“Dados manipulados induzem eleitorado ao erro”, diz Justiça Eleitoral ao condenar Tom Belarmino por pesquisa falsa

“Dados manipulados induzem eleitorado ao erro”, diz Justiça Eleitoral ao condenar Tom Belarmino por pesquisa falsa
Crédito: -Waldemir-Barreto
Ricardo Fernandes AlmeidaPor Ricardo Fernandes Almeida 24 de junho de 2026 0

A Justiça Eleitoral do Tocantins condenou o ex-prefeito de Pedro Afonso, Tom Belarmino, ao pagamento de multa de R$ 53,2 mil pela divulgação de uma pesquisa eleitoral falsa em seu perfil na rede social X, antigo Twitter. A decisão também determinou o envio de cópias do processo ao Ministério Público Eleitoral para possível apuração criminal do caso.

Tom Belarmino é apontado como apoiador político do deputado federal e pré-candidato ao Governo do Tocantins, Vicentinho Júnior. A ação foi apresentada pela Federação União Progressista, formada pelos partidos União Brasil e Progressistas.

A decisão foi proferida pela juíza auxiliar de Propaganda do Tribunal Regional Eleitoral do Tocantins, desembargadora Silvana Maria Parfieniuk, e disponibilizada nesta terça-feira, 23.

Segundo consta no processo, no dia 10 de junho, Tom Belarmino publicou dados que simulavam o resultado de uma pesquisa eleitoral para a disputa ao Governo do Tocantins, colocando seu pré-candidato à frente. A divulgação do levantamento original, no entanto, já estava suspensa por decisão judicial.

Além disso, o Instituto Paraná Pesquisas informou que os dados divulgados na internet pelo ex-prefeito eram falsos. A Justiça Eleitoral entendeu que houve manipulação de informações e uso indevido de referência ligada a uma pesquisa registrada.

Ao analisar o caso, a magistrada classificou a conduta como grave. “A divulgação de dados manipulados e fictícios atrelados a um número de protocolo original reveste-se de gravidade ainda maior, pois usurpa a credibilidade institucional da Justiça Eleitoral para induzir o eleitorado a erro, cristalizando cenários artificiais”, afirmou a desembargadora na decisão.

Além da multa aplicada, o ex-prefeito poderá responder também na esfera criminal. Seguindo manifestação da Procuradoria Regional Eleitoral do Tocantins, a Justiça determinou o envio de cópias do processo à Promotoria da 29ª Zona Eleitoral para avaliar possível cometimento dos crimes de desobediência e divulgação de pesquisa fraudulenta.

O Instituto Paraná Pesquisas foi isentado de responsabilidade no caso. A Justiça acolheu o argumento de que a empresa teve sua marca utilizada de forma indevida e foi vítima da manipulação de dados por terceiros, sem qualquer vínculo com Tom Belarmino. O próprio ex-prefeito teria admitido, no processo, que não havia relação com o instituto.

A decisão reforça o entendimento da Justiça Eleitoral de que a divulgação de pesquisas falsas pode afetar o equilíbrio do processo eleitoral, induzir o eleitorado ao erro e criar cenários artificiais de disputa.

O Diário Tocantinense deixa espaço aberto para manifestação de Tom Belarmino, de sua defesa, do deputado federal Vicentinho Júnior e de sua assessoria. Caso haja posicionamento, a matéria poderá ser atualizada.

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