Sífilis no Tocantins: 630 casos confirmados em 2025, 75% entre gestantes
O avanço da sífilis no Tocantins em 2025 espelha uma preocupação nacional. Segundo levantamento divulgado pelo Portal AF, o Estado já registrou 630 casos da infecção até setembro deste ano, sendo 469 em gestantes (75%) e 161 de sífilis congênita. Embora o número represente queda em relação a 2024, quando foram notificados 923 casos em gestantes e 404 de sífilis congênita, os indicadores ainda apontam para a persistência da transmissão vertical, que ocorre quando a doença passa da mãe para o bebê durante a gravidez.
O cenário levou o Governo do Tocantins a intensificar ações de conscientização com a campanha Outubro Verde, que reforça medidas de prevenção, diagnóstico e tratamento gratuito na rede pública.
Um problema nacional de saúde pública
O Tocantins não é caso isolado. Dados do Ministério da Saúde mostram que o Brasil notificou, em 2023, mais de 230 mil casos de sífilis adquirida e quase 80 mil em gestantes. A sífilis congênita também se mantém em níveis preocupantes, com mais de 35 mil registros anuais no país.
O crescimento está relacionado a múltiplos fatores: baixa adesão ao uso de preservativos, falhas na testagem pré-natal, dificuldades de acesso em áreas remotas e a necessidade de maior engajamento dos parceiros no tratamento.
No Norte e Nordeste, regiões que concentram maiores desafios estruturais de saúde, o impacto da doença é ainda mais grave. Tocantins, por estar no eixo de transição entre os dois blocos regionais, enfrenta obstáculos semelhantes: populações rurais distantes, escassez de profissionais em municípios menores e dificuldade de manter fluxos regulares de diagnóstico e acompanhamento.
Ações locais e a Linha de Cuidados
Em setembro de 2025, o Estado regulamentou a Linha de Cuidados para pessoas com sífilis (Resolução nº 593), estabelecendo protocolos para diagnóstico, tratamento e acompanhamento integral de adultos, gestantes e crianças. O secretário estadual da Saúde, Vânio Rodrigues, destacou que a iniciativa busca reduzir a mortalidade e a morbidade associadas à doença.
Especialistas alertam que o envolvimento dos parceiros sexuais é decisivo. Se apenas a gestante recebe tratamento, o risco de reinfecção permanece alto, comprometendo a saúde do bebê. Por isso, a recomendação da SES-TO é que todos os parceiros sejam testados e tratados.
Sífilis: sintomas, prevenção e tratamento
A doença, causada pela bactéria Treponema pallidum, pode se manifestar em quatro estágios:
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Primária: ferida indolor nos genitais, boca ou ânus.
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Secundária: manchas na pele e ínguas.
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Latente: ausência de sintomas, mas com risco de transmissão.
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Terciária: comprometimento de órgãos vitais, com consequências neurológicas e cardiovasculares.
A prevenção continua centrada no uso regular de preservativos e na ampliação da testagem rápida, oferecida em unidades de saúde e Centros de Testagem e Aconselhamento (CTA). O tratamento é feito com penicilina, fornecida pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
Desafios para o Tocantins e para o Brasil
Apesar dos avanços, o Brasil ainda enfrenta um paradoxo: dispõe de diagnóstico rápido, tratamento eficaz e gratuito, mas convive com números crescentes de casos. No Tocantins, o desafio passa pela capilaridade da rede de atenção básica e pela adesão da população às medidas preventivas.
A sífilis congênita, que poderia ser evitada com acompanhamento adequado do pré-natal, segue como indicador sensível da falha coletiva no enfrentamento da doença. No plano nacional, especialistas defendem campanhas mais permanentes, integradas a políticas de saúde sexual e reprodutiva.
“O combate à sífilis é um esforço coletivo. Informação, acesso ao diagnóstico e tratamento imediato são ferramentas que o Brasil já possui. O que precisamos é garantir cobertura ampla, especialmente para mulheres em idade fértil e seus parceiros”, avalia o enfermeiro Tobias Saraiva, do setor de IST da SES-TO.