Violência contra a mulher no TO: os números dos registros e os caminhos para pedir ajuda
As estatísticas sobre mulheres vítimas de crimes no Tocantins revelam uma demanda contínua por prevenção e atendimento. Mas os registros policiais não mostram, sozinhos, toda a dimensão da violência: há agressões, ameaças e situações de controle que não chegam às autoridades.
Um levantamento público baseado no painel da Secretaria da Segurança Pública informou 49.042 registros de mulheres vítimas de diferentes crimes em 2025. O total inclui delitos de naturezas diversas e não pode ser apresentado como se todos fossem violência doméstica ou motivada por gênero.
A divisão desse total por 12 meses e 365 dias resulta em médias aproximadas de 4.087 registros mensais e 134 diários. São médias matemáticas, não contagens efetivamente observadas em cada data. Também não permitem afirmar que todos os registros correspondam a pessoas diferentes.
Em outro recorte, levantamento anteriormente publicado pelo DT apontou 33 tentativas de feminicídio entre janeiro e junho de 2026, ante 22 no mesmo período de 2025. A diferença representa aumento de 50% e uma média de 5,5 tentativas por mês no semestre.
Esse indicador não deve ser misturado ao total de todos os crimes contra mulheres, porque trata de uma classificação e de um período específicos. A Pesquisa Nacional de Violência contra a Mulher, com dados de 2025, também identificou situações que permanecem fora da percepção espontânea das vítimas. No Tocantins, 34% das entrevistadas relataram experiências de violência nos 12 meses anteriores sem identificá-las como violência doméstica ou familiar, segundo a divulgação do Senado.
A antropóloga Beatriz Accioly explicou, em declaração pública, que a dificuldade de reconhecer a violência pode impedir a busca por proteção e acolhimento.
Para quem tem medo de procurar uma delegacia, o Ligue 180 oferece orientação sobre direitos e serviços de atendimento. O canal pode ser acionado pela própria mulher ou por familiares, amigos, vizinhos e outras pessoas que conheçam a situação.
A ligação é gratuita e o atendimento funciona 24 horas. Em situação de emergência ou risco imediato, o acionamento policial deve ser feito pelo 190.
A rede de proteção pode envolver saúde, assistência social, Defensoria Pública, atendimento policial e serviços especializados, conforme a estrutura de cada município.
O Diário Tocantinense mantém espaço aberto para a SSP, a Secretaria da Mulher, os serviços de atendimento e especialistas comentarem os indicadores e esclarecerem como funciona a proteção às vítimas.