Saúde em alerta: entenda o que causa a queda do ácido úrico e o que ela revela sobre o corpo
Ao contrário do que muita gente pensa, o ácido úrico não é apenas um “vilão” associado à gota e ao excesso de proteínas na dieta. Quando seus níveis estão abaixo do normal no sangue, o quadro também merece atenção, já que pode indicar desde deficiências nutricionais até doenças graves relacionadas ao fígado, aos rins ou ao sistema metabólico.
O que é o ácido úrico?
O ácido úrico é uma substância produzida naturalmente pelo corpo a partir da quebra de purinas — compostos encontrados em alimentos como carnes vermelhas, frutos do mar, vísceras, leguminosas e bebidas alcoólicas. Ele é filtrado pelos rins e normalmente eliminado pela urina. Seus níveis são medidos por exame de sangue e, eventualmente, exame de urina.
Os valores de referência variam entre laboratórios, mas em geral, considera-se baixo quando está abaixo de:
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2,0 mg/dL para mulheres
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3,0 mg/dL para homens
Possíveis causas do ácido úrico baixo
Especialistas apontam que a queda acentuada dessa substância no organismo pode estar associada a seis principais fatores:
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Deficiência de zinco ou proteínas
Dietas pobres em proteínas ou micronutrientes como zinco e vitamina B12 podem afetar o metabolismo das purinas, reduzindo a produção de ácido úrico. -
Doenças hepáticas
O fígado é fundamental no processamento dos compostos que originam o ácido úrico. Doenças como hepatite, cirrose e insuficiência hepática podem levar à queda dos níveis. -
Uso contínuo de medicamentos
Remédios diuréticos, alopurinol (usado para tratar gota) e alguns fármacos para tratamento de câncer podem reduzir a produção ou acelerar a excreção. -
Alterações renais
Excesso de filtração ou disfunções da reciclagem renal podem aumentar a eliminação do ácido úrico de forma anormal. -
Doenças metabólicas e genéticas
A síndrome de Fanconi e a doença de Wilson, por exemplo, afetam a regulação metabólica e estão ligadas a casos de hipouricemia (níveis muito baixos de ácido úrico). -
Prática esportiva intensa e desidratação crônica
Em atletas ou pessoas submetidas a extremo esforço físico sem adequada reposição de líquidos, pode haver queda transitória, mas isso não costuma representar risco clínico grave.
Sinais de alerta e quando procurar ajuda
Embora a hipouricemia (ácido úrico baixo) possa ser assintomática, há relatos de:
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Fraqueza muscular
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Queda de imunidade
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Arritmias cardíacas
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Alterações hormonais
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Fadiga persistente
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Dores musculares e articulares leves
Quando os níveis estão persistentemente baixos, é recomendável investigação clínica, com exames complementares de função hepática, renal, vitamínica e hemograma completo.
Como tratar ou prevenir?
O tratamento não é único: depende da causa. Em geral, inclui:
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Reforço alimentar com proteínas magras e alimentos ricos em zinco e ferro (como ovos, nozes, carnes brancas, leguminosas)
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Hidratação adequada
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Revisão de medicamentos com acompanhamento médico
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Exames regulares de função hepatorrenal
Entrevista sugerida
“Apesar de a maioria das pessoas ouvir falar do ácido úrico como problema ligado ao excesso, níveis baixos também devem ser investigados. Eles podem sinalizar desde dietas restritivas até doenças hepáticas sérias”, explica o reumatologista Dr. Henrique Alvim.
A recomendação médica é sempre a mesma: não se automedicar, não fazer restrições alimentares sem orientação e realizar check-ups periódicos.