Reindustrialização desafia o Brasil e abre oportunidades para o Tocantins
Depois de décadas perdendo participação na economia nacional, a indústria brasileira voltou ao centro das discussões sobre desenvolvimento econômico. A busca por maior competitividade, inovação e geração de empregos ganhou novo impulso com políticas voltadas à reindustrialização do país. Para especialistas, o desafio agora é transformar investimentos em produtividade, tecnologia e agregação de valor à produção nacional.
A estratégia ganhou força com o lançamento da Nova Indústria Brasil (NIB), programa do governo federal que prevê R$ 300 bilhões em financiamentos até 2026 para incentivar inovação, transformação digital, sustentabilidade e fortalecimento das cadeias produtivas.
Para o economista Michel Pereira, a retomada da indústria é indispensável para que o Brasil volte a crescer de forma sustentável.
“Não existe desenvolvimento econômico sólido sem uma indústria forte. Os países que hoje lideram a economia mundial investiram durante décadas em inovação, tecnologia, pesquisa e aumento da produtividade. O Brasil possui capacidade para competir, mas precisa criar um ambiente mais favorável ao investimento, reduzir custos, ampliar a infraestrutura e investir na qualificação da mão de obra”, afirma.
Segundo Michel Pereira, a indústria possui capacidade de movimentar praticamente todos os demais setores da economia.
“Quando uma indústria cresce, ela demanda transporte, logística, energia, tecnologia, serviços especializados e fornecedores. O efeito multiplicador é muito maior do que em diversos outros segmentos, gerando empregos de melhor remuneração e aumentando a arrecadação.”
Tocantins reúne potencial para ampliar sua participação
Embora a economia tocantinense tenha forte ligação com o agronegócio, especialistas avaliam que o estado reúne condições favoráveis para ampliar sua base industrial.
A localização estratégica, a expansão da produção agrícola, a disponibilidade de áreas para novos empreendimentos e a Ferrovia Norte-Sul são apontadas como fatores que podem atrair investimentos.
Na avaliação de Michel Pereira, o principal desafio é agregar valor ao que já é produzido no estado.
“O Tocantins produz muito, mas ainda exporta boa parte dessa produção como matéria-prima. Industrializar alimentos, biocombustíveis e outros produtos significa gerar empregos, aumentar a renda local e fortalecer a economia regional.”
Competitividade depende de vários fatores
Para o economista, a retomada da indústria exige um conjunto de políticas públicas e investimentos privados.
Entre as prioridades estão a modernização da infraestrutura logística, a simplificação tributária, a ampliação do acesso ao crédito, o incentivo à inovação, a segurança jurídica e a formação de profissionais qualificados.
“A indústria moderna está baseada em tecnologia, automação, inteligência artificial e digitalização dos processos produtivos. O Brasil precisa acompanhar essa transformação para aumentar sua competitividade internacional.”
Segundo ele, a chamada Indústria 4.0 já deixou de ser tendência para se tornar uma necessidade.
“As empresas que investem em inovação conseguem produzir mais, reduzir desperdícios, aumentar a eficiência e competir melhor tanto no mercado interno quanto no exterior.”
Desenvolvimento regional
Michel Pereira destaca que estados em expansão econômica, como o Tocantins, podem aproveitar esse momento para diversificar sua economia.
“Quando conseguimos transformar a produção local em produtos industrializados, criamos riqueza dentro do próprio estado. Isso fortalece as cadeias produtivas, amplia a arrecadação e melhora a distribuição de renda.”
Para o economista, o fortalecimento da indústria brasileira depende da combinação entre planejamento de longo prazo, investimentos em infraestrutura, estímulo à inovação e segurança para quem deseja empreender.
“Reindustrializar o Brasil não significa apenas construir novas fábricas. Significa aumentar a produtividade, gerar empregos qualificados, incorporar tecnologia e criar condições para que estados como o Tocantins se tornem protagonistas desse novo ciclo de desenvolvimento”, conclui.