Anvisa apreende remédios falsos contra câncer e caso dos imunizantes em Araguaína exige cautela: município não aplicou lotes oncológicos

Anvisa apreende remédios falsos contra câncer e caso dos imunizantes em Araguaína exige cautela: município não aplicou lotes oncológicos
Ricardo Fernandes AlmeidaPor Ricardo Fernandes Almeida 9 de junho de 2026 0

A apreensão de lotes falsificados de medicamentos contra câncer pela Anvisa acendeu alerta nacional nesta terça-feira, 9, e gerou preocupação também no Tocantins. Em Araguaína, o tema ganhou ainda mais atenção porque o município integra ações de vacinação contra dengue com imunizantes do Instituto Butantan, mas é preciso separar os fatos: a situação dos imunizantes em Araguaína não tem relação direta com os medicamentos oncológicos falsificados.

No caso de Araguaína, a discussão envolve a vacina contra dengue do Butantan, dentro da estratégia de imunização realizada em unidades de saúde do município. Já a medida da Anvisa trata de lotes falsificados de medicamentos usados no tratamento contra câncer, como Keytruda e Kadcyla. Até o momento, não há confirmação oficial de que os lotes falsificados desses remédios contra câncer tenham sido aplicados em Araguaína.

A Anvisa determinou a apreensão de lotes falsificados de medicamentos oncológicos e proibiu a venda, distribuição e uso dos produtos irregulares em todo o país. A medida envolve medicamentos de alto custo e uso sensível, destinados a pacientes em tratamento contra diferentes tipos de câncer.

Um dos produtos citados no alerta é o Keytruda, medicamento à base de pembrolizumabe. Segundo a Anvisa, a empresa responsável pelo registro, Merck Sharp & Dohme Farmacêutica Ltda., informou não reconhecer o número de série 100859110521 referente ao lote Y019149, fabricado em 31 de julho de 2024. A suspeita é de falsificação.

A agência também determinou a apreensão dos lotes H6980H05 e H8249A43 do Kadcyla, medicamento à base de trastuzumabe emtansina, usado no tratamento de câncer de mama HER2-positivo. O produto não pode ser vendido, distribuído ou utilizado.

No caso do Kadcyla, a Roche, responsável pelo registro do medicamento no Brasil, informou que os produtos suspeitos apresentam divergências em relação aos originais. Entre as irregularidades apontadas estão diferenças na embalagem, falhas na identificação, ausência de elementos de rastreabilidade e inconsistências no padrão visual do produto.

O ponto mais grave é que análises indicaram que os produtos falsificados não continham o princípio ativo trastuzumabe emtansina. Isso significa que, caso fossem utilizados, poderiam não produzir o efeito esperado no tratamento contra o câncer, colocando pacientes em risco.

A situação é considerada grave porque medicamentos oncológicos exigem controle rígido de origem, armazenamento, rastreabilidade e aplicação. Um produto falsificado pode comprometer o tratamento, atrasar a resposta terapêutica e gerar insegurança para pacientes e familiares.

Em Araguaína, o assunto que envolve imunizantes é outro. O município participou de ações de vacinação contra dengue com o imunizante do Instituto Butantan, dentro da estratégia nacional. A Prefeitura de Araguaína chegou a divulgar Dia D de vacinação contra dengue para a população entre 15 e 59 anos, com disponibilidade das doses em unidades básicas de saúde.

Esse imunizante contra dengue não deve ser confundido com os medicamentos contra câncer apreendidos pela Anvisa. A vacina é destinada à prevenção da dengue. Os produtos alvos da medida da Anvisa são remédios oncológicos usados no tratamento de câncer.

A confusão entre os dois temas pode gerar alarme desnecessário. Por isso, a informação precisa ser tratada com responsabilidade. O caso dos medicamentos falsificados é um alerta nacional de vigilância sanitária. Já os imunizantes em Araguaína fazem parte de uma estratégia de saúde pública voltada ao combate à dengue.

Também é importante destacar que Araguaína não aplicou os lotes oncológicos citados no alerta da Anvisa, conforme não há qualquer informação oficial de aplicação desses medicamentos falsificados no município. A menção a Araguaína deve ser feita apenas no contexto dos imunizantes contra dengue, e não como local de aplicação dos remédios contra câncer falsificados.

A orientação para pacientes oncológicos é não interromper tratamentos por conta própria. Quem faz uso de Keytruda, Kadcyla ou outro medicamento de alto custo deve procurar a equipe médica, hospital, clínica ou serviço responsável para verificar lote, origem, embalagem e procedência do produto.

Pacientes e familiares também devem evitar qualquer compra por canais informais. Medicamentos oncológicos devem ser adquiridos e administrados por vias oficiais, com acompanhamento médico e controle sanitário.

No caso dos imunizantes contra dengue em Araguaína, a população deve acompanhar as orientações oficiais da Secretaria Municipal de Saúde, do Ministério da Saúde e dos órgãos de vigilância. Dúvidas sobre vacinação, aplicação, suspensão ou continuidade de doses devem ser esclarecidas diretamente nas unidades de saúde.

A Anvisa reforça que produtos suspeitos não devem ser utilizados. Serviços de saúde, distribuidores e unidades hospitalares devem conferir estoques, notas fiscais, lotes, números de série e características das embalagens. Qualquer irregularidade deve ser comunicada às autoridades sanitárias.

Lotes citados no alerta da Anvisa

Keytruda, pembrolizumabe: lote Y019149, número de série 100859110521

Kadcyla, trastuzumabe emtansina: lotes H6980H05 e H8249A43

O que a Anvisa determinou

Apreensão dos lotes falsificados

Proibição de venda

Proibição de distribuição

Proibição de uso

Alerta a serviços de saúde, distribuidores, hospitais, clínicas e pacientes

O que envolve Araguaína

Araguaína entrou no debate por causa da vacinação contra dengue com imunizante do Instituto Butantan.

Esse caso não tem relação direta com os medicamentos oncológicos falsificados.

Não há confirmação oficial de aplicação dos lotes falsificados de Keytruda ou Kadcyla em Araguaína.

O que pacientes devem fazer

Não interromper tratamento contra câncer sem orientação médica.

Conferir lote e procedência com a equipe de saúde.

Evitar medicamentos comprados fora de canais oficiais.

Comunicar suspeitas à vigilância sanitária.

No caso de vacina contra dengue, seguir apenas orientações oficiais das unidades de saúde.

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