Interdição de ponte na BR-235 isola Pedro Afonso, ameaça abastecimento e leva prefeitura a decretar emergência

Interdição de ponte na BR-235 isola Pedro Afonso, ameaça abastecimento e leva prefeitura a decretar emergência
Ponte de Xambioá é inaugurada e redesenha a logística entre Tocantins e Pará após décadas de travessia por balsa.
Fernanda CappellessoPor Fernanda Cappellesso 27 de maio de 2026 0

A interdição total da ponte sobre o Rio Tocantins, na BR-235, transformou a rotina de Pedro Afonso em um cenário de incerteza logística, econômica e social. Considerada uma das principais ligações da região central do Tocantins com corredores estratégicos do agronegócio, a estrutura foi bloqueada pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) após identificação de problemas estruturais durante vistoria técnica. A medida levou a Prefeitura de Pedro Afonso a decretar situação de emergência por 180 dias.

O impacto ultrapassa o trânsito de veículos. A BR-235 é rota importante para escoamento da produção de soja, milho e etanol em uma das áreas mais produtivas do MATOPIBA — região agrícola que reúne Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia. Com a interrupção, comerciantes, produtores rurais e transportadoras já relatam preocupação com atrasos, aumento no custo do frete e risco de desabastecimento.

O prefeito Joaquim Pinheiro classificou a situação como “imensurável” e afirmou que os efeitos podem atingir diretamente o comércio local e o setor agroindustrial. Segundo ele, a interdição ocorre justamente em um período estratégico para a economia regional.

“Isso afeta diretamente o escoamento da produção agrícola, o transporte do álcool produzido pela BP Bioenergy e pode levar a um colapso se medidas urgentes não forem tomadas”, declarou o prefeito em vídeo divulgado nas redes sociais.

Enquanto o laudo definitivo não é concluído, a travessia passa a depender de balsas autorizadas pelo Governo do Tocantins. Inicialmente, ambulâncias e viaturas da Polícia Militar receberam autorização especial para cruzar a ponte.

A prefeitura também informou que todos os órgãos municipais terão 30 dias para apresentar relatórios detalhando impactos operacionais, prejuízos financeiros e necessidades emergenciais causadas pela interdição.

Além da pressão econômica, a crise expõe um problema estrutural que voltou ao centro do debate nacional após o colapso da ponte de Aguiarnópolis: a fragilidade da infraestrutura rodoviária brasileira em regiões que sustentam parte significativa da produção agrícola nacional.

Sem previsão oficial para liberação da estrutura, motoristas agora precisam utilizar rotas alternativas mais longas, passando por cidades como Guaraí, Tupiratins e Itacajá. O desvio amplia o tempo de viagem, eleva custos logísticos e pressiona ainda mais cadeias de abastecimento da região.

Nos bastidores políticos e econômicos do Tocantins, o temor já não gira apenas em torno da ponte interditada, mas do efeito dominó que a paralisação pode provocar sobre preços, circulação de mercadorias e desenvolvimento regional.

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