5 hábitos simples que podem reduzir a conta de água e evitar desperdício no Tocantins

5 hábitos simples que podem reduzir a conta de água e evitar desperdício no Tocantins
Fernanda CappellessoPor Fernanda Cappellesso 1 de abril de 2026 1

No mês em que o debate sobre preservação dos recursos hídricos volta ao centro das discussões, uma conta que pesa no bolso e um problema que pressiona o meio ambiente se encontram no mesmo ponto: o desperdício de água dentro de casa. Em um cenário em que o consumo doméstico ainda carrega hábitos automáticos, quase sempre invisíveis no dia a dia, concessionárias e especialistas voltam a insistir em uma tese direta: pequenas mudanças de rotina têm efeito concreto tanto na fatura quanto na preservação de um recurso cada vez mais estratégico.

No Tocantins, a BRK reforça neste início de abril a importância do consumo consciente de água e chama atenção para um ponto que, embora pareça básico, ainda é negligenciado por grande parte da população: economizar água não depende apenas de grandes obras, políticas públicas ou períodos de estiagem. Em muitos casos, a mudança começa em casa, no tempo do banho, no uso da mangueira, na forma de lavar louça, no reaproveitamento da água e até na leitura do hidrômetro.

O tema ganha relevância extra porque a água, apesar da sensação de abundância, está longe de ser um recurso ilimitado. Dados da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) mostram que 97,5% da água do planeta é salgada, imprópria para consumo direto e para a maior parte dos usos cotidianos. Dos 2,5% de água doce, a maior parte está concentrada em geleiras e aquíferos subterrâneos; apenas uma fração mínima está efetivamente disponível em rios e lagos para uso imediato. A própria ANA destaca que, desse total de água doce, somente cerca de 1% está nos rios, o que ajuda a dimensionar por que o uso racional do recurso deixou de ser apenas um discurso ambiental e passou a integrar a agenda de segurança hídrica.

A discussão não é abstrata. Ela afeta diretamente o orçamento das famílias e a sustentabilidade dos sistemas de abastecimento. Em termos práticos, atitudes repetidas diariamente somam milhares de litros desperdiçados ao fim do mês. Um dos exemplos mais conhecidos — e ainda assim muito ignorado — está na cozinha. Ensaboar a louça com a torneira fechada, por exemplo, reduz drasticamente o volume gasto em uma tarefa rotineira. O mesmo vale para banhos mais curtos, torneiras bem fechadas, correção de vazamentos e uso mais inteligente da água já utilizada em outras atividades domésticas.

A BRK orienta que o primeiro passo para quem quer entender e controlar melhor o consumo é observar o hidrômetro, equipamento instalado na entrada do imóvel e que registra, em tempo real, o volume utilizado. A recomendação tem lógica: quando a leitura do hidrômetro passa a fazer parte da rotina, o morador consegue identificar alterações fora do padrão, suspeitar de vazamentos e acompanhar se o comportamento da casa mudou ao longo do mês. Em períodos de aumento repentino da conta, esse monitoramento costuma ser o indício mais rápido de que algo saiu do controle.

Além disso, o desperdício nem sempre está no uso ostensivo da água. Muitas vezes, ele aparece em pequenas perdas contínuas, quase imperceptíveis. Um chuveiro pingando, uma boia desregulada na caixa d’água, uma torneira com vedação comprometida ou uma mangueira usada por tempo além do necessário criam um efeito silencioso: poucos litros por vez, mas um volume expressivo ao final de semanas e meses.

O diretor de Operações da BRK no Tocantins, Bruno Gravatá, afirma que a lógica do consumo consciente depende menos de ações extraordinárias e mais de disciplina cotidiana. Segundo ele, quando práticas simples entram na rotina, o impacto coletivo se torna relevante. “Cada cidadão tem um papel fundamental nesse processo. Quando entendemos que a preservação da água começa dentro de casa, conseguimos construir resultados duradouros para toda a comunidade”, afirma.

Entre os hábitos mais recomendados está o reaproveitamento da água em tarefas domésticas. A água usada para lavar frutas e verduras, por exemplo, pode ser direcionada para regar plantas. Já a água descartada pela máquina de lavar roupas pode ser reaproveitada na limpeza de quintais, calçadas e áreas externas, desde que usada com cuidado e em condições adequadas. A prática não resolve sozinha o problema do desperdício, mas reduz a pressão sobre o consumo diário e ajuda a formar uma cultura doméstica mais eficiente.

Outro ponto que costuma passar despercebido é o uso recreativo da água, especialmente em períodos de calor. No caso das piscinas infláveis, por exemplo, a orientação é evitar a troca completa da água a cada uso. Com capa, limpeza adequada e manutenção mínima, a água pode ser reutilizada por alguns dias, reduzindo desperdício sem inviabilizar o lazer. A recomendação também inclui educação dentro de casa: ensinar crianças a lidar com a água como recurso finito ajuda a transformar o consumo consciente em hábito geracional, e não apenas em resposta pontual a campanhas de conscientização.

A caixa d’água também entra nessa equação. Manter reservatórios compatíveis com o número de moradores e em boas condições de vedação, limpeza e funcionamento ajuda a evitar perdas, melhora a previsibilidade do abastecimento e permite controle mais preciso do uso. Em imóveis com reservatórios subdimensionados, o desperdício pode aparecer tanto pela necessidade de reposições mais frequentes quanto por falhas operacionais e extravasamentos.

A preocupação com a água deixou de ser apenas um debate de escassez em regiões historicamente críticas. Ela já aparece no centro da discussão global sobre clima, produção de alimentos e sustentabilidade urbana. Em janeiro deste ano, a ONU voltou a alertar para o agravamento da pressão sobre os recursos hídricos e lembrou que cerca de 70% das retiradas globais de água doce são destinadas à agricultura, o que amplia a disputa por disponibilidade hídrica em um contexto de mudanças climáticas, crescimento populacional e eventos extremos mais frequentes.

No Brasil, embora o país concentre cerca de 12% da água doce disponível do planeta, a distribuição é desigual, e isso desmonta a ideia de abundância automática. A própria ANA já destacou que a maior parte da água doce brasileira está concentrada em regiões de menor densidade populacional, enquanto áreas mais urbanizadas convivem com pressão crescente sobre mananciais, perdas na distribuição e consumo acima do ideal.

É justamente por isso que campanhas de uso consciente continuam tendo valor estratégico, mesmo em estados onde não há crise de abastecimento instalada. O objetivo não é apenas evitar desperdício imediato. É reduzir pressão sobre o sistema, conter gastos desnecessários nas residências, estimular monitoramento do consumo e criar um padrão de comportamento mais compatível com um cenário em que água potável passou a ser tratada, cada vez mais, como ativo crítico.

No fim, a equação é simples: menos desperdício significa conta menor, menor pressão sobre o abastecimento e mais previsibilidade para as famílias. E, embora pareça um tema repetido, ele continua atual porque o problema também continua sendo repetido dentro de casa. O banho que passa do tempo, a torneira aberta sem necessidade, a água limpa descartada sem reaproveitamento e o hidrômetro ignorado formam, juntos, uma conta que pesa duas vezes — no bolso e no futuro.

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