Coletivo Somos rompe com Eduardo Siqueira após operação e expõe crise política dentro da Prefeitura de Palmas
A crise política dentro da Prefeitura de Palmas ganhou um novo capítulo com o rompimento do Coletivo Somos com a base do prefeito Eduardo Siqueira Campos. O anúncio foi feito após a repercussão da Operação Falsa Emergência, investigação da Polícia Civil do Tocantins que apura supostas irregularidades relacionadas à terceirização das Unidades de Pronto Atendimento da Capital.
A decisão marca a primeira ruptura pública de um grupo aliado da gestão desde o início do mandato e amplia o desgaste político do prefeito em meio à crise instalada na saúde municipal. O Coletivo Somos comunicou que deixa a base de apoio de Eduardo Siqueira na Câmara Municipal de Palmas e também sai da administração municipal.
A porta-voz do grupo, vereadora Thamires, afirmou que a decisão foi construída coletivamente e representa uma resposta aos últimos acontecimentos envolvendo a gestão. Segundo ela, o grupo permaneceu até aqui por acreditar que seria possível construir mudanças reais para Palmas, mas entendeu que a continuidade na base se tornou inviável.
“Muita gente nos perguntou nos últimos meses por que o Somos permaneceu até aqui na base da gestão do prefeito Eduardo Siqueira Campos. Permanecemos porque acreditávamos que era possível construir mudanças reais para a nossa cidade”, declarou Thamires.
Em outro trecho do pronunciamento, a vereadora reforçou o tom político da ruptura e afirmou que permanecer na base significaria abrir mão dos princípios que orientam o grupo.
“Existem momentos em que permanecer significa abrir mão daquilo que somos. E o Somos não nasceu para isso”, afirmou.
A saída ocorre em meio ao agravamento da crise na saúde de Palmas. A Operação Falsa Emergência teve nova fase nesta semana e resultou na prisão da secretária municipal de Saúde, Dhieine Caminski, e do superintendente de Atenção à Saúde, Andreis Vicente da Costa. A investigação apura possíveis irregularidades no processo de terceirização das UPAs da Capital.
O episódio aprofundou o desgaste da administração municipal e gerou forte repercussão política. A saúde, que já vinha sendo alvo de críticas e cobranças, passou a ocupar o centro da crise do governo Eduardo Siqueira.
Além de deixar a base na Câmara, o Coletivo Somos também anunciou a saída da gestão municipal por meio da Secretaria Extraordinária de Igualdade Racial e Direitos Humanos, ocupada por José Eduardo de Azevedo. A decisão retira o grupo de um espaço institucional dentro da Prefeitura e reforça o caráter político do rompimento.
Em comunicado, o coletivo afirmou que os últimos acontecimentos aprofundaram divergências políticas e administrativas que já vinham sendo discutidas internamente. Para o grupo, a permanência na base deixaria de representar coerência com as pautas defendidas durante a campanha e no exercício do mandato.
A partir de agora, o Coletivo Somos deve atuar de forma independente na Câmara Municipal de Palmas. A nova postura inclui fiscalização do Executivo, cobrança por transparência e defesa das bandeiras consideradas prioritárias pelo grupo.
O rompimento também altera o ambiente político no Legislativo municipal. Eduardo Siqueira perde um aliado que ajudava a compor sua base de sustentação e passa a enfrentar uma oposição mais ampla em um momento delicado da administração.
Nos bastidores, a decisão é interpretada como um sinal de que o desgaste provocado pela investigação na saúde pode gerar novas movimentações políticas. A saída do Somos pressiona outros vereadores e lideranças que ainda compõem a base do prefeito, especialmente diante da repercussão das prisões e das suspeitas envolvendo contratos ligados às UPAs.
A crise também atinge diretamente a imagem da Prefeitura de Palmas. A gestão terá que lidar, ao mesmo tempo, com a investigação policial, a cobrança por respostas na área da saúde e a perda de apoio político na Câmara.
Para a população, o episódio amplia a cobrança por explicações sobre a condução da saúde pública na Capital. As UPAs são unidades essenciais de atendimento e qualquer suspeita envolvendo terceirização, contratos ou gestão dos serviços provoca preocupação direta nos usuários do sistema.
O Coletivo Somos tenta se reposicionar politicamente como uma força independente, afastando-se da crise e buscando preservar sua identidade pública. Já Eduardo Siqueira terá o desafio de reorganizar a base, responder aos desdobramentos da operação e conter o desgaste político dentro e fora da Câmara.
A ruptura mostra que a crise da saúde deixou de ser apenas administrativa e passou a ter impacto direto na governabilidade municipal. A partir de agora, cada novo desdobramento da investigação pode ampliar a pressão sobre a Prefeitura e redefinir alianças dentro do Legislativo palmense.
O Diário Tocantinense segue acompanhando os desdobramentos da Operação Falsa Emergência, os impactos políticos na Prefeitura de Palmas e a nova posição do Coletivo Somos na Câmara Municipal.