Perfis fantasmas invadem a eleição de 2026 e acendem alerta sobre fábrica de fake news nas redes no Tocantins
Com a aproximação das eleições de 2026, cresce o alerta no Tocantins e em todo o Brasil sobre a atuação de perfis fantasmas — contas falsas, anônimas ou automatizadas — criadas para espalhar desinformação, atacar candidatos, distorcer fatos e influenciar o debate público nas redes sociais.
Esses perfis, muitas vezes gerenciados por “fábricas” de conteúdo, misturam informações verdadeiras com mentiras, memes e vídeos manipulados para ganhar curtidas, compartilhamentos e viralizar rapidamente. O objetivo é claro: confundir o eleitor, amplificar narrativas favoráveis ou prejudiciais e contaminar o processo eleitoral.
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) vem reforçando o combate à desinformação. Em fevereiro de 2026, a Corte lançou a websérie “V de Verdade – Em terra de fatos, fake não tem vez”, com vídeos curtos que explicam os “cinco Vs” da desinformação: Volume, Variedade, Velocidade, Viralidade e Verossimilhança. A campanha orienta o eleitor a desconfiar de conteúdos sensacionalistas, sem fonte confiável ou que geram emoções extremas.
No Tocantins, o Tribunal Regional Eleitoral (TRE-TO) mantém o Programa de Enfrentamento à Desinformação, com cartilhas, palestras e ações de conscientização para candidatos, partidos e eleitores. O TRE-TO tem alertado sobre o risco de deepfakes, notícias descontextualizadas e contas falsas que simulam perfis de “cidadãos comuns” ou páginas “informativas”.
Como os perfis fantasmas operam
Especialistas em redes sociais e direito eleitoral explicam que essas contas geralmente:
- Usam fotos roubadas de perfis reais ou geradas por inteligência artificial;
- Publicam conteúdo misto (amenidades + ataques políticos) para parecer autêntico;
- São impulsionadas por anúncios pagos ou disparos em massa no WhatsApp e Telegram;
- Atuam de forma coordenada, formando redes que amplificam uma mesma narrativa.
O TSE atualizou as regras para 2026 com algum afrouxamento na remoção automática de perfis falsos: a exclusão só deve ocorrer quando houver comprovação de que o perfil é falso (robô ou conta inexistente) ou quando as publicações configuram crime eleitoral. A Polícia Federal também intensificou o monitoramento de crimes cibernéticos eleitorais.
O que o eleitor pode fazer
A Justiça Eleitoral orienta:
- Desconfie de conteúdos que geram raiva, medo ou euforia excessiva;
- Verifique sempre a fonte: prefira sites e perfis oficiais do TSE, TRE-TO e veículos de imprensa confiáveis;
- Não compartilhe antes de checar;
- Denuncie perfis suspeitos diretamente nas plataformas e ao TRE-TO ou TSE.
Advogados eleitorais alertam que o financiamento por trás dessas “fábricas de fake news” ainda é difícil de rastrear, mas pode configurar abuso de poder econômico e propaganda irregular, sujeitos a cassação de registro e multas pesadas.
Com a corrida ao Palácio Araguaia e às vagas no Congresso esquentando, o risco de contaminação do debate por narrativas falsas é alto. Por trás de curtidas, vídeos virais e páginas que parecem “informativas”, pode estar uma máquina bem montada para interferir no voto do tocantinense.
A recomendação dos órgãos eleitorais é clara: em terra de fatos, fake news não tem vez. O eleitor consciente é a principal arma contra essa guerra de narrativas.