Senado vota criação da Universidade Federal do Esporte e proposta pode abrir caminho para novos polos pelo país

Senado vota criação da Universidade Federal do Esporte e proposta pode abrir caminho para novos polos pelo país
Fernanda CappellessoPor Fernanda Cappellesso 16 de junho de 2026 0

Projeto prevê sede em Brasília, formação especializada em ciência do esporte e possibilidade de expansão para outros estados; Tocantins poderá disputar futuros campi e centros de pesquisa

BRASÍLIA — O Senado Federal deve analisar nesta terça-feira (16) o Projeto de Lei 6.133/2025, que cria a Universidade Federal do Esporte (UFEsporte), uma instituição pública voltada exclusivamente à formação, pesquisa, inovação e desenvolvimento científico na área esportiva. A proposta já foi aprovada pela Câmara dos Deputados e recebeu parecer favorável da Comissão de Esporte do Senado, sob relatoria da senadora Leila Barros (PDT-DF). Caso seja aprovada pelo plenário, seguirá para sanção presidencial.

A proposta é considerada inédita no país. Embora o Brasil possua cursos de Educação Física e centros de pesquisa espalhados por universidades públicas e privadas, nunca houve uma instituição federal criada especificamente para formar profissionais, produzir ciência e desenvolver tecnologia voltadas exclusivamente ao esporte.

O que muda na prática

Se aprovada, a UFEsporte terá sede em Brasília, mas o projeto autoriza a expansão gradual para outras unidades da federação por meio da criação de novos campi e polos especializados.

O objetivo é formar profissionais em áreas como:

  • Gestão esportiva;
  • Treinamento de atletas;
  • Ciência do esporte;
  • Fisiologia do exercício;
  • Nutrição esportiva;
  • Medicina esportiva;
  • Gestão de políticas públicas para o esporte;
  • Paradesporto;
  • Tecnologia aplicada ao alto rendimento.

A universidade também deverá atuar em pesquisa, extensão universitária e inovação tecnológica aplicada ao desenvolvimento esportivo.

O Brasil é potência esportiva sem uma universidade do esporte

O debate que impulsiona a proposta parte de uma contradição.

O Brasil figura entre as maiores potências esportivas do mundo, acumula medalhas olímpicas, possui uma das maiores indústrias do futebol do planeta e movimenta bilhões de reais por ano no setor esportivo.

Mesmo assim, a formação acadêmica relacionada ao esporte permanece dispersa entre universidades, institutos federais e centros de treinamento.

Defensores da proposta argumentam que países que lideram o esporte mundial investem há décadas em estruturas acadêmicas específicas para pesquisa de desempenho, medicina esportiva, gestão e inovação tecnológica aplicada ao treinamento de atletas.

Tocantins pode entrar no radar

Embora a sede inicial esteja prevista para Brasília, a possibilidade de expansão nacional abre uma discussão importante para estados como o Tocantins.

O texto aprovado prevê a criação gradual de unidades fora do Distrito Federal, permitindo que futuras decisões do governo federal possam contemplar outras regiões do país.

Especialistas apontam que estados que já desenvolvem projetos de iniciação esportiva, programas de rendimento e parcerias com universidades públicas podem ter vantagens em futuras disputas por investimentos e instalações da instituição.

No caso tocantinense, projetos ligados ao esporte escolar, aos Jogos Estudantis, ao atletismo, ao paradesporto e às modalidades praticadas em regiões indígenas podem se tornar áreas estratégicas para futuras cooperações acadêmicas.

Formação de atletas e profissionais

Um dos focos centrais da universidade será a produção de conhecimento científico aplicado ao esporte.

Hoje, muitos atletas brasileiros de alto rendimento dependem de pesquisas desenvolvidas em centros espalhados pelo país. A proposta busca concentrar parte desse conhecimento em uma instituição nacional especializada.

O projeto também prevê atenção à inclusão social, à equidade de gênero, à formação de gestores esportivos e ao fortalecimento do paradesporto.

Por que o projeto gera expectativa

A criação da universidade ocorre em um momento de expansão do debate sobre esporte como política pública.

Além da formação de atletas, estudos apontam que a prática esportiva contribui para redução da evasão escolar, prevenção de doenças, inclusão social e melhoria da qualidade de vida.

Para os defensores da proposta, a UFEsporte pode se transformar em um centro nacional de excelência semelhante ao que instituições federais representam hoje para áreas como agricultura, saúde e tecnologia.

Para os críticos, o desafio será garantir orçamento, infraestrutura e evitar sobreposição com cursos já existentes em universidades federais.

O que acontece agora

O projeto será analisado pelo plenário do Senado nesta terça-feira. Se aprovado sem alterações, seguirá diretamente para sanção do presidente da República.

O que prevê a Universidade Federal do Esporte

Nome: Universidade Federal do Esporte (UFEsporte)

Projeto: PL 6.133/2025

Sede inicial: Brasília (DF)

Possibilidade de expansão: Sim, para outros estados

Áreas de atuação:

  • Ciência do esporte
  • Treinamento esportivo
  • Gestão esportiva
  • Políticas públicas
  • Paradesporto
  • Pesquisa e inovação

Situação atual: Em votação no Senado Federal

Próximo passo: Sanção presidencial, caso seja aprovada pelo plenário.

Notícias relacionadas