Laurez pede esclarecimentos sobre contrato do BRB com o Tocantins após prisão de ex-presidente do banco

Laurez pede esclarecimentos sobre contrato do BRB com o Tocantins após prisão de ex-presidente do banco
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Ricardo Fernandes AlmeidaPor Ricardo Fernandes Almeida 17 de abril de 2026 1

A prisão do ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa, no âmbito da Operação Compliance Zero, reacendeu no Tocantins o debate sobre o contrato firmado entre o Governo do Estado e a instituição financeira para administrar a folha de pagamento dos servidores e a conta única do Tesouro. Em meio à repercussão do caso, o vice-governador Laurez Moreira defendeu que a operação seja esclarecida com transparência e afirmou que a relação entre o Estado e o banco precisa ser devidamente explicada à sociedade.

A declaração de Laurez foi dada após a operação da Polícia Federal que levou à prisão preventiva de Paulo Henrique Costa e do advogado Daniel Monteiro. Segundo a Reuters, a investigação apura suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro, crimes financeiros e organização criminosa ligadas a operações entre o BRB e o antigo Banco Master. A defesa de Paulo Henrique Costa sustenta que ele não cometeu crime, e o caso segue sob sigilo judicial.

Ao comentar o episódio, Laurez vinculou o cenário nacional ao contrato firmado pelo Tocantins com o BRB e defendeu apuração cuidadosa sobre os critérios que levaram à troca do Banco do Brasil pela instituição de Brasília. Em tom mais moderado, a fala do vice-governador aponta para a necessidade de esclarecimentos públicos sobre uma decisão administrativa que passou a ter reflexos políticos locais depois do avanço das investigações federais.

No Tocantins, o vínculo formal entre o Estado e o BRB está registrado no Contrato nº 36/2024, publicado no Diário Oficial. O documento prevê a contratação do banco, com exclusividade, para a centralização e o processamento da folha, a gestão da conta única do Tesouro e outros serviços financeiros do Executivo estadual. O extrato também informa que a contratação geraria receita de R$ 255 milhões ao Estado e despesa de aproximadamente R$ 7,47 milhões, com vigência de 60 meses. O contrato foi assinado em 30 de dezembro de 2024 e traz entre os signatários o governador Wanderlei Barbosa, o secretário estadual da Fazenda Donizeth A. Silva e representantes do BRB, incluindo Paulo Henrique Costa.

Em 2025, o próprio Governo do Tocantins informou que a transição da folha para o BRB havia sido concluída com base nesse contrato. Em comunicados oficiais, o Estado sustentou que a mudança buscava dar mais eficiência, segurança e modernização ao processamento dos pagamentos dos servidores.

O pano de fundo da nova pressão política é o agravamento da crise envolvendo o Banco Master. Em novembro de 2025, o Banco Central determinou a liquidação extrajudicial da instituição, depois de problemas de liquidez e de investigações em torno de sua atuação. Antes disso, o próprio BRB já havia sido afetado pelas operações com o Master e por tentativas frustradas de aquisição de ativos do banco, episódio que continuou gerando efeitos financeiros e regulatórios. Em janeiro deste ano, um diretor do Banco Central afirmou em depoimento visto pela Reuters que o BRB provavelmente teria de provisionar mais de R$ 5 bilhões para cobrir transações ligadas ao Master.

É nesse contexto que a manifestação de Laurez ganha peso político. A avaliação colocada por ele é que, diante do avanço das investigações e da exposição nacional do BRB, o Tocantins precisa apresentar de forma clara os fundamentos do contrato, os benefícios esperados e as garantias adotadas para resguardar os interesses do Estado e dos servidores. A cobrança, portanto, desloca a discussão de Brasília para Palmas e amplia o espaço para questionamentos administrativos e institucionais sobre uma área sensível da máquina pública.

Até o momento, não há indicação pública de irregularidade formal no contrato do Tocantins apenas em razão da prisão do ex-presidente do BRB. O que existe é um ambiente de maior escrutínio político e institucional, alimentado pela relevância do banco na estrutura financeira do Estado e pelo fato de um de seus ex-principais dirigentes ter se tornado alvo de investigação criminal. Essa distinção é central para o debate: uma coisa é a investigação federal sobre operações envolvendo BRB e Master; outra é a necessidade de o governo explicar, com transparência, os termos e as justificativas da contratação local.

No campo político, o episódio tende a permanecer em evidência, porque une três fatores de forte interesse público: a crise de imagem do BRB, o tamanho do contrato firmado com o Governo do Tocantins e o impacto direto da instituição na rotina de milhares de servidores estaduais. O caso também pode gerar desdobramentos na Assembleia Legislativa, em órgãos de controle e no debate eleitoral, a depender da evolução da apuração federal e das respostas apresentadas pelos envolvidos. Essa é uma inferência jornalística a partir do peso institucional do contrato e da repercussão pública do caso.

O Diário Tocantinense deixa o espaço aberto para manifestação do governador Wanderlei Barbosa, do Governo do Tocantins, da Secretaria da Fazenda, do BRB e da defesa de Paulo Henrique Costa sobre os questionamentos levantados após a operação da Polícia Federal. Caso haja posicionamento oficial, este texto poderá ser atualizado para incluir integralmente as versões apresentadas.

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