Governo Wanderlei abre dança das cadeiras para 2026 e já inicia trocas no primeiro escalão no Tocantins

Governo Wanderlei abre dança das cadeiras para 2026 e já inicia trocas no primeiro escalão no Tocantins
Fernanda CappellessoPor Fernanda Cappellesso 1 de abril de 2026 7

O Palácio Araguaia entrou oficialmente em modo eleitoral. A partir desta quarta-feira, 1º de abril, o governo de Wanderlei Barbosa começou a executar uma movimentação que, nos bastidores, já era dada como inevitável: a saída de auxiliares estratégicos da estrutura do Executivo para cumprimento dos prazos de desincompatibilização e preparação das candidaturas de 2026. O que parecia apenas uma adequação administrativa virou, na prática, a largada institucional da disputa eleitoral dentro da própria máquina pública. O Diário Oficial do Estado já confirmou parte das exonerações e nomeações, e a tendência é de que novas mudanças sejam publicadas nos próximos dias, consolidando uma reconfiguração política no núcleo do governo.

A base jurídica que acelera essa movimentação é o calendário eleitoral. O Tribunal Superior Eleitoral reforçou que, para algumas funções públicas, o prazo de afastamento se encerra em 4 de abril, exatamente seis meses antes do primeiro turno das eleições gerais de 2026. O próprio TSE destacou, em comunicado oficial, que ocupantes de determinados cargos precisam observar a desincompatibilização dentro desse marco, sob risco de inviabilizar candidaturas. Isso ajuda a explicar por que o Tocantins amanheceu em clima de substituição, reorganização e corrida contra o relógio dentro do governo estadual.

Entre os nomes mais relevantes que deixam o tabuleiro do Executivo estão figuras que já vinham sendo tratadas como pré-candidaturas competitivas da base governista. Pelo Republicanos, saem o secretário da Educação, Fábio Vaz, cotado para disputar uma vaga de deputado federal; o secretário dos Esportes e Juventude, Atos Gomes, também no radar para a Câmara dos Deputados; e o então comandante-geral da Polícia Militar do Tocantins, Márcio Antônio Barbosa de Mendonça, outro nome com projeto federal. Na corrida por vagas na Assembleia Legislativa, aparecem a secretária de Estado da Governadoria, Kátia Chaves; o secretário extraordinário de Políticas de Governo Descentralizadas, Wellington Ferreira de Medeiros, o Pastor Wellington; e o secretário executivo da Indústria, Comércio e Serviços, Elenil da Penha. Trata-se de um grupo com peso político, capilaridade regional e capacidade de reorganizar as chapas proporcionais do campo governista.

Pela base aliada, mas em outra legenda, o União Brasil também entra no movimento. Devem deixar seus postos o presidente da Fundação de Amparo à Pesquisa do Tocantins, Adriano Rodrigues, com perspectiva de disputar vaga de deputado estadual, e o secretário extraordinário de Ações Governamentais, Lázaro Botelho, nome já tratado como competitivo para a Câmara Federal. A leitura que circula no meio político é clara: Wanderlei Barbosa começou a desmontar parte da estrutura eleitoral de 2026 para remontá-la em novo formato, preservando a governabilidade imediata, mas liberando peças com densidade eleitoral para a rua.

Os primeiros atos oficiais já apareceram. Na edição do Diário Oficial do Estado publicada nesta semana, o governo formalizou a exoneração, a pedido, de Márcio Antônio Barbosa de Mendonça do cargo de comandante-geral da Polícia Militar do Tocantins, com efeito em 31 de março. Na mesma linha, também foi publicada a exoneração, a pedido, de Lázaro Botelho Martins do cargo de secretário extraordinário de Ações Governamentais, com efeito a partir de 1º de abril. Os dois atos confirmam que a dança das cadeiras não é mais especulação de bastidor: ela começou oficialmente e tem calendário.

Ao mesmo tempo, o governo já iniciou a recomposição dos espaços deixados. Em nova edição do Diário Oficial, foi publicada a nomeação de Cláudio Thomaz Coelho de Souza para o comando-geral da PMTO, a partir de 1º de abril. No mesmo pacote, o Palácio também nomeou Dosautomista Honorato de Melo para a chefia do Estado-Maior da corporação e Jaime Porfírio de Souza para a subchefia do Estado-Maior. A escolha revela um padrão típico de anos eleitorais: preservar a continuidade administrativa enquanto o núcleo político se reposiciona para a disputa.

