Frio na barriga ou sinal de alerta? Especialistas explicam quando a ansiedade deixa de ser normal

Frio na barriga ou sinal de alerta? Especialistas explicam quando a ansiedade deixa de ser normal
Fernanda CappellessoPor Fernanda Cappellesso 24 de junho de 2026 0

 

Antes de viagens, entrevistas de emprego, provas ou decisões importantes, expectativa faz parte da vida. O problema surge quando o medo passa a controlar a rotina, afeta o sono e provoca sofrimento constante

 

Quem nunca perdeu o sono antes de uma entrevista de emprego, sentiu o coração acelerar às vésperas de uma viagem ou ficou inquieto aguardando o resultado de um exame médico? Situações como essas fazem parte da vida e costumam ser associadas à ansiedade. Mas especialistas alertam que nem toda sensação de apreensão representa um transtorno.

A diferença entre expectativa e ansiedade tem sido tema frequente nos consultórios, especialmente em um cenário marcado por excesso de informações, hiperconectividade e pressão constante por desempenho.

Em entrevista ao Diário de Aparecida, o psiquiatra XXX explica que a expectativa é uma resposta natural do organismo diante de algo importante que está prestes a acontecer.

“Ela tem começo, meio e fim. A pessoa fica mais atenta, mais preparada e mais concentrada porque existe um evento específico no horizonte. Isso é normal e faz parte do funcionamento saudável do cérebro”, afirma.

Segundo o especialista, o problema surge quando a preocupação deixa de estar ligada a uma situação concreta e passa a ocupar espaço permanente na vida da pessoa.

“A ansiedade patológica provoca sofrimento, interfere na rotina e muitas vezes permanece mesmo quando não existe um motivo objetivo que justifique aquele nível de preocupação”, explica.

Quando o corpo começa a dar sinais

A ansiedade não afeta apenas os pensamentos.

De acordo com a psicóloga XXX, ouvida pelo Diário de Aparecida, os sintomas físicos costumam ser um dos primeiros sinais de alerta.

“Aceleração dos batimentos cardíacos, sensação de falta de ar, tensão muscular, irritabilidade, dificuldade de concentração, alterações no apetite e problemas para dormir estão entre as manifestações mais comuns”, afirma.

Segundo ela, o aumento dos casos tem sido observado em diferentes faixas etárias.

Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) apontam que o Brasil está entre os países com maior prevalência de transtornos de ansiedade no mundo. Estimativas indicam que mais de 18 milhões de brasileiros convivem com algum tipo de transtorno ansioso.

Quando a expectativa vira crise

A auxiliar administrativa Ana Paula Oliveira, de 38 anos, moradora de Aparecida de Goiânia, conta que durante anos acreditou que vivia apenas momentos de nervosismo.

“Eu achava que era normal. Começou com preocupação excessiva antes de reuniões no trabalho. Depois vieram noites sem dormir, sensação de falta de ar e crises de choro. Quando percebi, aquilo já estava afetando minha vida inteira”, relata.

Ela procurou ajuda profissional após uma crise ocorrida dentro do próprio ambiente de trabalho.

“Foi quando entendi que não era apenas expectativa. Era algo que precisava de tratamento”, diz.

Hábitos fazem diferença

Segundo o clínico geral XXX, pequenas mudanças de comportamento podem ajudar no controle dos sintomas.

“Prática regular de atividade física, rotina adequada de sono, alimentação equilibrada, redução do tempo de exposição às telas e exercícios de respiração costumam apresentar bons resultados”, afirma.

No entanto, ele alerta que essas estratégias não substituem avaliação médica quando os sintomas se tornam frequentes.

Hora de procurar ajuda

Especialistas recomendam buscar atendimento profissional quando a preocupação se torna constante, interfere nas relações pessoais, prejudica o trabalho ou os estudos e provoca sintomas físicos recorrentes.

“O principal critério é o sofrimento. Quando a ansiedade deixa de ser uma reação passageira e começa a limitar a vida da pessoa, é hora de procurar ajuda”, resume o psiquiatra XXX.

Para os especialistas, sentir frio na barriga antes de um desafio é natural. O sinal de alerta aparece quando o medo deixa de ser passageiro e passa a comandar a rotina.

 

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