Eduardo Gomes, Dorinha e Vicentinho saem em defesa dos vereadores após proposta de deputado do AM; reação no Tocantins endurece debate sobre representação municipal, veja os vídeos
Vice-presidente do Senado, senador e pré-candidatos ao Governo do Tocantins reagiram à proposta que pretende transformar vereadores de cidades com até 30 mil habitantes em conselheiros sem salário fixo; falas cobraram respeito às câmaras municipais e reforçaram o peso político da base local.
A proposta de transformar vereadores de municípios com até 30 mil habitantes em “conselheiros”, sem salário fixo e com pagamento apenas por sessão, provocou forte reação no Tocantins e abriu uma nova frente de embate político sobre o papel das câmaras municipais no país. A iniciativa foi atribuída ao deputado federal Amom Mandel, do Amazonas, e atingiria cidades pequenas, justamente onde a política local costuma ter contato mais direto com a população.
No Tocantins, a resposta veio de nomes de peso. O vice-presidente do Senado e presidente do PL no Estado, Eduardo Gomes, classificou a fala do parlamentar amazonense como equivocada, disse que o posicionamento busca repercussão e saiu em defesa aberta da legitimidade dos vereadores e vereadoras dos pequenos municípios. Segundo a reação divulgada nesta terça-feira, 14, o senador afirmou ter formalizado manifestação por escrito e também levado o tema à tribuna do Senado.
Na manifestação, Eduardo Gomes reforçou que os vereadores são representantes diretos da população, especialmente nas cidades menores, onde o vínculo com a comunidade é permanente. Ao defender o papel institucional das câmaras municipais, ele citou trajetórias históricas como as de Juscelino Kubitschek e Siqueira Campos, apontando que grandes lideranças nasceram politicamente na base local. O senador ainda criticou a lógica de desidratar apenas os legislativos municipais, afirmando que, se essa fosse a linha, o mesmo raciocínio teria de alcançar assembleias legislativas, Câmara dos Deputados e Senado.
Eduardo Gomes também subiu o tom ao condenar o que chamou de demagogia contra o trabalho parlamentar nos municípios. Na reação divulgada, ele afirmou que homens e mulheres escolhidos pelo voto popular trabalham dia e noite e merecem respeito institucional, não desqualificação. A fala teve forte repercussão justamente por partir de um dos principais nomes do Congresso com atuação nacional e ligação direta com a política tocantinense.
A senadora e pré-candidata ao governo Professora Dorinha também entrou no debate e classificou como lamentável qualquer declaração que desqualifique o papel dos vereadores. Em manifestação pública, ela afirmou que esse tipo de posicionamento desrespeita quem está na linha de frente da fiscalização e da cobrança para que as políticas públicas cheguem à população. Na frase que ganhou maior repercussão, Dorinha resumiu sua reação com o recado: “Menos desprezo, mais responsabilidade”.
A fala de Dorinha foi além da crítica e buscou fazer um gesto político direto ao legislativo municipal. Ela declarou apoio aos vereadores e vereadoras do Tocantins e reforçou que é nos municípios que a vida real acontece, numa sinalização clara de valorização da base política local. O posicionamento dialoga com uma realidade tocantinense em que boa parte das cidades tem população inferior ao patamar mencionado na proposta.
Pelo campo do PSDB, o deputado federal e pré-candidato ao governo Vicentinho Júnior também reagiu e afirmou que, caso a proposta chegue a tramitar no Congresso, terá dele uma posição “verticalmente contrária”. Na manifestação divulgada, Vicentinho disse que os vereadores são importantes não apenas na história recente do Brasil, mas na trajetória política do país como um todo.
Vicentinho ainda destacou o protagonismo dos municípios e o papel cotidiano dos parlamentares municipais nas rotinas necessárias do país. Em outra frase de efeito, externou “solidariedade e respeito” a todos os vereadores e vereadoras, alinhando-se ao discurso de defesa da representação local e do fortalecimento institucional das câmaras.
As três manifestações mostram que, no Tocantins, a proposta repercutiu para além de uma simples polêmica nacional e ganhou peso de debate estrutural sobre democracia, representação e valorização da política de base. Em um Estado marcado por municípios pequenos e por forte presença do poder legislativo local na mediação das demandas da população, a reação conjunta de Eduardo Gomes, Dorinha e Vicentinho indica que o tema mexeu em uma engrenagem sensível da política tocantinense. Essa conclusão é uma leitura jornalística baseada nas manifestações públicas reunidas nesta terça-feira.
No plano político, o episódio expõe um raro ponto de convergência entre lideranças de campos distintos: a defesa da legitimidade dos vereadores. No plano institucional, reacende a discussão sobre até onde podem ir propostas de enxugamento da estrutura pública sem atingir a representação popular nas cidades pequenas. E, no plano eleitoral, oferece mais um tema capaz de mobilizar prefeitos, vereadores, suplentes e lideranças comunitárias de olho em 2026. Essa última frase é análise jornalística a partir do impacto potencial da proposta sobre a política municipal.