Michelle Bolsonaro é convencida a permanecer no PL e disputa ao Senado segue no radar
A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro decidiu permanecer no Partido Liberal, após uma crise interna que quase levou à sua saída da legenda e colocou em dúvida sua pré-candidatura ao Senado pelo Distrito Federal. A permanência ocorreu depois de uma articulação conduzida por duas aliadas próximas: a governadora do Distrito Federal, Celina Leão, do Progressistas, e a senadora Damares Alves, do Republicanos.
A crise ganhou força após o desgaste público entre Michelle e o senador Flávio Bolsonaro, filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro. O atrito teve origem em divergências sobre estratégias eleitorais do PL, especialmente no Ceará, onde Michelle se posicionou contra articulações do partido em torno de uma aproximação com Ciro Gomes. Flávio, por outro lado, defendia uma composição política considerada estratégica por parte da legenda.
O episódio saiu dos bastidores quando Michelle publicou vídeos nas redes sociais afirmando que havia sido “humilhada”, “maltratada” e “desrespeitada” pelo enteado. A ex-primeira-dama disse que se sentiu excluída das decisões partidárias e que sua atuação política não vinha sendo reconhecida dentro do próprio grupo.
A fala de Michelle provocou uma divisão no campo da direita. Parte dos aliados saiu em defesa de Flávio Bolsonaro, enquanto lideranças femininas e nomes próximos à ex-primeira-dama manifestaram apoio a ela. Entre os nomes que se posicionaram ao lado de Michelle estavam Damares Alves e Celina Leão, que passaram a ter papel importante na tentativa de pacificar o ambiente político.
Na terça-feira, 30 de junho, Michelle se reuniu com o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, na sede do partido, em Brasília. Durante a conversa, ela comunicou que deixaria a presidência nacional do PL Mulher, cargo que ocupava como uma das principais lideranças femininas da legenda.
Em nota, Michelle afirmou que tomou a decisão após refletir com Jair Bolsonaro sobre o momento vivido pela família. Segundo ela, a saída do comando do PL Mulher tinha como objetivo se dedicar integralmente aos cuidados com o marido e com a filha.
Apesar da justificativa familiar, a movimentação ocorreu em meio a forte desgaste político. Segundo relatos de bastidores, Michelle chegou a ameaçar se desfiliar do PL durante a conversa com Valdemar. O presidente da sigla teria pedido que ela repensasse a decisão e evitasse uma ruptura naquele momento.
A eventual saída de Michelle do PL teria impacto direto na disputa de 2026. Caso deixasse a legenda, a pré-candidatura ao Senado pelo Distrito Federal também ficaria comprometida. Por isso, aliados passaram a agir rapidamente para evitar que a crise se transformasse em uma ruptura definitiva.
Depois da reunião com Valdemar, Michelle seguiu para o Palácio do Buriti, sede do Governo do Distrito Federal. Lá, encontrou-se com a governadora Celina Leão e com a senadora Damares Alves. As duas atuaram para convencer a ex-primeira-dama a permanecer no partido e, pelo menos por enquanto, limitar a decisão à saída da presidência do PL Mulher.
A conversa com Celina e Damares foi considerada decisiva por aliados. Michelle teria chegado ao encontro ainda disposta a deixar o PL, mas saiu convencida a permanecer filiada. A leitura feita por pessoas próximas é que a saída do comando do PL Mulher funciona, neste momento, como uma forma de reduzir a exposição e ganhar tempo para reorganizar o projeto eleitoral.
A disputa ao Senado, segundo aliadas, segue mantida no radar. Michelle não anunciou desistência da pré-candidatura e continua sendo tratada como uma peça importante no tabuleiro político do Distrito Federal. A avaliação é que sua presença na disputa fortalece o campo conservador e amplia o peso eleitoral do grupo ligado ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
Para Celina Leão, a candidatura de Michelle ao Senado é vista como estratégica. A governadora do Distrito Federal trabalha para consolidar sua reeleição ao Buriti e vê na ex-primeira-dama uma aliada com forte capacidade de mobilização popular, especialmente entre mulheres, evangélicos e eleitores bolsonaristas.
Damares Alves também aparece como figura central nessa costura. Senadora pelo Distrito Federal e uma das lideranças mais próximas de Michelle no campo conservador, Damares atua como conselheira política e ponto de equilíbrio em meio à crise. Sua participação no encontro reforçou a tentativa de manter Michelle dentro do projeto eleitoral da direita para 2026.
Dentro do PL, a saída de Michelle da presidência do PL Mulher abriu uma nova disputa sobre quem assumirá a coordenação da ala feminina da legenda. Valdemar Costa Neto afirmou que Michelle fez um trabalho importante à frente do núcleo e disse que a decisão dela deve ser respeitada. O partido ainda terá que definir os próximos passos para reorganizar a estrutura feminina nacional.
A crise também expôs as tensões internas do bolsonarismo. De um lado, Flávio Bolsonaro busca consolidar sua pré-candidatura presidencial e ampliar alianças regionais. De outro, Michelle tenta preservar seu espaço político, especialmente no Distrito Federal, onde sua candidatura ao Senado é tratada como prioridade por aliados locais.
Mesmo após o desgaste, interlocutores afirmam que Michelle não pretende alimentar novas confusões públicas com Flávio Bolsonaro. A ex-primeira-dama teria dito a pessoas próximas que já falou o que tinha para falar e que, neste momento, a prioridade é cuidar da família e reorganizar sua atuação política.
Nos bastidores, a avaliação é que a permanência de Michelle no PL não encerra completamente a crise, mas evita uma ruptura maior. O partido ganha tempo para tentar pacificar o grupo, enquanto Celina Leão e Damares Alves seguem trabalhando para manter viva a candidatura da ex-primeira-dama ao Senado.
Com isso, Michelle Bolsonaro deixa o comando do PL Mulher, mas não rompe com o partido. A pré-candidatura ao Senado pelo Distrito Federal segue em discussão e, segundo aliadas, permanece como um dos principais projetos eleitorais do campo conservador para 2026.