📍 Por Ricardo Fernandes | Redação | Tocantinense
O Circuito Cultural Tocantinense está movimentando o cenário artístico e patrimonial do estado. Com investimentos vindos da Lei Paulo Gustavo, que destinou cerca de R$ 35 milhões ao Tocantins, o projeto ganhou fôlego para descentralizar as ações culturais e fortalecer a identidade regional.
Municípios como Colinas do Tocantins, Natividade, Porto Nacional e Mateiros agora recebem programações que envolvem teatro, dança, música, oficinas e exposições, com foco na valorização dos talentos locais e na recuperação de espaços históricos.
Especialistas destacam transformação cultural no interior
Para a professora e pesquisadora cultural Márcia Dias, da UFT, o circuito representa mais do que eventos: “Estamos falando da revitalização da memória coletiva. Ao promover atividades culturais em cidades fora dos grandes centros, estamos devolvendo às comunidades o direito de contar sua própria história”, afirma.
Segundo o produtor e gestor cultural João Cláudio de Sousa, um dos articuladores da iniciativa, o circuito “ajuda a criar novos públicos, valoriza artistas locais e fortalece a economia criativa, que muitas vezes é invisibilizada no interior”.
Redescobrindo o patrimônio: locais tombados ganham vida nova
Um dos pilares do circuito é a descoberta e valorização de patrimônios históricos e culturais. Em Colinas do Tocantins, por exemplo, parte dos recursos está sendo usada para revitalizar a antiga Estação Ferroviária, ponto emblemático da cidade, que agora abriga apresentações culturais, feiras e mostras de cinema.
Em Natividade, a restauração de casarões e igrejas do período colonial tem atraído olhares de pesquisadores e turistas. Já em Mateiros, a conexão entre cultura e natureza nos arredores do Jalapão traz um novo olhar sobre a tradição quilombola.
Colinas do Tocantins: arte, cultura e fé na agenda da cidade
Colinas se destaca como um dos principais polos do circuito cultural. A cidade tem recebido apresentações teatrais ao ar livre, mostras de cinema regional e rodas de conversa sobre a história local. A Casa de Cultura passou a oferecer oficinas gratuitas de música, artesanato e literatura, com inscrições abertas para jovens e adultos.
Em abril, o calendário inclui o Festival da Palavra e da Música, que une talentos da cidade e artistas convidados em três dias de programação gratuita, no coração da cidade. A data coincide com o aniversário do município (21/04), reforçando o orgulho local.
Lei Paulo Gustavo: fomento histórico à cultura tocantinense
A Lei Complementar nº 195/2022, conhecida como Lei Paulo Gustavo, foi criada para mitigar os impactos da pandemia no setor cultural. No Tocantins, mais de 500 projetos foram contemplados, abrangendo áreas como audiovisual, artes cênicas, literatura e cultura popular.
A verba enviada ao estado vem sendo usada não apenas em eventos pontuais, mas na estruturação de espaços permanentes, compra de equipamentos e capacitação de agentes culturais.
Cultura que transforma: legado para além dos palcos
O Circuito Cultural Tocantinense é mais que uma programação temporária. Trata-se de um movimento que reconecta o povo à sua história, promove a arte como linguagem de resistência e oferece oportunidades para novos talentos florescerem longe dos grandes centros.
Com os olhos voltados para o futuro, especialistas, artistas e gestores esperam que o legado da Lei Paulo Gustavo e do circuito se transforme em política pública contínua, garantindo que a cultura continue viva e acessível em todos os cantos do Tocantins.
Uma cena cultural que pulsa no coração do Tocantins
O Circuito Cultural Tocantinense tem provado que cultura não é luxo, é direito e identidade. Em cada canto do estado, dos centros urbanos aos povoados mais afastados, a arte está ganhando voz, cor e espaço. Com os recursos da Lei Paulo Gustavo, foi possível ampliar horizontes, reacender tradições e inaugurar um novo tempo, onde o interior não fica mais à margem, mas assume o protagonismo da cena cultural tocantinense.
A expectativa agora é que essa movimentação continue crescendo, com políticas públicas duradouras, valorização dos agentes culturais locais e a manutenção dos espaços conquistados. Se depender da força criativa e da paixão do povo tocantinense, os novos palcos recém-abertos não se fecharão tão cedo.
“A cultura é a alma de um povo. E agora, essa alma está cantando mais alto”, resume a artista popular colinense, Maria das Dores, uma das participantes do circuito.
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