De Olho na Política: Aleto reorganiza a casa, Dorinha mantém dianteira, Gaguim e Vicentinho aceleram agendas e legado de Siqueira ecoa em Palmas

De Olho na Política: Aleto reorganiza a casa, Dorinha mantém dianteira, Gaguim e Vicentinho aceleram agendas e legado de Siqueira ecoa em Palmas
Crédito: Montagem
Ricardo Fernandes AlmeidaPor Ricardo Fernandes Almeida 6 de julho de 2026 0

Assembleia redesenha estrutura interna; pesquisas movimentam aliados de Dorinha; Gaguim intensifica corrida ao Senado; Vicentinho põe caravana na estrada e três anos sem Siqueira Campos reacendem memória política no Tocantins

A política tocantinense entrou em julho com movimentos em diferentes direções, mas todos de olho no mesmo horizonte: 2026. Enquanto a Assembleia Legislativa reorganiza sua própria estrutura e tenta estabelecer uma divisão mais clara entre o corpo técnico e o assessoramento político, os pré-candidatos intensificam viagens, encontros e articulações.

Professora Dorinha segue numericamente à frente em levantamentos divulgados neste ano e vê crescer a movimentação política ao redor de seu projeto. Carlos Gaguim percorre municípios e adiciona apoios à sua caminhada pelo Senado. Vicentinho Júnior mantém o pé na estrada ao lado de Amélio Cayres, com saúde e infraestrutura no discurso.

Em Palmas, os três anos da morte de Siqueira Campos também abriram espaço para uma leitura que ultrapassa a homenagem: o peso de um sobrenome histórico e o desafio de Eduardo Siqueira Campos de construir, à frente da Capital, a própria marca administrativa.

O De Olho na Política acompanha os movimentos.

ALETO PÕE A CASA NO PAPEL E SEPARA TÉCNICA DE POLÍTICA

Assembleia Legislativa do Tocantins finaliza 2024 com destaque para LOA, PECs e medidas previdenciárias.
Assembleia Legislativa do Tocantins finaliza 2024 com destaque para LOA, PECs e medidas previdenciárias.

A Assembleia Legislativa do Tocantins decidiu mexer na própria estrutura. Os deputados aprovaram uma Proposta de Emenda Constitucional que organiza o Legislativo em duas frentes: a estrutura administrativa e o assessoramento político-parlamentar.

Na parte administrativa, a PEC estabelece que pelo menos 50% dos cargos sejam ocupados por servidores efetivos. É um aceno direto aos concursos públicos e à formação de um quadro técnico permanente dentro da Casa.

A lógica defendida no texto é simples: governos, mesas diretoras e deputados passam, mas a máquina pública precisa manter memória institucional e continuidade.

Já nos gabinetes e nas áreas diretamente ligadas à atividade política, a regra será outra. O assessoramento político-parlamentar poderá ser composto integralmente por cargos de livre nomeação dos deputados.

É o Legislativo reconhecendo, no próprio texto constitucional, aquilo que os corredores do poder já sabem há muito tempo: gabinete político é relação de confiança.

As funções de confiança, por outro lado, deverão ser exercidas exclusivamente por servidores efetivos.

A proposta foi assinada pelos deputados e busca aproximar a estrutura da Aleto dos princípios constitucionais e do entendimento recente do Supremo Tribunal Federal sobre a proporcionalidade entre cargos efetivos e comissionados.

Agora, o olhar deve estar na prática. A PEC organiza o desenho. A execução mostrará como essa divisão será aplicada dentro da Assembleia.

DORINHA SEGUE NA DIANTEIRA E MOVIMENTAÇÃO DE ALIADOS AUMENTA

dorinha e fernando
Crédito: Divulgação

A senadora Professora Dorinha continua ocupando uma posição central no tabuleiro da disputa pelo Governo do Tocantins.

Levantamentos divulgados em 2026 colocaram a pré-candidata numericamente à frente em cenários estimulados. Na pesquisa Real Time Big Data divulgada em junho, Dorinha apareceu com 33% das intenções de voto, contra 23% de Vicentinho Júnior.

Pesquisa é fotografia do momento e não urna aberta. Mas, na política, fotografia também movimenta gente.

E é justamente esse movimento que começa a aparecer com mais intensidade.

Prefeitos, ex-prefeitos, vereadores e lideranças acompanham de perto os passos da senadora. Alguns já estão publicamente alinhados. Outros ainda conversam, observam e calculam o momento certo para tomar posição.

Dorinha também intensificou agendas pelo Estado e tem buscado vincular sua pré-candidatura a entregas e articulações construídas ao longo dos mandatos no Congresso.A pergunta nos bastidores já não é apenas sobre quem está na frente.

É sobre até onde Dorinha conseguirá transformar vantagem nas pesquisas e apoios políticos em uma estrutura eleitoral capaz de chegar forte ao período oficial de campanha. Ainda há estrada. E os adversários também estão nela.

