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“Ainda Estou Aqui”: Walter Salles ressurge com um drama poderoso sobre memória, dor e resiliência

“Ainda Estou Aqui”

O filme marca o retorno de Walter Salles à direção de cinema após um longo hiato das produções dramáticas. Seu último trabalho de destaque com tamanha magnitude foi Central do Brasil, indicado ao Oscar em 2001. Agora, com Ainda Estou Aqui, espera-se que o cineasta consiga novamente alcançar um apelo internacional.

O maior mérito de Ainda Estou Aqui está no respeito à obra homônima de Marcelo Rubens Paiva, que inspirou o filme. A narrativa não permite ao espectador escapar da emoção, do início ao fim. Na primeira parte do longa, somos imersos em um cenário típico da elite carioca da década de 1970: uma família grande e feliz, com o mar como quintal. Esse cotidiano, acolhedor e nostálgico, logo é abalado pelo sequestro do pai, Rubens Paiva, durante a ditadura militar. A partir daí, a dor e o sofrimento da família, que permanecem vivos até hoje, são explorados com maestria pelos roteiristas Murilo Hauser e Heitor Lorega, que traduzem a obra literária em uma experiência cinematográfica poderosa.

Se em Central do Brasil Walter Salles deu a Fernanda Montenegro o que muitos consideram “o papel de sua vida”, 25 anos depois, ele oferece a mesma oportunidade à filha da atriz, Fernanda Torres, no papel de Eunice Paiva. É um privilégio assistir à atuação de Torres, que combina minúcia e intensidade em uma performance vibrante. Ela rouba a cena na segunda metade do filme, dando vida a uma personagem marcada pela resiliência. Também se destacam Selton Mello, impecável como Rubens Paiva, e Valentina Herszage, que interpreta Vera com profundidade, retratando a complexidade das adolescentes prestes a se tornarem adultas na década de 1970.

A produção é um espetáculo à parte, com atenção meticulosa aos detalhes que recriam o período histórico de forma tão convincente que é difícil acreditar que o filme foi gravado nos dias de hoje. Desde os discos e carros até os figurinos e cenários, tudo contribui para a imersão. Um exemplo impactante é a sorveteria, cenário de duas cenas memoráveis. Na primeira parte, vemos a família inteira feliz, enquanto, na segunda, a sorveteria abriga uma família desfalcada, cercada por outras que ainda vivem a plenitude da felicidade. É neste contraste que a força de Eunice Paiva brilha: ela mantém a compostura para que seus filhos não desmoronem. Essa força culmina em um dos momentos mais emocionantes do filme, quando, mais de 20 anos depois, a certidão de óbito de Rubens Paiva é finalmente emitida. O reconhecimento do Estado brasileiro pelas tragédias da ditadura é selado quando Eunice, ao buscar a certidão, só consegue sorrir nas fotos.

O sorriso de Eunice, ao enfrentar as adversidades mais inimagináveis, simboliza a essência do filme: a capacidade humana de encontrar força e esperança mesmo diante das situações mais apocalípticas.

Nas cenas finais, vemos Fernanda Montenegro interpretando Eunice Paiva nos dias atuais. Mesmo com a personagem debilitada pelo Alzheimer, Montenegro entrega uma atuação complexa, emocionante e devastadora, sem precisar dizer uma única palavra. Esse momento final é um testemunho do talento inigualável da atriz e encerra o filme de forma memorável e arrebatadora.

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