Editorial: Secom de Palmas mudou o comando, mas comunicação ainda precisa mostrar resultado nas ruas
A troca no comando da Secretaria Municipal de Comunicação de Palmas abriu uma nova fase administrativa dentro da Prefeitura, mas, até o momento, a mudança ainda não representou uma virada concreta na forma como a gestão se comunica com a população. Mudou o nome à frente da pasta, mudou a estrutura de comando, mas a comunicação pública ainda precisa sair do gabinete e chegar, com mais força, aos bairros, às regiões da capital e também ao debate público em todo o Tocantins.
A nomeação de uma nova gestora para a Secom ocorre em um momento sensível para a administração municipal. Palmas, por ser capital do Estado, não se comunica apenas com seus moradores. Tudo o que acontece na gestão municipal repercute politicamente, institucionalmente e administrativamente em todo o Tocantins. Por isso, a comunicação da Prefeitura precisa ter alcance local, regional e estadual.
A cidade vive demandas crescentes em áreas como infraestrutura, educação, saúde, mobilidade urbana, limpeza pública, obras, serviços comunitários e organização dos espaços urbanos. São temas que afetam diretamente a rotina da população palmense, mas que também interessam ao Estado, já que Palmas concentra órgãos públicos, recebe moradores de várias regiões e funciona como vitrine administrativa do Tocantins.
Comunicar uma gestão não é apenas divulgar agendas oficiais, publicar fotos de reuniões ou informar ações pontuais. Comunicação pública precisa explicar o que está sendo feito, onde está sendo feito, quanto será investido, qual o impacto para o cidadão e quando a população poderá sentir o resultado. Até aqui, esse ainda parece ser um dos principais gargalos da Prefeitura de Palmas.
A saída do antigo secretário e a chegada de uma nova gestora criaram expectativa de reorganização. Porém, expectativa não basta. A população não avalia comunicação por portaria de nomeação, mas pela capacidade da Prefeitura de dialogar com quem mora no Aureny, em Taquaralto, no Jardim Taquari, na região norte, no centro, nos distritos e também com quem acompanha, de outras cidades, os rumos administrativos da capital.
A Secom precisa regionalizar sua atuação. Palmas não é uma cidade homogênea. Cada região tem uma realidade, uma cobrança e uma urgência diferente. O que preocupa moradores da região sul pode não ser a mesma demanda de quem vive na região norte. O cidadão quer saber da rua sem pavimentação, da escola que precisa de melhorias, da unidade de saúde, da iluminação pública, do transporte, da limpeza urbana e das obras que interferem diretamente na sua vida.
Mas a regionalização não pode parar nos bairros. A comunicação de Palmas também precisa entender que a capital dialoga com todo o Estado. Prefeitos, vereadores, lideranças comunitárias, empresários, servidores públicos, estudantes e moradores do interior acompanham as ações da Prefeitura. A capital é referência política e administrativa. Quando a comunicação falha em Palmas, a imagem da gestão também perde força no cenário estadual.
Nesse sentido, a comunicação da Prefeitura precisa ser mais estratégica e menos protocolar. É necessário transformar ações administrativas em informação acessível, com linguagem popular, presença nos bairros, diálogo com a imprensa local e estadual, escuta ativa e prestação de contas permanente. Uma gestão pode até realizar obras e serviços, mas, se não consegue explicar, mostrar e aproximar essas entregas da população, perde força política e administrativa.
Também é importante que a nova fase da Secom não se limite a uma troca de comando sem efeito prático. Palmas precisa de uma comunicação que produza resultado, que antecipe crises, que responda dúvidas, que organize informações e que ajude a gestão a se conectar com a cidade real e com o Tocantins. A comunicação institucional deve servir ao cidadão, não apenas à imagem do governo.
A Prefeitura tem o direito de reorganizar sua equipe, ajustar rumos e escolher novos nomes para funções estratégicas. Mas a sociedade também tem o direito de cobrar eficiência, clareza e presença. A mudança no comando da Secom só terá sentido se vier acompanhada de uma nova postura, com planejamento, transparência, regionalização e capacidade de mostrar, de forma objetiva, o que a gestão está fazendo por Palmas.
Até agora, a troca ainda não se traduziu em uma comunicação mais forte nas ruas nem em uma presença mais consistente no Estado. E esse é o ponto central. A Secom precisa deixar de ser apenas uma estrutura administrativa e passar a funcionar como ponte real entre a Prefeitura, a população da capital e a sociedade tocantinense.
Porque, em uma capital em crescimento e com peso político estadual, comunicar bem não é detalhe: é parte essencial da gestão pública.