GAGUIM LIGA O MODO SENADO E COLOCA CINCO MUNICÍPIOS NA CONTA DO FIM DE SEMANA

gaguim
Crédito: Divulgação

Carlos Gaguim parece ter decidido que pré-campanha ao Senado se faz com sola de sapato — e quilômetros de estrada.

Entre sexta-feira e domingo, o deputado federal passou por Gurupi, Pium, Almas, Barra do Ouro e Goiatins. Foram cinco municípios e agendas que misturaram política, agronegócio, saúde, educação e as tradicionais cavalgadas tocantinenses.

Mas foi em Barra do Ouro que Gaguim adicionou um ingrediente político importante ao roteiro.

A prefeita Nélida Vasconcelos Miranda Cavalcante declarou apoio à pré-candidatura do parlamentar ao Senado.

Gaguim agradeceu e reforçou a parceria com o município. Depois, seguiu para a tradicional Cavalgada de Goiatins.

Em Pium, esteve na ExpoPium e acompanhou a inauguração da nova sede do Sindicato Rural. Em Almas, participou da cavalgada. Já em Gurupi, esteve em agendas relacionadas ao Hospital Geral de Gurupi e à educação.

A estratégia começa a ficar clara: presença. Gaguim tenta construir sua caminhada ao Senado com uma agenda municipalista e proximidade com lideranças locais. Não quer deixar o espaço aberto para que a disputa seja definida apenas pelos grandes grupos políticos.

No Senado, são duas vagas em disputa em 2026. E Gaguim está deixando claro que quer uma delas.

VICENTINHO E AMÉLIO MANTÊM CARAVANA NA RUA E BATEM NA TECLA DA INFRAESTRUTURA

porto vicentinho
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Enquanto uns costuram apoios em gabinetes, Vicentinho Júnior e Amélio Cayres mantêm a caravana Pra Cima Tocantins na estrada.

Bom Jesus, Recursolândia, Tupirama e Almas entraram no roteiro do fim de semana.

Em Recursolândia, a saúde ganhou espaço no debate. Vicentinho defendeu a descentralização dos atendimentos de média e alta complexidade e o fortalecimento do Hospital Regional de Pedro Afonso.

Em Tupirama, o assunto foi infraestrutura. A TO-010 apareceu no centro da conversa, especialmente pelo impacto da rodovia no escoamento da produção. Vicentinho cobrou que a conclusão da estrada deixe de ser apenas uma promessa e se transforme em entrega.

Amélio Cayres, que acompanha Vicentinho como pré-candidato a vice, reforçou a estratégia de ouvir a população e assumir compromissos considerados possíveis de execução. Em Almas, fé e tradição dividiram espaço com política.

Vicentinho participou da cavalgada e da Missa do Vaqueiro, recebeu a bênção do padre e acompanhou manifestações culturais. Também estiveram na agenda o prefeito Néri Xavier e a pré-candidata a deputada federal Cinthia Ribeiro.

Depois, a caravana seguiu viagem. A estratégia de Vicentinho também está desenhada: ocupar o interior, reforçar o discurso de proximidade e tentar encurtar a distância registrada no levantamento mais recente.

A eleição ainda não começou oficialmente. A disputa pela narrativa, sim.

TRÊS ANOS SEM SIQUEIRA: O LEGADO DO PAI E O DESAFIO DE EDUARDO EM PALMAS

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No último dia 4 de julho, completaram-se três anos da morte de Siqueira Campos.

Falar de Siqueira ainda é falar da própria criação do Tocantins. Primeiro governador eleito do Estado e personagem fundamental na luta pela nova unidade da Federação, seu nome atravessou décadas da política tocantinense.

Para Eduardo Siqueira Campos, a data tem um peso duplo. É a lembrança do pai. E é também a inevitável comparação política.

Hoje à frente da Prefeitura de Palmas, Eduardo administra a cidade que seu pai ajudou a idealizar no nascimento do Tocantins. Em homenagem publicada pela passagem dos três anos da morte de Siqueira, falou de memórias da infância e dos sonhos que carrega para a Capital. O desafio de Eduardo é delicado.

Honrar o sobrenome sem viver apenas dele. A gestão tem colocado em andamento intervenções urbanas e obras em diferentes pontos da Capital, ao mesmo tempo em que enfrenta as cobranças naturais de quem voltou ao comando de Palmas décadas depois de sua primeira passagem pela Prefeitura.

Siqueira Campos deixou uma marca que dificilmente será apagada da história tocantinense. Eduardo, agora, escreve outro capítulo.

O tempo dirá se a administração da Capital será lembrada apenas como a continuidade de uma linhagem política ou como a consolidação de um legado próprio. Na política, sobrenome abre páginas.Mas é o trabalho que escreve a história.

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