Política

Operação Lava Jato prende Michel Temer e Moreira Franco

A prisão tem relação com a operação Radioatividade, que é um desmembramento da Lava Jato.

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  • Assessoria de Comunicação
  • 21 de março de 2019 (Atualizada em 21/03/2019 15:36:14)

O ex-presidente Michel Temer foi preso em São Paulo na manhã desta quinta-feira (21) pela força-tarefa da Lava Jato do Rio de Janeiro. O mandado de prisão foi expedido pelo juiz Marcelo Bretas, responsável pela operação na 7ª Vara pelo Rio de Janeiro, que também solicitou a prisão do ex-ministro Moreira Franco, do MDB. Foi preso também o coronel João Baptista Lima Filho, amigo de Temer. A Policia Federal (PF) cumpre, ao todo, 10 mandados de prisão.

Temer estava em São Paulo quando foi detido. Desde quarta-feira (20), a PF tentava rastrear e confirmar a localização do ex-presidente, mas não tiveram sucesso. Por isso, a operação que era prevista para as primeiras horas da manhã desta quinta-feira atrasou. Os agentes estavam na porta da casa de Temer ao perceberem a saída de um carro do local, o seguiram e realizaram a prisão.

Esta prisão tem relação com a operação Radioatividade, que é um desmembramento da Lava Jato, que apura o pagamento de propina nas obras de construção da Usina Nuclear de Angra 3. Michel já havia sido denunciado em dezembro do ano passado na Lava Jato, em um processo que corria no Supremo Tribunal Federal (STF) por lavagem de dinheiro e corrupção ativa e passiva, além de um caso envolvendo o setor portuário de Santos.

Com base na delação de José Antunes Sobrinho, dono da Engevix. O empresário disse à Polícia Federal que pagou R$ 1 milhão em propina, a pedido do coronel João Baptista Lima Filho, do ex-ministro Moreira Franco e com o conhecimento do presidente Michel Temer. Esse foi o contrato fechado pela Engevix no projeto da usina de Angra 3.

Segundo o Ministério Público Federal (MPF), a Engevix foi subcontratada porque as empresas que haviam vencido a licitação não tinham "pessoal e expertise suficientes para a realização dos serviços". Os vencedores eram a AF Consult do Brasil e a Argeplan, empresa do coronel Lima. "No curso do contrato, conforme apurado, o coronel Lima solicitou ao sócio da empresa Engevix o pagamento de propina, em benefício de Michel Temer", diz nota do MPF.

A força-tarefa da Lava Jato diz que a propina foi paga no final de 2014 com transferências totalizando R$ 1,09 milhão da empresa Alumi Publicidades para a empresa PDA Projeto e Direção Arquitetônica, controlada pelo coronel Lima. As empresas fizeram contratos fictícios para justificar as operações financeiras.

As investigações apontam que os pagamentos feitos à empresa AF Consult do Brasil causaram o desvio de R$ 10,8 milhões, ao se levar em conta que a empresa não tinha capacidade técnica para cumprir o contrato.

Ao deixar a Presidência, em janeiro deste ano, Michel perdeu o direito ao foro privilegiado e seus processos foram remetidos para a primeira instância. O ex-presidente tem ao menos outras cinco investigações abertas.

Em São Paulo, Temer foi levado para o Aeroporto de Guarulhos, onde embarcou em um voo para o Rio de Janeiro em um avião da Polícia Federal. Ele irá ficar na unidade da Polícia Militar de Niterói, na região metropolitana do Rio. A prisão é preventiva, isto é, sem prazo determinado, apenas os mandados contra Rodrigo Castro Alves Neves e Carlos Jorge Zimmermann são de prisão temporária, com duração de cinco dias, que pode ser prorrogada.

Na sentença, o juiz Marcelo Bretas disse que as prisões preventivas são necessárias para garantir a ordem pública. Segundo ele, "uma simples ligação telefônica ou uma mensagem instantânea pela internet são suficientes para permitir a ocultação de grandes somas de dinheiro, como parece ter sido o caso".

Agentes também cumprem 26 mandados de busca e apreensão no Rio de Janeiro, em São Paulo, no Paraná e no Distrito Federal.

O MDB, partido do ex-presidente, divulgou uma nota. "O MDB lamenta a postura açodada da Justiça à revelia do andamento de um inquérito em que foi demonstrado que não há irregularidade por parte do ex-presidente da República, Michel Temer, e do ex-ministro Moreira Franco. O MDB espera que a Justiça restabeleça as liberdades individuais, a presunção de inocência, o direito ao contraditório e o direito de defesa", diz o texto.

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