Esse detalhe é mais importante do que parece. Em governos estaduais, trocas no primeiro escalão em ano eleitoral costumam ser lidas como simples consequência da legislação. Mas, no Tocantins, elas têm peso maior porque ocorrem num momento em que o ambiente político já está aquecido por rearranjos partidários, formação de blocos alternativos e intensificação da disputa por espaço na base do governador. Não se trata apenas de substituir gestores. Trata-se de redistribuir influência, liberar candidaturas, reorganizar grupos internos e recalibrar a correlação de forças dentro da estrutura que sustentará o projeto político de Wanderlei em 2026.

Na prática, cada exoneração tem ao menos três efeitos simultâneos. O primeiro é jurídico: atende ao prazo exigido para quem pretende disputar o pleito sem risco de questionamento futuro. O segundo é administrativo: obriga o governo a repor rapidamente cargos estratégicos para evitar descontinuidade em áreas sensíveis, como segurança pública, educação e articulação política. O terceiro é eleitoral: empurra nomes já conhecidos para o campo aberto da pré-campanha, onde passam a disputar espaço, apoios municipais, alianças partidárias e visibilidade regional.

A saída de Márcio Antônio Barbosa de Mendonça, por exemplo, tem simbolismo além da troca de comando da PM. Em anos eleitorais, nomes oriundos da segurança pública costumam carregar recall, presença regional e identidade com eleitorados específicos. Já a saída de Lázaro Botelho tem peso pelo trânsito político acumulado, especialmente no interior. Fábio Vaz, Atos Gomes e Kátia Chaves, por sua vez, representam áreas de governo com alta exposição institucional e interlocução direta com bases municipais, o que amplia a importância eleitoral dessas movimentações.

O impacto sobre a montagem das chapas também é imediato. No Republicanos, o grupo que deixa o governo reforça a leitura de que a legenda quer chegar a 2026 com chapa proporcional robusta, tanto para estadual quanto para federal. No União Brasil, o movimento de Adriano Rodrigues e Lázaro Botelho aponta para uma estratégia semelhante. Em estados como o Tocantins, onde o peso regional e a estrutura local influenciam fortemente o desempenho proporcional, a qualidade dos nomes é tão importante quanto a quantidade. Por isso, o que o governo começa a fazer agora não é apenas cumprir a lei: é proteger seu ecossistema político.

Nos bastidores, o ambiente é de contagem regressiva. A expectativa é de que novas exonerações e nomeações saiam até o limite legal desta semana, com publicações escalonadas no Diário Oficial. O governo tende a agir com cautela em áreas sensíveis, evitando ruído público, mas o efeito político já está dado. O Palácio Araguaia entrou numa nova fase: a de administrar o Estado enquanto reorganiza a própria base para a disputa que se aproxima.

Há, ainda, um elemento de contexto que torna essa movimentação ainda mais relevante. O Tocantins vive, neste início de abril, uma aceleração simultânea de sinais eleitorais: janela partidária, formação de novos palanques, movimentação de deputados, ensaios de alianças e agora a descompressão do primeiro escalão do governo. Quando esses fatores acontecem ao mesmo tempo, o jogo muda de patamar. Sai da fase da especulação e entra na fase da ocupação de terreno.

A leitura mais precisa, neste momento, é que Wanderlei Barbosa tenta fazer uma operação de equilíbrio. De um lado, precisa liberar aliados competitivos para que disputem em condições jurídicas seguras. De outro, precisa evitar que a máquina pareça esvaziada ou vulnerável em áreas estratégicas. É por isso que as nomeações já começaram a sair quase em paralelo às exonerações. O objetivo é simples: manter a engrenagem rodando, enquanto a base começa a descer para o campo eleitoral.

No fim, a “dança das cadeiras” no Tocantins não é um rito burocrático. É um marco político. Ela sinaliza que 2026 já começou dentro do próprio governo. E, a partir desta quarta-feira, o Palácio Araguaia deixa de ser apenas centro administrativo para voltar a ser também o principal laboratório de montagem das chapas, alianças e disputas que vão definir o próximo ciclo de poder no Estado.

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