades. “Os jornalistas não são estenógrafos de políticos”, afirmou. Nenhuma das entrevistas tratou de Vicentinho ou de seus aliados; ambas oferecem referências para compreender a função da imprensa.

Entre os indecisos, o comportamento diante de perguntas pode se somar à avaliação das propostas. Um eleitor que enxergue constrangimento ao entrevistador pode questionar a disposição do candidato para prestar contas. Outro, convencido de que houve tratamento injusto, pode interpretar a reação como defesa legítima.

A resposta posterior também pode influenciar essa percepção. Esclarecimentos objetivos e documentos ajudam a resolver dúvidas; novos confrontos podem reforçar desconfianças. O histórico dos aliados pode entrar nessa avaliação, mas não permite antecipar como cada cidadão decidirá seu voto.

Não há, no material consultado, pesquisa que meça o impacto desses episódios na intenção de voto. Afirmar que provocaram perda de apoio seria antecipar uma conclusão sem dados. Para o eleitor, o ponto é ter acesso à pergunta completa, à resposta e aos fatos que sustentam cada versão. A credibilidade da imprensa depende desse cuidado, inclusive quando a contestação do entrevistado revela um erro na cobertura. A confiança no candidato também passa pela maneira como ele explica decisões e enfrenta cobranças.

O Diário Tocantinense mantém espaço aberto para manifestação de Vicentinho Júnior, de sua assessoria, de Kátia Abreu, Eli Borges e Laurez Moreira sobre os registros mencionados. Esclarecimentos poderão ser incorporados à reportagem. O espaço também está disponível a Cleber Toledo, Wesley Silas, Verônica Bolzan e aos demais citados.

Confira o vídeo

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