Solstício marca início do inverno no Brasil, mas calor deve continuar no Tocantins
Enquanto imagens de praias lotadas e festivais de verão tomam conta das redes sociais na Europa e nos Estados Unidos, muitos brasileiros se perguntam por que o inverno começou oficialmente no país. A resposta está em um fenômeno astronômico conhecido como solstício, ocorrido no último fim de semana e responsável por marcar o início do verão no Hemisfério Norte e do inverno no Hemisfério Sul.
O fenômeno acontece porque a Terra possui uma inclinação de aproximadamente 23,5 graus em relação ao Sol. Durante o solstício de junho, o Hemisfério Norte fica mais inclinado em direção à estrela, recebendo maior quantidade de luz solar e registrando o dia mais longo do ano. No Hemisfério Sul ocorre o contrário: os dias ficam mais curtos e as noites mais longas, marcando o início do inverno astronômico.
Segundo o astrônomo norte-americano Joe Rao, colaborador da revista especializada Live Science, o fenômeno não está relacionado à distância entre a Terra e o Sol, mas à inclinação do planeta. Em artigo publicado pela revista, o especialista explica que as estações do ano são resultado direto do ângulo com que os raios solares atingem cada hemisfério ao longo da órbita terrestre.
Inverno sem frio
Apesar da mudança oficial da estação, moradores do Tocantins e de grande parte da região Norte não devem esperar temperaturas típicas do inverno observado no Sul do país.
A explicação está nas características climáticas da região. Nesta época do ano, o estado entra no período seco, marcado por longos intervalos sem chuva, temperaturas elevadas durante o dia e queda significativa da umidade relativa do ar.
O meteorologista e pesquisador Alexandre Nascimento, entrevistado em diferentes reportagens sobre o clima do Centro-Norte brasileiro, explica que o inverno na região é definido mais pela redução das chuvas do que pela queda das temperaturas.
Na prática, isso significa que os termômetros podem continuar acima dos 30°C mesmo durante a estação considerada mais fria do ano.
Atenção para a saúde
A combinação entre calor e baixa umidade aumenta a preocupação das autoridades de saúde. Crianças, idosos e pessoas com doenças respiratórias estão entre os grupos mais vulneráveis.
De acordo com orientações frequentemente divulgadas pelo Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) e pela Defesa Civil, a população deve reforçar a hidratação, evitar atividades físicas nos horários mais quentes do dia e manter ambientes umidificados sempre que possível.
A baixa umidade também favorece irritações nos olhos, sangramentos nasais e agravamento de quadros de asma e bronquite.
Risco de queimadas
Outro efeito típico do período é o aumento do risco de incêndios florestais. Com a vegetação mais seca e a ausência de chuvas por períodos prolongados, qualquer foco de fogo pode se espalhar rapidamente.
Dados de órgãos ambientais mostram que os meses de julho, agosto e setembro concentram grande parte dos registros de queimadas no Cerrado. Especialistas alertam que a combinação entre calor, ventos e baixa umidade cria condições favoráveis para a propagação das chamas.
Além dos prejuízos ambientais, os incêndios afetam a qualidade do ar e podem provocar impactos diretos na saúde da população.
Dias começam a ficar maiores
Embora o inverno tenha começado oficialmente, o solstício também marca uma mudança pouco percebida pela maioria das pessoas: a partir de agora, os dias começam a ganhar minutos de luz gradualmente no Hemisfério Sul.
Segundo cálculos astronômicos internacionais, o solstício representa justamente o dia com menor duração de luz solar do ano. A partir dele, o período de iluminação aumenta lentamente até a chegada do verão, em dezembro.
Para os especialistas, o fenômeno é mais uma demonstração de como a posição da Terra no espaço influencia diretamente o cotidiano das pessoas, desde as temperaturas registradas em cada região até atividades econômicas, agrícolas e ambientais que dependem do comportamento das estações.