Secretária de Saúde de Palmas é presa em operação que investiga contrato das UPAs

Secretária de Saúde de Palmas é presa em operação que investiga contrato das UPAs
Crédito: Divulgação
Ricardo Fernandes AlmeidaPor Ricardo Fernandes Almeida 10 de junho de 2026 0

Dhieine Caminski e superintendente da Semus foram alvos de nova fase da Operação Falsa Emergência, que apura suspeitas de irregularidades na terceirização das unidades de pronto atendimento da capital

A secretária municipal de Saúde de Palmas, Dhieine Caminski, foi presa na manhã desta quarta-feira, 10 de junho, durante uma operação da Polícia Civil do Tocantins que investiga suspeitas de irregularidades no contrato de terceirização das Unidades de Pronto Atendimento, UPAs Norte e Sul, da capital.

A ação faz parte de uma nova fase da Operação Falsa Emergência, que apura possíveis ilegalidades na formalização e execução da parceria envolvendo a Secretaria Municipal de Saúde de Palmas e a entidade responsável pela gestão das unidades.

Além de Dhieine Caminski, também foi preso o superintendente de Atenção à Saúde da Semus, Andreis Vicente da Costa. Segundo informações divulgadas pela imprensa local, a Polícia Civil também cumpria mandado de prisão contra Cláudia Fernanda Cândido da Silva, representante da Santa Casa de Misericórdia de Itatiba, entidade paulista ligada ao contrato investigado.

As ordens judiciais foram expedidas a pedido do Ministério Público do Tocantins e da Polícia Civil, dentro do inquérito que apura a contratação e a execução dos serviços nas UPAs da capital.

Operação Falsa Emergência

A Operação Falsa Emergência teve a primeira fase deflagrada no dia 21 de maio. Na ocasião, cerca de 50 policiais civis cumpriram 10 mandados de busca e apreensão em endereços ligados à Secretaria Municipal de Saúde de Palmas e aos investigados.

A investigação tem como foco possíveis irregularidades na terceirização da gestão das UPAs Norte e Sul, unidades essenciais para o atendimento de urgência e emergência da população palmense.

Segundo informações divulgadas sobre a primeira fase, o inquérito apura possíveis crimes de falsidade ideológica supostamente praticados por agentes públicos ligados à Semus. A suspeita é de que documentos ou informações possam ter sido inseridos de forma irregular no processo administrativo que embasou a contratação.

As investigações também analisam a atuação da Santa Casa de Misericórdia de Itatiba, entidade de São Paulo contratada para atuar na gestão das unidades de pronto atendimento.

O que está sob investigação

O centro da apuração é o processo de terceirização da gestão das UPAs de Palmas. A Polícia Civil e o Ministério Público buscam esclarecer se houve irregularidades na formalização da parceria, nos documentos apresentados, na justificativa da contratação, nos critérios utilizados e na execução do contrato.

As UPAs Norte e Sul são portas de entrada importantes para milhares de moradores que buscam atendimento em casos de urgência. Por isso, qualquer suspeita envolvendo a gestão dessas unidades tem impacto direto na população, especialmente em um momento em que usuários do SUS cobram melhorias na saúde pública da capital.

A investigação ainda está em andamento. Até a conclusão do caso, todos os citados têm direito à ampla defesa, ao contraditório e à presunção de inocência.

Prisão aumenta crise na saúde de Palmas

A prisão da secretária municipal de Saúde agrava a crise política e administrativa na área da saúde de Palmas. A Semus é uma das pastas mais sensíveis da gestão municipal, responsável por unidades básicas, UPAs, programas de atenção primária, regulação, campanhas de vacinação, assistência farmacêutica, saúde da família e serviços de urgência.

Dhieine Caminski ocupava o comando da pasta desde o início da atual gestão municipal e era responsável por conduzir políticas públicas consideradas estratégicas para a capital. Sua prisão coloca pressão imediata sobre a Prefeitura de Palmas, que terá de responder não apenas sobre o contrato investigado, mas também sobre a continuidade dos serviços de saúde.

A população cobra respostas claras. A investigação atinge uma área essencial, onde qualquer instabilidade administrativa pode refletir diretamente no atendimento ao cidadão.

UPAs no centro do debate

As UPAs Norte e Sul atendem diariamente moradores de diferentes regiões de Palmas. São unidades que recebem pacientes com febre, dor, crises respiratórias, acidentes, suspeitas de dengue, infecções, emergências clínicas e outros casos que exigem atendimento rápido.

Por isso, a terceirização da gestão das unidades já vinha sendo alvo de debates, questionamentos e cobrança por transparência. A nova fase da operação reforça a necessidade de esclarecer como o contrato foi firmado, quais critérios foram usados, quais valores estão envolvidos, quais serviços foram executados e se houve prejuízo aos cofres públicos ou ao atendimento da população.

Em casos envolvendo saúde pública, a gravidade não está apenas no aspecto administrativo. O impacto maior é social. Quando há suspeita de irregularidade em contrato de unidade de urgência, o cidadão quer saber se o dinheiro público foi corretamente aplicado e se o serviço prestado corresponde ao que foi contratado.

Prefeitura ainda deve se posicionar

O Diário Tocantinense solicita posicionamento da Prefeitura de Palmas e da Secretaria Municipal de Saúde sobre a prisão da secretária Dhieine Caminski, do superintendente Andreis Vicente da Costa e sobre os efeitos da operação no funcionamento das UPAs Norte e Sul.

A reportagem também questiona se haverá mudança no comando da Semus, se o contrato com a Santa Casa de Misericórdia de Itatiba será mantido, suspenso ou revisado, e quais medidas administrativas serão adotadas para garantir a continuidade dos atendimentos.

O espaço permanece aberto para manifestação da Prefeitura de Palmas, da Secretaria Municipal de Saúde, da defesa dos investigados e da entidade contratada.

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