Governo do Tocantins firma parceria com Terra Viva e garante R$ 8 milhões por ano para ampliar investimentos no campo

Governo do Tocantins firma parceria com Terra Viva e garante R$ 8 milhões por ano para ampliar investimentos no campo
Fernanda CappellessoPor Fernanda Cappellesso 11 de abril de 2026 2

Acordo com programa de alcance internacional promete reforçar assistência técnica, crédito rural com juros reduzidos e recuperação de áreas degradadas; Estado entra como um dos protagonistas da iniciativa

O Governo do Tocantins oficializou uma nova parceria voltada ao fortalecimento do campo e da assistência técnica rural no estado e colocou o nome do Tocantins no centro de um projeto de escala internacional. Em reunião realizada em Palmas, na sede do Instituto de Desenvolvimento Rural do Tocantins (Ruraltins), nesta semana, o Estado formalizou adesão ao Programa Terra Viva, iniciativa global voltada à segurança alimentar, bioeconomia e regeneração de terras, com previsão de R$ 8 milhões anuais para ampliar ações no setor rural tocantinense.

Na prática, o movimento representa mais do que um novo convênio institucional. Ele abre espaço para uma estrutura de financiamento e assistência que mira desde a agricultura familiar até o agronegócio sustentável, com foco em crédito mais barato, apoio técnico e recuperação de áreas degradadas. Em um estado onde o campo segue como um dos principais motores da economia, a entrada em um programa com promessa de grande escala nacional reposiciona o Tocantins em uma agenda que mistura produção, sustentabilidade e mercado internacional.

Segundo o governo estadual, o Programa Terra Viva conta com aporte de investidores dos Emirados Árabes Unidose projeta um volume total superior a R$ 500 bilhões em investimentos no Brasil. Dentro desse pacote, R$ 240 milhões devem ser destinados a empresas de Assistência Técnica e Extensão Rural (ATER) em todo o país. O Tocantins, por sua vez, foi apresentado como um dos estados estratégicos da iniciativa e deve receber aproximadamente R$ 8 milhões por ano para reforçar a atuação do Ruraltins e ampliar a capilaridade das políticas voltadas ao desenvolvimento rural.

O governador Wanderlei Barbosa tratou a parceria como um passo importante para consolidar o estado como destino de grandes investimentos ligados à produção e à sustentabilidade. “O Tocantins está preparado para receber grandes investimentos e transformá-los em desenvolvimento real. Essa parceria fortalece a assistência técnica, amplia oportunidades para nossos produtores e garante que o crescimento do campo aconteça com sustentabilidade, geração de renda e melhoria da qualidade de vida para quem produz”, afirmou.

O centro da estratégia está justamente no desenho operacional do programa. De acordo com o CEO do Terra Viva, Vitor Andrade, o modelo de financiamento previsto para os produtores chama atenção por oferecer juros em torno de 6% ao ano, patamar inferior ao praticado em muitas linhas tradicionais do mercado. Outro diferencial é a lógica de quitação: em vez de depender apenas de desembolso financeiro convencional, o produtor pode liquidar o financiamento com a própria produção agrícola, como soja, milho e feijão. A engenharia busca, ao mesmo tempo, estimular a cadeia produtiva local e abastecer mercados internacionais que dependem da importação de alimentos, como os Emirados Árabes.

Esse desenho cria uma nova narrativa para o campo tocantinense: crédito mais acessível, assistência técnica integrada e conexão com demanda externa. Em tese, isso pode favorecer especialmente produtores que hoje enfrentam dificuldade de acesso a financiamento em condições competitivas, sobretudo no pequeno e médio porte. O programa também promete custear a elaboração de projetos e garantir acompanhamento técnico qualificado, o que reduz barreiras históricas para quem precisa estruturar investimento produtivo com segurança institucional.

No Tocantins, a operacionalização passa diretamente pelo Ruraltins, que terá papel central na validação técnica, na assistência ao produtor e na execução dos projetos. Durante a reunião, o presidente do instituto, Edmilson Rodrigues, oficializou inclusive a entrega de uma sala dentro da sede do órgão para a instalação da equipe técnica do programa. A medida, segundo ele, permite integração imediata entre os profissionais do Terra Viva e os técnicos estaduais, com foco em acelerar a execução das ações no campo.

A instalação do Terra Viva diretamente na nossa estrutura permite um trabalho integrado. Nossos técnicos atuarão em conjunto na execução de projetos que levarão desenvolvimento real ao campo, garantindo que o recurso chegue à ponta com segurança institucional e validação técnica”, destacou Edmilson.

O presidente do Ruraltins também classificou a parceria como um marco para a assistência técnica e a extensão rural no estado, áreas que historicamente funcionam como base para a consolidação de produtividade no interior. “O que mais buscamos é a melhoria da qualidade de vida dos nossos agricultores e produtores. Essa iniciativa vai financiar a cadeia produtiva desde a assistência técnica até a comercialização, fortalecendo a extensão rural, que é o pilar mais importante para o desenvolvimento do nosso Estado”, afirmou.

Além do impacto financeiro, o discurso institucional do programa tenta associar produtividade a sustentabilidade. O Terra Viva afirma que seu foco é transformar “passivos em produtividade”, com recuperação de áreas degradadas, otimização do uso da terra e incentivo à produção com base em critérios de regeneração e segurança alimentar. O projeto conta, segundo a apresentação feita ao governo estadual, com apoio institucional da Embrapa, do Consórcio Brasil e do Governo Federal.

Esse componente é politicamente relevante porque conecta o Tocantins a uma agenda cada vez mais estratégica no agro brasileiro: produzir mais sem ampliar a pressão sobre novas áreas, combinar crédito com assistência técnica e vender ao mercado externo uma imagem de eficiência produtiva atrelada à sustentabilidade. Em um momento em que estados disputam investimentos e espaço em cadeias internacionais, o governo tenta sinalizar que quer posicionar o Tocantins como território de expansão agrícola com lastro técnico e institucional.

No plano econômico, a promessa de R$ 8 milhões anuais para ações ligadas ao Ruraltins pode parecer modesta diante do volume total anunciado nacionalmente, mas tem peso concreto quando direcionada à assistência técnica, extensão rural e estruturação de projetos produtivos. Em estados como o Tocantins, onde o desempenho do campo tem efeito direto sobre renda, arrecadação, emprego e circulação econômica em municípios do interior, recursos desse tipo costumam produzir impacto mais relevante quando chegam acompanhados de execução técnica consistente.

A parceria, portanto, chega embalada por uma narrativa de grande escala, mas será medida, no fim, pela capacidade de sair do anúncio e alcançar a ponta. Para o produtor tocantinense, o que estará em jogo não é apenas a cifra divulgada, mas a efetividade do crédito, a velocidade da assistência técnica e a transformação real da promessa em produtividade, renda e competitividade.

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