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Área queimada no Tocantins cresce 160% em 2024, dobrando as interrupções de energia

Aquecimento global, ação humana e falhas na prevenção impulsionam queimadas no Tocantins e no Brasil, com impactos diretos na energia e na vida das comunidades.

O ano de 2024 expôs um dos maiores desafios ambientais e sociais do Tocantins e do Brasil: o aumento descontrolado das queimadas. No Tocantins, os números são alarmantes: 3.080.982 hectares de área queimada, um aumento de 160% em relação a 2023. Além dos danos ambientais, os incêndios florestais geraram impactos diretos no fornecimento de energia elétrica, com as interrupções dobrando de 102 para 211 casos em apenas um ano.

Araguaína liderou o ranking de ocorrências, com 25 interrupções, seguida de Divinópolis (22) e Tocantinópolis (17). Em setembro, mês marcado pelo decreto estadual de emergência, o número de interrupções por queimadas chegou a 102 — mais do que o total registrado ao longo de todo o ano anterior.

Impactos na energia e na sociedade

Maurício Zanina, gerente de Operação da Energisa, explica que as queimadas próximas à rede elétrica representam um risco contínuo para a distribuição de energia. “Não é necessário que as chamas encostem nos cabos para causar curtos-circuitos. O calor intenso e a fumaça podem gerar desligamentos que afetam residências, hospitais e escolas, ampliando os prejuízos para a população”, afirmou.

A zona rural, onde está instalada cerca de 90% da rede elétrica do estado, foi a mais afetada. Para minimizar os impactos, a Energisa intensificou a manutenção preventiva, com a limpeza de faixas e a poda de árvores próximas à rede.

Além disso, a empresa entregou seis unidades do sistema de comunicação via satélite Starlink ao Corpo de Bombeiros Militar do Tocantins (CBMTO), totalizando um investimento de R$ 54 mil. “Nosso objetivo é garantir segurança às equipes que atuam no combate ao fogo e tornar as ações mais eficazes em áreas remotas”, destacou Alankardek Moreira, diretor de relações institucionais da Energisa.

Cenário nacional: queimadas em alta

A crise no Tocantins reflete uma tendência nacional. Entre janeiro e outubro de 2024, o Brasil registrou um aumento de 78% nos focos de incêndio, com mais de 109.943 ocorrências. A Amazônia foi o bioma mais afetado, concentrando quase metade dos focos, seguida pelo Cerrado, que viu 9,4 milhões de hectares queimados, um aumento de 97% em relação ao ano anterior.

Especialistas, como o climatologista Carlos Nobre, apontam que a combinação de mudanças climáticas e ações humanas, como o desmatamento e queimadas ilegais, intensificam os incêndios. “A redução das chuvas, causada pelo El Niño e pelo aquecimento global, torna os biomas mais vulneráveis. Isso gera impactos que vão além da biodiversidade, afetando diretamente as comunidades e a economia local”, analisou Nobre.

Prevenção e educação

O governo estadual e a Defesa Civil do Tocantins lançaram o projeto Foco do Fogo, com o objetivo de sensibilizar a população sobre as queimadas. Em 2024, o programa alcançou mais de 15 mil pessoas em 71 municípios, incluindo ações em 382 escolas. Apesar dos esforços, propriedades particulares representaram quase metade (49,7%) da área total queimada no estado, evidenciando a necessidade de ampliar políticas de fiscalização e conscientização.

“A falta de recursos e de um planejamento nacional integrado prejudica o combate às queimadas. Precisamos de mais investimentos em prevenção, aliados a ações educativas e ao fortalecimento das comunidades locais”, destacou Mariana Abreu, pesquisadora do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM).

Um futuro incerto

O aumento das queimadas no Tocantins e no Brasil é um alerta de que o país precisa agir rapidamente para mitigar os impactos do aquecimento global e proteger seus biomas. Com o Cerrado e a Amazônia em risco, os danos não são apenas ambientais, mas sociais e econômicos, atingindo milhões de brasileiros.

Enquanto políticas públicas são debatidas, iniciativas como as da Energisa e do Comitê do Fogo mostram que a união entre empresas, governo e sociedade pode fazer a diferença na proteção do meio ambiente e na garantia de serviços essenciais como o fornecimento de energia.

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