Após pane no HGP, Vicentinho Júnior anuncia R$ 2 milhões e pressiona bancada por solução definitiva
Deputado diz que vai destinar recursos para nova subestação de energia do Hospital Geral de Palmas e cobra participação de deputados e senadores do Tocantins
A pane elétrica que atingiu o Hospital Geral de Palmas (HGP), maior unidade pública de saúde do Tocantins, ampliou a pressão sobre a estrutura hospitalar do Estado e entrou de vez no debate político da pré-campanha ao governo. Em meio à repercussão do caso, o deputado federal Vicentinho Júnior (PSDB), pré-candidato ao Palácio Araguaia, anunciou que vai destinar R$ 2 milhões para ajudar na construção de uma nova subestação de energia na unidade e fez um apelo público para que os demais integrantes da bancada federal completem o investimento necessário para a obra. A nova subestação foi estimada em cerca de R$ 6 milhões, segundo o próprio parlamentar.
O episódio ocorreu após falha elétrica registrada no HGP na quarta-feira, 15. Segundo a Secretaria de Estado da Saúde (Sesau), o problema foi causado por superaquecimento em um barramento blindado, componente responsável pela distribuição de energia. A pasta informou que a rede de emergência e os geradores foram acionados, que setores críticos permaneceram em funcionamento e que o fornecimento foi totalmente restabelecido na sexta-feira, 17. O governo também confirmou que pretende implantar uma nova subestação elétrica na unidade para ampliar a capacidade energética do hospital.
Foi nesse cenário que Vicentinho Júnior buscou se posicionar com um discurso de crítica moderada e cobrança por solução. Em vídeo publicado nas redes sociais, o deputado afirmou que entrou em contato com o secretário estadual da Saúde, Carlos Felinto, para entender a dimensão do problema e disse ter sido informado sobre o projeto da nova subestação. Na sequência, anunciou que encaminhará ainda nesta semana ofício formalizando a destinação de R$ 2 milhões para a obra.
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Ao anunciar o recurso, o parlamentar adotou um tom que tenta se diferenciar de uma crítica puramente eleitoral. “Não serei um crítico contumaz”, afirmou. A frase, repetida no pronunciamento, funciona como uma tentativa de se apresentar como agente de solução em meio à crise, ainda que o caso também tenha servido para ampliar a exposição das fragilidades da saúde pública estadual em pleno ambiente de pré-campanha.
Vicentinho também fez um chamamento direto aos demais deputados federais e senadores do Tocantins para que contribuam com recursos e viabilizem rapidamente a obra. Na prática, o gesto desloca o problema do campo exclusivamente administrativo para uma arena política mais ampla, ao envolver a bancada federal na responsabilidade por uma resposta estrutural a um hospital que concentra atendimento de alta complexidade no Estado.
Durante a manifestação, o deputado relatou que a pane teria afetado a rotina de setores sensíveis da unidade. Segundo ele, pacientes em tratamento oncológico estariam sendo orientados a voltar para casa durante o período noturno e equipamentos importantes teriam tido o funcionamento comprometido. A Sesau, por sua vez, sustenta que os setores críticos não ficaram desassistidos e que os serviços essenciais foram mantidos por meio da rede de emergência e do uso de geradores. O contraste entre as versões reforça o peso político do episódio e deve manter o tema em evidência nos próximos dias.
O caso do HGP já vinha repercutindo entre outros pré-candidatos ao governo e se transformou em mais um termômetro da disputa sobre a narrativa da saúde pública no Tocantins. Enquanto parte da oposição adotou um discurso mais duro contra o governo estadual, Vicentinho procurou marcar posição como parlamentar em exercício, associando a crítica à oferta concreta de recurso e à cobrança por união da bancada. Essa estratégia ajuda a construir uma imagem de intervenção prática, sem abrir mão do capital político gerado por uma crise de grande repercussão.
No curto prazo, a fala do deputado produz dois efeitos. O primeiro é imediato: coloca pressão pública sobre os demais congressistas tocantinenses, que passam a ser cobrados, ainda que indiretamente, a participar da solução. O segundo é eleitoral: reposiciona Vicentinho em uma agenda de alta sensibilidade social, em um tema que tem apelo direto junto à população e forte capacidade de desgaste para o governo estadual. Em um cenário pré-eleitoral, poucos símbolos têm tanto peso quanto o de um hospital público enfrentando falha elétrica.
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