Expansão imobiliária reposiciona Goiás no mapa econômico brasileiro
Durante décadas, Goiás ocupou posição secundária no mercado imobiliário brasileiro. O estado consolidou força econômica no agronegócio e na produção de commodities, mas permaneceu distante dos grandes ciclos urbanos e imobiliários concentrados entre São Paulo, Rio de Janeiro e parte do Sul do país.
Os indicadores mais recentes mostram mudança nesse cenário.
Dados da Associação das Empresas do Mercado Imobiliário de Goiás (Ademi-GO) apontam que Goiânia movimentou R$ 8,1 bilhões em vendas imobiliárias em 2025. Em 2021, o volume registrado era de R$ 5,4 bilhões. O crescimento acumulado supera 50% em quatro anos.
O avanço ocorre em paralelo a uma transformação econômica mais ampla no estado. Goiás passou a combinar crescimento do agronegócio, expansão logística, fortalecimento do setor de serviços, interiorização industrial e aumento populacional acima da média nacional.
Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Goiás registrou crescimento populacional próximo de 20% entre 2010 e 2022. No mesmo período, a média brasileira ficou em torno de 7%. O aumento da população ampliou demanda por moradia, serviços, mobilidade urbana e infraestrutura.
O movimento é percebido principalmente na região metropolitana de Goiânia e em polos estratégicos do interior.
Na capital, o mercado observa intensificação da verticalização, valorização de bairros ligados a novos eixos comerciais e expansão de empreendimentos voltados à classe média e alta renda. Aparecida de Goiânia ampliou corredores industriais e logísticos, enquanto Anápolis fortaleceu posição estratégica por meio do Distrito Agroindustrial de Anápolis (Daia), do Porto Seco Centro-Oeste e da integração ferroviária.
Municípios ligados ao agronegócio também passaram a registrar expansão imobiliária. Condomínios horizontais, loteamentos fechados, galpões logísticos e centros empresariais avançaram em cidades impulsionadas pelo aumento da renda do interior.
O novo momento do setor também passou a atrair atenção de empresas e investidores ligados ao varejo nacional. No início de maio, a BP Real Estate Pro promoveu, em Goiânia, um evento voltado ao debate sobre expansão imobiliária e varejo fora do eixo Rio-São Paulo. O encontro reuniu executivos ligados à Smart Fit, Bacio di Latte, Grupo Saga e IPM Educação, além de empresários e investidores do setor.
Entre os participantes estiveram Itamar Hercolano Junior, vice-presidente de expansão global do Grupo Smart Fit; Nick Johnston, cofundador da Bacio di Latte; Sérgio Maia, diretor do Grupo Saga Automóveis; e Pedro Miranda, fundador do IPM Educação. O prefeito de Goiânia, Sandro Mabel, também participou do encontro, em um momento em que o Centro-Oeste passou a ganhar espaço na estratégia de expansão de marcas e operadores nacionais.
O evento ocorreu em meio ao avanço dos chamados open malls e power centers, modelos imobiliários voltados ao varejo de conveniência e serviços essenciais. Segundo a Associação Brasileira de Shopping Centers (Abrasce), os shopping centers brasileiros encerraram 2025 com faturamento de R$ 200,9 bilhões, reforçando a manutenção do investimento no varejo físico.
Para especialistas do setor, o comportamento do mercado imobiliário costuma antecipar mudanças econômicas mais profundas.
“O setor reage diretamente à circulação de renda, ao crédito, à confiança empresarial e ao crescimento urbano. Quando existe expansão imobiliária consistente por vários anos, normalmente há uma transformação estrutural acontecendo na economia regional”, afirma Marcos Blanche, CEO da BP Real Estate Pro.
Segundo dados do Instituto Mauro Borges (IMB), Goiás manteve nos últimos anos crescimento econômico superior ao de parte significativa do país. O desempenho foi impulsionado pelo agronegócio, pela logística e pela expansão do setor de serviços.
Para analistas do mercado, o atual ciclo imobiliário goiano já não pode ser interpretado apenas como reflexo indireto do agronegócio. O avanço da urbanização, da renda e da infraestrutura começa a consolidar Goiás como um dos mercados emergentes mais relevantes do país fora do eixo tradicional do Sudeste.
O crescimento imobiliário passou a refletir não apenas aumento de demanda por imóveis, mas uma mudança mais ampla na posição econômica de Goiás dentro do Brasil.
Evento da BP reúne executivos nacionais e coloca Goiânia no debate sobre o novo varejo brasileiro
O avanço do mercado imobiliário comercial e do varejo fora do eixo Rio-São Paulo esteve no centro de um evento promovido pela BP Real Estate Pro no início de maio, em Goiânia. A celebração dos cinco anos da empresa reuniu executivos nacionais, empresários, investidores e representantes do setor imobiliário em um debate sobre o novo mapa econômico do varejo brasileiro.
O encontro ocorreu no BP Lev Open Mall e contou com a participação de nomes ligados à expansão de grandes marcas nacionais, entre eles Itamar Hercolano Junior, vice-presidente de expansão global do Grupo Smart Fit; Nick Johnston, cofundador da Bacio di Latte; Pedro Miranda, fundador do IPM Educação; Janice Mendes, executiva de estratégia em varejo e real estate; e Sérgio Maia, diretor do Grupo Saga Automóveis.
O prefeito de Goiânia, Sandro Mabel, também participou da programação, marcada por discussões sobre expansão urbana, crescimento do consumo e fortalecimento do Centro-Oeste como destino de investimentos privados.
Segundo a BP Real Estate Pro, a proposta do evento foi discutir como o varejo físico brasileiro passou a buscar formatos mais conectados à conveniência, à mobilidade urbana e à descentralização econômica. O debate girou em torno da expansão de open malls, street malls e power centers em cidades médias e regiões metropolitanas fora do eixo tradicional do Sudeste.
Os dados do setor ajudam a explicar o interesse crescente pelo Brasil Central. Segundo a Associação Brasileira de Shopping Centers (Abrasce), os shopping centers brasileiros encerraram 2025 com faturamento de R$ 200,9 bilhões, 658 empreendimentos em operação e previsão de novas inaugurações em 2026. Já o IBGE apontou crescimento de 1,6% nas vendas do varejo em 2025, seguido de novos avanços em janeiro e fevereiro deste ano.
Para Marcos Blanche, CEO da BP Real Estate Pro, o Centro-Oeste passou a ocupar posição diferente na estratégia de expansão do mercado nacional.
“O que a gente observa hoje é uma mudança concreta no mapa do varejo brasileiro. O Centro-Oeste passou a concentrar fatores que o mercado valoriza: crescimento urbano, localização estratégica, consumo mais distribuído e espaço para formatos mais eficientes de operação”, afirmou durante o evento.
A programação também reuniu investidores, lojistas âncora e representantes do mercado imobiliário comercial ligados a projetos em Goiás e Mato Grosso do Sul. Entre os empreendimentos apresentados pela empresa estão open malls e centros comerciais desenvolvidos em Goiânia, Jataí e Campo Grande.