FAET aciona Procon após alta no preço do diesel em municípios do Tocantins

FAET aciona Procon após alta no preço do diesel em municípios do Tocantins
Fernanda CappellessoPor Fernanda Cappellesso 18 de março de 2026 8

Federação pede monitoramento e fiscalização após identificar variações expressivas no valor do combustível em 172 postos do estado

A Federação da Agricultura e Pecuária do Estado do Tocantins (FAET) acionou o Procon Tocantins após identificar variações expressivas no preço do óleo diesel em diferentes municípios do estado. A entidade protocolou um ofício solicitando o monitoramento e a fiscalização da evolução dos valores praticados no mercado local, diante de um cenário de dispersão de preços e do recente corte de tributos federais sobre o combustível.

Segundo a federação, a medida foi tomada após um levantamento técnico apontar oscilações relevantes no valor do diesel comum e do diesel S10, combustíveis considerados estratégicos para o agronegócio e para a logística do Tocantins.

Levantamento analisou 172 postos em diferentes municípios

De acordo com a FAET, a análise considerou dados de 172 postos de combustíveis distribuídos em municípios tocantinenses. O estudo reuniu pesquisas divulgadas pelo próprio Procon/TO e informações de campo levantadas pelos Sindicatos Rurais em diversas regiões do estado.

O objetivo foi avaliar o comportamento dos preços da gasolina, do etanol e, principalmente, do óleo diesel, insumo com impacto direto sobre o custo de produção no campo, o transporte de insumos, a operação de máquinas agrícolas e o escoamento da safra.

A federação afirma que o levantamento identificou dispersões relevantes de preços entre municípios e também entre postos localizados em uma mesma cidade. Além disso, relatos colhidos pelos sindicatos apontaram situações pontuais de elevação dos valores em curto intervalo de tempo.

Entidade cita desoneração federal e cobra acompanhamento local

A FAET argumenta que o acompanhamento do mercado se torna ainda mais necessário após a publicação do Decreto nº 12.875/2026, que zerou as alíquotas de PIS/Pasep e Cofins sobre o diesel, eliminando a tributação federal que incidia sobre o combustível.

Na avaliação da entidade, a redução dos tributos federais exige maior atenção sobre a dinâmica de formação de preços no estado, especialmente para verificar se a desoneração está sendo efetivamente repassada ao consumidor final.

Em paralelo, a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) já havia encaminhado ao Ministério da Fazenda um pedido de redução temporária dos tributos federais sobre o diesel, apontando os impactos da alta do combustível sobre os custos da produção agropecuária e sobre a economia nacional.

Diesel é insumo central para o agro tocantinense

A federação ressalta que o óleo diesel está entre os principais insumos operacionais do setor agropecuário. O combustível é utilizado em tratores, colheitadeiras, caminhões e em toda a cadeia logística do campo, o que faz com que qualquer variação relevante no preço tenha efeito direto sobre a competitividade da produção rural.

Para o presidente da FAET, Paulo Carneiro, a solicitação ao Procon busca garantir transparência e acompanhamento técnico do mercado diante das mudanças tributárias recentes.

“A FAET solicita ao Procon/TO o monitoramento e a fiscalização da evolução dos preços do óleo diesel no Estado do Tocantins, especialmente após a adoção das medidas federais de desoneração tributária recentemente anunciadas”, afirmou.

Relatório técnico foi encaminhado ao órgão

A FAET informou que encaminhou ao Procon um relatório técnico com os dados consolidados no estado e disse que permanece à disposição para colaborar com informações complementares que possam contribuir com o acompanhamento da evolução dos preços no mercado de combustíveis.

A movimentação da entidade ocorre em um momento em que o custo do diesel segue no centro das preocupações do setor produtivo, especialmente em um estado com forte dependência da logística rodoviária e da atividade agropecuária.

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