Boletim Focus: mercado eleva inflação para 4,92%, vê Selic a 13,25% e dólar a R$ 5,20 em 2026

Boletim Focus: mercado eleva inflação para 4,92%, vê Selic a 13,25% e dólar a R$ 5,20 em 2026
Ricardo Fernandes AlmeidaPor Ricardo Fernandes Almeida 19 de maio de 2026 1

O mercado financeiro voltou a elevar a projeção para a inflação de 2026, segundo o Boletim Focus divulgado pelo Banco Central nesta sexta-feira, 15 de maio. Em análise exclusiva do Diário Tocantinense, os dados mostram um cenário de pressão sobre preços, juros altos e crescimento econômico ainda moderado no País.

De acordo com o relatório, a mediana das expectativas para o IPCA, índice oficial da inflação brasileira, subiu de 4,91% para 4,92% em 2026. Há quatro semanas, a previsão estava em 4,80%, o que confirma uma sequência de piora nas estimativas do mercado para o custo de vida dos brasileiros. Para 2027, a expectativa segue em 4,00%; para 2028, subiu para 3,65%; e para 2029 permanece em 3,50%.

A projeção para a Selic, taxa básica de juros da economia, também chama atenção. O mercado elevou a estimativa para o fim de 2026 de 13,00% para 13,25% ao ano. Para 2027, a previsão está em 11,25%; para 2028, em 10,00%; e para 2029, também em 10,00%. O dado indica que os juros devem continuar em patamar elevado, impactando crédito, financiamentos, consumo das famílias e investimentos das empresas.

O Produto Interno Bruto (PIB), que mede o crescimento da economia, segue com previsão modesta. Para 2026, o mercado manteve a estimativa em 1,85%. Para 2027, a projeção passou de 1,76% para 1,77%. Já para 2028 e 2029, a expectativa permanece em 2,00% ao ano. O cenário reforça a leitura de uma economia crescendo, mas ainda sem forte aceleração.

No câmbio, a previsão para o dólar no fim de 2026 ficou estável em R$ 5,20. Para 2027, a estimativa caiu de R$ 5,30 para R$ 5,27; para 2028, passou de R$ 5,35 para R$ 5,34; e para 2029 ficou em R$ 5,40. A trajetória indica que o mercado ainda trabalha com dólar acima de R$ 5 nos próximos anos.

Outro indicador acompanhado pelo mercado, o IGP-M, conhecido por influenciar contratos de aluguel, teve nova alta na estimativa para 2026. A projeção passou de 5,60% para 5,63%. Para 2027, permaneceu em 4,00%; para 2028, em 3,82%; e para 2029, em 3,70%.

O relatório também aponta que a previsão para a balança comercial brasileira em 2026 melhorou, passando de US$ 75 bilhões para US$ 75,53 bilhões. Já a projeção para a conta corrente ficou em déficit de US$ 59,70 bilhões, resultado menos negativo do que o estimado na semana anterior, quando estava em US$ 60,50 bilhões negativos.

Na área fiscal, o mercado manteve a projeção de resultado primário negativo em 0,50% do PIB para 2026. A dívida líquida do setor público foi mantida em 69,90% do PIB para este ano, mas as expectativas seguem em alta nos anos seguintes, chegando a 73,50% em 2027, 76,38% em 2028 e 79,00% em 2029.

Para os próximos meses, o Focus mostra que o mercado espera inflação de 0,41% em maio, 0,30% em junho e 0,25% em julho. A inflação acumulada em 12 meses suavizada caiu de 3,97% para 3,95%, enquanto a projeção do câmbio para maio recuou de R$ 5,04 para R$ 5,00.

Na prática, os números do Boletim Focus indicam que o Brasil deve seguir convivendo com inflação acima do centro da meta, juros elevados e crescimento econômico controlado. Para famílias e empresas, esse ambiente tende a manter o crédito mais caro, exigir cautela nos investimentos e pressionar decisões de consumo ao longo de 2026.

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