PF revela estrutura do grupo de Vorcaro, expõe núcleo de hackers, policiais e operadores; Mauro Mendes aparece em apurações paralelas
A Polícia Federal ampliou as investigações da Operação Compliance Zero e apresentou ao Supremo Tribunal Federal (STF) elementos que apontam a existência de uma suposta organização criminosa estruturada em diferentes núcleos, envolvendo operadores financeiros, policiais, especialistas em tecnologia e agentes políticos. Segundo a investigação, o grupo é suspeito de atuar em crimes como corrupção, lavagem de dinheiro, organização criminosa e delitos contra o sistema financeiro.
No centro das apurações está o empresário Daniel Vorcaro, apontado pelos investigadores como uma das principais figuras da estrutura investigada. A Polícia Federal sustenta que o grupo possuía divisão de tarefas e atuava por meio de operadores financeiros, articuladores e pessoas responsáveis pela obtenção de informações estratégicas.
A investigação alcançou também o núcleo político. O senador Ciro Nogueira foi alvo de mandado de busca e apreensão autorizado pelo ministro do STF André Mendonça. Segundo a PF, existem suspeitas de que o parlamentar teria atuado em favor de interesses ligados ao Banco Master em troca de vantagens indevidas, tese que segue sob investigação.
Também foram alvos da operação Felipe Cançado Vorcaro, Raimundo Neto e Silva Nogueira Lima, irmão do senador. A decisão judicial determinou ainda o bloqueio de bens e valores para garantir eventual ressarcimento ao erário em caso de condenação futura.
Entre os agentes políticos mencionados em diferentes fases e desdobramentos da investigação aparecem o governador de Mato Grosso, Mauro Mendes, o ex-governador do Distrito Federal Ibaneis Rocha e a governadora do Distrito Federal Celina Leão. Até o momento, os documentos públicos não os apontam como integrantes dos núcleos financeiro, operacional ou tecnológico descritos pela Polícia Federal.
Segundo os investigadores, a organização possuía ainda um núcleo operacional composto por policiais e colaboradores responsáveis pela obtenção de informações sigilosas e monitoramento de alvos, além de um núcleo tecnológico formado por especialistas em crimes cibernéticos. A PF apura suspeitas de acessos indevidos a sistemas públicos e privados para obtenção de dados considerados estratégicos.
Ouvido pelo Diário Tocantinense, o advogado criminalista Leonardo Pantaleão, especialista em organizações criminosas, afirma que a divisão de funções descrita pelos investigadores demonstra elevado grau de sofisticação. Segundo ele, estruturas com núcleos financeiro, operacional e tecnológico são características de organizações complexas que buscam ampliar sua capacidade de atuação e dificultar a identificação dos responsáveis.
Também ouvido pelo Diário Tocantinense, o especialista em segurança digital Wanderson Castilho avalia que a presença de um núcleo voltado para tecnologia e obtenção de dados é um dos aspectos mais sensíveis da investigação, principalmente diante das suspeitas de acesso indevido a informações protegidas.
As investigações continuam em andamento no Supremo Tribunal Federal e novas diligências não estão descartadas. Até o momento, não há condenação definitiva dos investigados.
O que diz a defesa
A defesa do senador Ciro Nogueira nega qualquer irregularidade e afirma que o parlamentar não praticou atos ilícitos. Os advogados sustentam que ele está à disposição das autoridades para prestar esclarecimentos e que a inocência será demonstrada ao longo do processo.
Até a publicação desta reportagem, não foram localizados posicionamentos públicos atualizados de outros citados especificamente sobre os fatos descritos nesta fase da investigação.
Espaço reservado: O Diário Tocantinense mantém espaço aberto para manifestações de Daniel Vorcaro, Ciro Nogueira, Mauro Mendes, Ibaneis Rocha, Celina Leão e demais pessoas mencionadas nesta reportagem. Eventuais posicionamentos serão publicados assim que encaminhados à redação.