“Não fui preso, não fui detido e sofri racismo”, diz prefeito de Carmolândia após confusão em voo; Latam fala em comportamento indisciplinado

“Não fui preso, não fui detido e sofri racismo”, diz prefeito de Carmolândia após confusão em voo; Latam fala em comportamento indisciplinado
Douglas Oliveira
Ricardo Fernandes AlmeidaPor Ricardo Fernandes Almeida 2 de junho de 2026 0

O prefeito de Carmolândia, Douglas Oliveira, do União Brasil, se manifestou após se envolver em uma confusão durante o embarque de um voo da Latam que sairia do Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo, com destino a Palmas. O caso ocorreu na noite de domingo, 31 de maio de 2026, e teria provocado atraso de aproximadamente cinco horas na decolagem da aeronave.

O voo LA3394 tinha previsão de saída às 23h35, mas só decolou por volta das 4h30 da madrugada de segunda-feira, 1º de junho, após o impasse envolvendo o gestor, o acionamento da Polícia Federal e a substituição da tripulação.

A Latam informou que solicitou apoio da Polícia Federal antes da decolagem em razão de comportamento considerado indisciplinado de um passageiro. A companhia afirmou ainda que adotou os protocolos de segurança operacional e lamentou os transtornos causados aos passageiros.

“A Latam lamenta os transtornos causados e reitera que adota todas as medidas de segurança técnicas e operacionais para garantir uma viagem segura para todos”, informou a empresa em nota.

A versão do prefeito, no entanto, é diferente da apresentada pela companhia aérea. Douglas Oliveira nega ter causado tumulto, afirma que não foi preso nem detido e diz que a situação começou por causa de um desencontro de informações envolvendo uma cirurgia recente pela qual havia passado.

Além disso, o prefeito afirmou ter sido vítima de racismo durante o episódio. Segundo ele, o tratamento recebido foi desproporcional e a situação será levada às autoridades competentes para apuração.

“Não fui preso, não fui detido. Eu fui vítima de uma situação constrangedora e também de racismo. Vou buscar meus direitos e registrar tudo o que aconteceu”, afirmou o prefeito.

O caso ganhou ainda mais repercussão após o humorista Leo Lins criticar o gestor nas redes sociais. Conhecido por comentários ácidos e polêmicos, Leo Lins ironizou a situação envolvendo o prefeito e acabou ampliando o debate em torno do episódio. A manifestação do humorista dividiu opiniões: enquanto parte dos internautas criticou a conduta atribuída ao prefeito, outros defenderam que a denúncia de racismo feita por Douglas Oliveira precisa ser tratada com seriedade e apurada antes de qualquer julgamento público.

A entrada de Leo Lins na repercussão colocou o caso em uma dimensão ainda maior, saindo do noticiário político e regional para o ambiente das celebridades, do humor e das redes sociais. O episódio passou a circular não apenas pela suposta confusão no embarque, mas também pela forma como figuras públicas reagiram ao relato do prefeito.

Segundo Douglas Oliveira, ele estava em recuperação médica e enfrentava dificuldades de locomoção. O prefeito relatou que o voo original para Palmas estava previsto para 15h35, mas que perdeu o embarque após chegar ao portão quando o procedimento já estava sendo finalizado. Ele afirma que, naquele momento, informou à companhia sobre a cirurgia, mas não teria sido orientado sobre a necessidade de apresentar autorização médica específica para viajar.

“Estou me recuperando de uma cirurgia recente. Caminho mais devagar e precisei passar por todos os procedimentos de segurança do aeroporto. Quando cheguei ao portão de embarque, eles já estavam finalizando o processo e fechando as portas”, relatou o prefeito.

Douglas Oliveira afirma que pediu apenas a remarcação da passagem para outro horário e foi transferido para o voo das 23h35. De acordo com ele, após aguardar no aeroporto, retornou para o novo embarque, quando a situação se agravou.

O prefeito disse que, por ainda estar em recuperação, pediu para permanecer sentado por mais alguns instantes, evitando ficar em pé por muito tempo no corredor de acesso à aeronave. Foi nesse momento, segundo ele, que funcionários da companhia passaram a questionar a cirurgia e solicitar documentação médica autorizando a viagem.

“Eu informei espontaneamente que havia feito uma cirurgia recente e pedi para permanecer sentado por mais alguns instantes, porque não queria ficar muito tempo em pé naquele corredor lotado”, afirmou.

Ainda conforme a versão do prefeito, ele teria apresentado mensagens trocadas com seu médico e pedido tempo para reunir a documentação exigida. Douglas afirma que recebeu autorização para providenciar o documento, mas, antes de concluir o envio, foi informado de que o portão seria fechado.

O ponto de maior tensão ocorreu quando o gestor tentou impedir o encerramento do embarque. Segundo relatos atribuídos ao registro da Polícia Federal, o passageiro teria colocado o pé na entrada da aeronave para impedir o fechamento da porta enquanto aguardava o atestado médico. O prefeito contesta a interpretação de que tenha causado tumulto e sustenta que tentava apenas concluir uma exigência feita no momento do embarque.

“Eu disse que não poderiam simplesmente me deixar para trás. Já havia perdido um voo naquele mesmo dia e precisava estar em Palmas na manhã seguinte para cumprir compromissos oficiais”, disse Douglas Oliveira.

O prefeito também afirmou que chegou a entrar na aeronave, ocupou normalmente seu assento e, em seguida, recebeu o documento solicitado pelo médico. Segundo ele, ao tentar apresentar o atestado, foi informado de que já não seria mais possível permanecer no voo.

“Quando o documento chegou, eu fui apresentá-lo aos funcionários. Achei que o problema estava resolvido. Mas me disseram que o documento já não servia mais e que eu teria que deixar a aeronave”, declarou.

Com o impasse, a Polícia Federal foi acionada. Douglas Oliveira afirmou que conversou com os agentes, prestou esclarecimentos e negou qualquer resistência à atuação policial. “Eu não fui preso, não fui detido e não assinei nenhum termo para ser liberado. Fui prestar esclarecimentos sobre os fatos, assim como os demais envolvidos”, afirmou o prefeito.

A Latam, por sua vez, manteve a versão de que o desembarque ocorreu por comportamento indisciplinado e reforçou que os procedimentos adotados tiveram como objetivo garantir a segurança do voo, da tripulação e dos passageiros.

Sobre a acusação de racismo feita pelo prefeito, a companhia ainda não apresentou, até o fechamento desta matéria, uma manifestação específica além da nota geral sobre o episódio. O espaço permanece aberto para novo posicionamento.

O caso gerou forte repercussão no Tocantins por envolver um prefeito em exercício, uma companhia aérea nacional, a Polícia Federal, um atraso significativo em um voo com destino à capital Palmas e, agora, a manifestação crítica de uma figura nacional do humor.

Até o momento, há versões divergentes sobre o episódio. De um lado, a companhia aérea sustenta que seguiu protocolos de segurança após comportamento inadequado de passageiro. De outro, o prefeito afirma que houve falha de comunicação, que estava em recuperação de cirurgia, que apenas tentava apresentar a documentação médica exigida e que teria sido vítima de racismo.

O caso deve continuar repercutindo e poderá ser esclarecido com a análise dos registros da Polícia Federal, imagens do aeroporto, documentos médicos, depoimentos de funcionários da companhia, passageiros e do próprio prefeito.

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