De Olho na Política: Dorinha consolida bloco mais robusto, Wanderlei entra no mesmo eixo e 2026 aperta Amélio, Cinthia, Vicentinho e o novo Podemos

Dorinha passa a concentrar o bloco político mais encorpado do Tocantins, e Wanderlei já orbita o mesmo campo

O movimento mais consistente do momento gira em torno de Professora Dorinha. O ato marcado para 27 de marçodeixou de ser apenas agenda partidária e passou a funcionar como demonstração prática de força, ao reunir sinais cada vez mais claros de convergência entre União Brasil, PL, PP, PRD, Cidadania, Republicanos e aliados. A entrada do Republicanos no desenho elevou o peso da articulação, porque a legenda está diretamente conectada ao Palácio. E, como Wanderlei Barbosa comanda o partido no Estado, a leitura de bastidor se tornou quase inevitável: o governador já aparece no mesmo eixo político de Dorinha, ainda que o anúncio formal siga condicionado ao tempo da política e ao cálculo do Palácio.
Amélio entrou no jogo, mas o espaço ficou mais estreito — e agora precisa ouvir mais do que falar

Amélio Cayres voltou a se colocar no radar ao defender estabilidade institucional e admitir, de forma mais aberta, que discute um projeto majoritário para 2026. O problema é que essa movimentação ocorre justamente no momento em que o tabuleiro interno do Republicanos se estreita. Com Dorinha avançando e Wanderlei cada vez mais inclinado a caminhar no mesmo campo, o recado político para Amélio ficou mais duro: não basta vontade, é preciso lastro. Se insistir em projeto individual sem calibrar o grupo, corre o risco de trocar protagonismo por isolamento. Em 2026, ego sem composição vira ativo desvalorizado.
PRD cresce acima do esperado e vira peça estratégica no jogo estadual e nacional

O PRD passou a valer mais do que parecia há poucos meses. No plano nacional, a sigla é presidida por Marcus Vinícius
, conforme registro do TSE. No Tocantins, o partido ganhou relevância porque entra no ciclo de 2026 com margem de negociação, liberdade de composição e potencial de servir como abrigo para candidaturas competitivas. Walter Viana já indicou alinhamento com o Solidariedade na montagem das chapas, enquanto Vilmardesponta como nome de mandato dentro da nominata estadual. Em ano de chapa apertada, legenda de porte médio com flexibilidade real deixa de ser coadjuvante e passa a ser moeda política.
Eduardo Gomes ganha densidade, Cláudia Lelis se fortalece na federação e Marcelo segue como articulador de alta circulação

Eduardo Gomes chega mais forte ao tabuleiro de 2026 porque reúne aquilo que ainda faz diferença na política real: voto, estrutura, prefeitos, bancada e entrega concreta. Nos bastidores, a síntese sobre ele é objetiva: cresce porque entrega. Sua atuação recente com destinação de recursos para municípios reforçou a imagem de senador que mantém presença institucional e musculatura eleitoral. No mesmo campo, Cláudia Lelis segue se consolidando como um dos nomes mais fortes da federação, ao lado de Ivory de Lira, preservando capilaridade e presença de mandato. Já Marcelo Lelis, de volta ao Meio Ambiente, mantém o papel de articulador técnico-político, com trânsito no governo, no setor produtivo e em áreas estratégicas do agro. Não é figura de vitrine, mas segue sendo peça de engrenagem.
Santana precisa sair da nostalgia política e entrar na mesa real das composições

Depois da passagem pela Prefeitura de Colinas e da biografia ligada ao ciclo constituinte, Santana chega a um ponto decisivo: ou transforma capital histórico em ativo político negociável, ou vira apenas referência de passado. O momento exige menos memória e mais método. Em vez de insistir em uma lógica local ou identitária, ele precisa migrar para a zona onde 2026 será de fato decidido: a das composições. Se sentar à mesa, pode voltar a ser peça útil. Se insistir em caminhar sozinho, corre o risco de virar lembrança respeitável, mas sem influência prática.
Eduardo do Dertins continua valioso no mercado político e já sinaliza alinhamento com Dorinha

Eduardo do Dertins segue tratado nos bastidores como ativo competitivo. Ao afirmar que analisa o futuro partidário e que não entrará em “chapa inviável”, ele enviou um recado claro ao mercado político: não pretende desperdiçar capital eleitoral. Paralelamente, as leituras de bastidor indicam busca por uma nova sigla alinhada ao campo de Dorinha, o que reforça a percepção de que seu destino político tende a convergir para o bloco mais competitivo do momento. Ainda não cravou o partido, mas já deixou nítido o critério: viabilidade antes de fidelidade nominal.
Vicentinho Júnior joga fechado; Cinthia Ribeiro ainda procura pouso e perdeu centralidade

Vicentinho Júnior assumiu o comando do PSDB, colocou-se como pré-candidato ao governo e adotou uma estratégia clássica de quem quer preservar margem de manobra: falar pouco, mostrar menos ainda e segurar nomes até a hora certa. O movimento é calculado. Ele trabalha com reserva, evita expor todas as cartas e tenta manter o valor político do mistério. Já Cinthia Ribeiro vive o cenário oposto. Sem o comando tucano e sem um novo endereço partidário consolidado, ela ainda procura um espaço viável dentro do rearranjo estadual. No resumo mais cru do bastidor: Vicentinho opera no silêncio; Cinthia opera na incerteza.
Eduardo Siqueira fecha o Podemos com gente da própria cozinha, e Carlos Júnior assume a trincheira metropolitana

A reorganização do Podemos ganhou um braço decisivo em Palmas com a chegada de Carlos Júnior ao comando da Comissão Metropolitana. Homem de confiança de Eduardo Siqueira Campos e secretário-chefe do Gabinete do prefeito, ele assume a estrutura partidária da capital no mesmo momento em que Eduardo consolida o comando estadual da legenda. O gesto é político e organizacional: não se trata apenas de ocupar espaço, mas de montar o partido com gente de absoluta confiança. Em tradução direta: Eduardo não está terceirizando o Podemos; está internalizando o controle.
Resumo do momento: Dorinha concentra gravidade, Wanderlei se aproxima, e 2026 já cobra maturidade de quem ainda age como se tivesse tempo
O quadro de hoje é objetivo: Dorinha concentra o bloco mais robusto do Estado; Wanderlei já aparece na órbita desse centro de gravidade; Eduardo Gomes ganha musculatura; o PRD sobe de valor; Cláudia Lelis preserva força; Vicentinho trabalha em silêncio; Cinthia ainda busca pouso; e Amélio entra na fase em que vontade pessoal já não basta.
A eleição de 2026, no Tocantins, começa a deixar um recado cada vez mais duro para quem ainda não entendeu o novo ambiente: não será a eleição de quem quer mais — será a eleição de quem compõe melhor.
E, em política, quem demora a ouvir o grupo costuma perder espaço antes mesmo da largada oficial.