TCE manda ex-secretário e empresa devolverem R$ 616 mil por cestas básicas não entregues no Tocantins
Uma decisão do Tribunal de Contas do Estado do Tocantins (TCE-TO) colocou novamente sob pressão a gestão de contratos emergenciais firmados durante a pandemia. O tribunal determinou que o ex-secretário José Messias Alves de Araújo e a empresa Silva e Reis Ltda. devolvam, de forma solidária, R$ 616.102,40 aos cofres públicos por irregularidades na execução de um contrato para fornecimento de cestas básicas. Segundo a apuração, parte significativa dos alimentos pagos com recursos públicos simplesmente não teve entrega comprovada.
O caso envolve um contrato firmado em meio à crise sanitária, quando milhares de famílias enfrentavam insegurança alimentar e dependiam de ações emergenciais do poder público. De acordo com a decisão, o Estado efetuou pagamento antecipado de 20 mil cestas básicas, mas auditoria posterior identificou comprovação de entrega de apenas 11.872 unidades. Isso significa que mais de 8 mil cestas ficaram sem documentação que comprovasse o repasse à população, mesmo com o dinheiro já desembolsado.
A conclusão do TCE é grave porque não trata apenas de falha burocrática. Na prática, o tribunal aponta deficiência de fiscalização, ausência de controle efetivo sobre a execução do contrato e dano direto ao erário em uma das fases mais sensíveis da pandemia, quando a urgência da assistência social exigia rapidez, mas também rigor absoluto na prestação de contas. O entendimento é de que o pagamento foi realizado sem a devida comprovação integral da entrega, o que resultou na obrigação de ressarcimento.
Além da devolução dos R$ 616.102,40, o tribunal também aplicou multa individual aos responsáveis citados no processo, reforçando a leitura de que houve falha grave na condução e no acompanhamento da contratação. O caso reacende um debate recorrente no Tocantins sobre o uso de contratos emergenciais em períodos de crise: a excepcionalidade da pandemia permitia respostas rápidas, mas não suspendia a obrigação de transparência, rastreabilidade e fiscalização rigorosa do dinheiro público.
O impacto político e social do caso é inevitável. Em plena pandemia, enquanto famílias aguardavam alimentos, o que aparece agora é um rastro de inconsistências justamente em uma política que deveria ter funcionado como resposta direta à fome e à vulnerabilidade. Mais do que a cifra, o que pesa é o simbolismo: recursos públicos destinados a cestas básicas, em um momento de emergência humanitária, entraram para a lista de contratos questionados pelos órgãos de controle.
O Diário Tocantinense deixa espaço aberto para manifestação do ex-secretário José Messias Alves de Araújo, da empresa Silva e Reis Ltda. e do Governo do Tocantins.