Dinheiro do Master virou motivo de briga? Kátia Abreu levanta questão sobre racha na família Bolsonaro
Ex-senadora do Tocantins relacionou, em questionamento público, a crise entre Michelle e Flávio Bolsonaro ao caso do filme “Dark Horse”; não há comprovação de que o financiamento tenha provocado o conflito familiar
A ex-senadora Kátia Abreu voltou ao centro do debate político nacional ao levantar uma nova questão sobre o racha público na família Bolsonaro. Em publicação nas redes sociais, a tocantinense questionou se a crise entre integrantes do grupo pode ter relação com o dinheiro buscado junto ao banqueiro Daniel Vorcaro, ligado ao Banco Master, para financiar o filme “Dark Horse”, produção sobre a trajetória de Jair Bolsonaro.
“Essa briga grande entre os membros da família Bolsonaro está me cheirando briga pelo vil metal. Será que Bolsonaro e Michele sabiam do tamanho da bolada que Master deu p/ o filme Dark Horse? Ou foram pegos de surpresa como todos os brasileiros? Acho que deu ruim”, escreveu Kátia Abreu.
A declaração foi feita em meio ao desgaste público entre a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e o senador Flávio Bolsonaro. Nas últimas semanas, Michelle afirmou ter sido desrespeitada, maltratada e “apunhalada” pelo enteado durante conflitos envolvendo decisões políticas e partidárias. Posteriormente, ela deixou o comando do PL Mulher, ampliando a percepção de divisão dentro do grupo bolsonarista.
O episódio envolvendo o Banco Master ganhou força após a divulgação de mensagens de áudio que revelaram contatos de Flávio Bolsonaro com Daniel Vorcaro para tratar do financiamento de “Dark Horse”. O senador admitiu ter procurado o banqueiro para buscar recursos privados para a produção, mas negou ter cometido irregularidades ou oferecido qualquer benefício em troca.
O filme retrata a trajetória política de Jair Bolsonaro e sua ascensão durante a eleição presidencial de 2018. A produção ganhou dimensão política ainda maior por ter previsão de lançamento em 2026, ano de eleição presidencial.
Reportagens internacionais apontaram um compromisso milionário de financiamento relacionado a Vorcaro. A produtora responsável pelo longa, entretanto, negou ter recebido dinheiro do banqueiro. Por isso, não está comprovado que valores do Banco Master tenham efetivamente chegado à produção nos termos sugeridos por Kátia Abreu.
É justamente nesse ponto que a ex-senadora levantou a dúvida: Jair Bolsonaro e Michelle sabiam da dimensão das negociações conduzidas por Flávio para financiar o filme?
Kátia não apresentou provas de que o dinheiro tenha sido a causa da briga familiar. A publicação foi feita em tom de questionamento e especulação política.
O racha entre Michelle e Flávio, porém, já é público.
Michelle acusou o senador de diminuir sua participação política e afirmou ter entendido que seu apoio não era desejado ou considerado importante. Flávio, por sua vez, tenta manter sua campanha presidencial em meio ao desgaste e às dificuldades para ampliar o apoio entre o eleitorado feminino.
A crise também se cruzou com o caso Master depois que Michelle compartilhou conteúdo relacionado às suspeitas envolvendo festas e políticos próximos de Daniel Vorcaro. Flávio reagiu e afirmou que nunca participou de festas do banqueiro, reiterando que sua relação com ele esteve ligada à busca de financiamento para o filme sobre Jair Bolsonaro.
Para Kátia Abreu, a coincidência entre a exposição das negociações milionárias e o agravamento da disputa familiar merece atenção. Até agora, porém, não existe confirmação de que a negociação envolvendo “Dark Horse” seja a origem do conflito entre Michelle, Flávio e outros integrantes da família Bolsonaro.
O que existe são fatos que ganharam repercussão praticamente no mesmo período: a divulgação dos contatos de Flávio com Vorcaro, o desgaste político provocado pelo caso Master, as acusações públicas de Michelle e a saída da ex-primeira-dama do comando do PL Mulher. Kátia Abreu juntou essas peças e fez a pergunta que agora repercute no meio político.
O dinheiro do filme entrou na briga? Por enquanto, é uma suspeita levantada pela ex-senadora, sem comprovação.
Mas, em plena eleição de 2026 e com o racha da família Bolsonaro exposto publicamente, a pergunta adiciona mais pressão a um conflito que já deixou de ser apenas assunto de bastidor.