Quinta do Agro: oferta curta faz boi gordo subir no Tocantins; arroba chega a R$ 368,00
O preço do boi gordo subiu no norte e no sul do Tocantins no levantamento de 27 de outubro da Scot Consultoria. A referência alcançou R$ 368 por arroba no norte e R$ 367 no sul, para pagamento em 30 dias. A menor disponibilidade de animais prontos para abate aparece nas análises do setor como um dos principais fatores de sustentação das cotações.
À vista, o boi gordo foi cotado a R$ 364 por arroba no norte tocantinense e a R$ 363 no sul. Os números são referências regionais de mercado e não representam preços obrigatórios ou ofertas individualizadas de todos os frigoríficos.
A valorização ocorre em um cenário de oferta limitada de animais terminados. Quando há menos boiadas disponíveis, os compradores encontram maior dificuldade para preencher a programação de abate. Essa necessidade reduz o espaço para negociar preços menores e fortalece a posição de vendedores que possuem animais no padrão exigido pela indústria.
O movimento não foi uniforme no país. Segundo a Scot, das 33 regiões acompanhadas em 27 de outubro, 21 mantiveram os preços do boi gordo e 12 registraram altas. O norte e o sul do Tocantins estavam entre as praças que apresentaram valorização.
A disponibilidade de machos para abate também foi destacada pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada, o Cepea. Em análise divulgada em 29 de outubro, os pesquisadores relacionaram a valorização mais intensa desses animais à oferta restrita observada desde o início do ano. O estudo trata do mercado paulista e ajuda a contextualizar o cenário nacional, sem substituir o levantamento específico do Tocantins.
As escalas dos frigoríficos são outro componente da formação dos preços. Uma indústria com poucos dias de abate programados tende a ter maior necessidade de comprar animais. Já uma unidade com programação mais confortável pode esperar ou apresentar propostas menores. Por isso, duas empresas da mesma região podem oferecer valores diferentes pelo mesmo tipo de lote.
No mercado nacional de 28 de outubro, o analista Fernando Henrique Iglesias, da Safras & Mercado, apontou escalas de abate, em grande parte, entre cinco e seis dias úteis. A avaliação foi reproduzida pelo Compre Rural e não deve ser interpretada como uma programação específica das unidades instaladas no Tocantins.
As fêmeas também apresentam diferenças regionais. Na tabela da Scot atualizada em 28 de outubro, às 18h, a novilha gorda aparece no norte do estado a R$ 349 por arroba à vista e R$ 353 para pagamento em 30 dias. No sul, as referências são R$ 346 à vista e R$ 350 a prazo. Esses valores são brutos, anteriores aos descontos indicados pela consultoria.
Para a vaca gorda, o levantamento de 27 de outubro apresenta R$ 346 por arroba à vista no norte e R$ 343,50 no sul. As datas precisam ser observadas: as referências apresentadas para boi e vaca são do dia 27, enquanto as da novilha são do dia 28.
A alta da arroba, entretanto, não significa aumento automático da rentabilidade da fazenda. Em entrevista ao Notícias Agrícolas, o consultor André Aguiar, da Boviplan, destacou que o encarecimento dos animais de reposição pode absorver parte do ganho obtido na venda do boi terminado. Assim, o preço recebido precisa ser analisado junto aos custos de produção.
O escoamento da carne também influencia a capacidade de compra da indústria. Mesmo diante da oferta curta de gado, frigoríficos precisam considerar quanto conseguem vender no mercado interno e nas exportações. A dificuldade de repassar aumentos aos compradores da carne pode limitar novos reajustes na aquisição de animais.
Embora a valorização tenha sido registrada na semana posterior à vitória de Lula, os levantamentos consultados não demonstram que o resultado eleitoral tenha causado a alta. As explicações apresentadas pelos analistas concentram-se na oferta de animais, na necessidade de compra das indústrias e na demanda por carne.
Quanto à vaca parida, não foi localizada cotação verificável para o norte e o sul do Tocantins nas fontes consultadas. Essa categoria não deve receber automaticamente o preço da vaca gorda destinada ao abate. Também não foram confirmadas tabelas de compra individualizadas por frigorífico no estado.