Dorinha defende fim da escala 6×1 e amplia debate sobre jornada de trabalho no país
Senadora afirma que discussão deve equilibrar qualidade de vida dos trabalhadores e segurança para os setores produtivos; proposta aguarda análise do Senado
A senadora Professora Dorinha Seabra (União Brasil-TO) manifestou apoio à Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/2019, que prevê o fim da escala de trabalho 6×1 e já foi aprovada pela Câmara dos Deputados. O texto agora será analisado pelo Senado Federal e promete reacender um dos debates mais relevantes sobre as relações de trabalho no Brasil.
A proposta busca alterar o modelo tradicional adotado por diversos setores da economia, especialmente comércio, serviços e atividades operacionais, nos quais o trabalhador atua durante seis dias consecutivos para ter apenas um dia de descanso.
Para Dorinha, a discussão precisa ir além dos impactos econômicos e considerar também questões relacionadas à saúde física, ao bem-estar e à qualidade de vida dos trabalhadores.
“É um tema que merece ser discutido com responsabilidade e diálogo. Precisamos construir soluções que valorizem os trabalhadores e, ao mesmo tempo, garantam segurança para os setores produtivos”, afirmou a senadora.
A manifestação ocorre em um momento de crescimento do debate nacional sobre novas formas de organização do trabalho. Nos últimos anos, países da Europa e da América do Norte passaram a testar modelos com jornadas reduzidas, semanas de quatro dias e mecanismos voltados ao aumento da produtividade aliado à melhoria da qualidade de vida.
Mudanças dividem especialistas
A discussão sobre o fim da escala 6×1 envolve diferentes perspectivas econômicas e sociais. Defensores da proposta argumentam que jornadas mais equilibradas podem contribuir para reduzir casos de estresse, adoecimento ocupacional e afastamentos relacionados à saúde mental.
Por outro lado, representantes de alguns segmentos empresariais defendem que eventuais mudanças precisam ser implementadas de forma gradual para evitar impactos sobre custos operacionais, contratações e funcionamento de determinados setores.
Dorinha avalia que o Congresso deve conduzir o debate ouvindo trabalhadores, empregadores, entidades produtivas e especialistas.
“Precisamos construir um modelo equilibrado, que acompanhe as transformações do mercado de trabalho e preserve tanto os direitos dos trabalhadores quanto a competitividade das empresas”, destacou.
A parlamentar afirma que acompanha há anos discussões relacionadas à modernização das relações trabalhistas e considera que a evolução tecnológica e as mudanças no perfil das atividades econômicas exigem novas reflexões sobre a organização das jornadas.
Tema ganha força no Congresso
O avanço da proposta na Câmara colocou o assunto entre os mais debatidos nas redes sociais e em entidades representativas de trabalhadores. Pesquisas recentes mostram que o equilíbrio entre vida profissional e pessoal passou a ocupar posição cada vez mais relevante entre as demandas da população economicamente ativa.
Caso seja aprovada pelo Senado, a PEC poderá promover uma das maiores mudanças nas relações de trabalho desde a reforma trabalhista de 2017.
Para Dorinha, a discussão não deve ser encarada apenas sob a ótica da carga horária.
“O debate envolve produtividade, inovação, saúde e qualidade de vida. Precisamos pensar em um modelo que dialogue com os desafios do presente e do futuro”, afirmou.
A expectativa é que a proposta avance nas comissões temáticas do Senado nos próximos meses, quando representantes do setor produtivo, especialistas e trabalhadores deverão ser ouvidos antes da votação em plenário.