Kassab pergunta “como é o nome dela lá?” e crise amplia risco de esvaziamento no grupo de Laurez

Kassab pergunta “como é o nome dela lá?” e crise amplia risco de esvaziamento no grupo de Laurez
Ricardo Fernandes AlmeidaPor Ricardo Fernandes Almeida 13 de julho de 2026 0

“Como é o nome dela lá?” A pergunta foi feita pelo presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, ao ser questionado sobre Ivanete Lima, anunciada pelo senador Irajá como pré-candidata ao Senado com o suposto aval da direção nacional do partido.

A fala chamou atenção porque Kassab demonstrou não reconhecer imediatamente o nome apresentado por Irajá como participante de uma articulação conduzida pela Executiva Nacional.

Depois de ser lembrado de quem se tratava, Kassab explicou como aconteceu o contato com Ivanete. “O Irajá me ligou e me colocou na linha com a Ivanete. Ele me colocou na linha dizendo que ela estava se colocando. Eu cumprimentei e falei: ‘Olha, qualquer que seja o projeto, se você estiver incluída, boa sorte’”, declarou.

Kassab negou que tenha convidado Ivanete, autorizado sua candidatura ou participado da decisão de lançá-la ao Senado. “Não estou participando dessa decisão. A minha participação é procurar harmonizar o partido, não é lançar A, B ou C”, afirmou.

A declaração contrariou a versão apresentada por Irajá durante a coletiva em que anunciou Ivanete. Na ocasião, o senador disse que a pré-candidatura havia sido discutida com a direção nacional e possuía o aval de Kassab.

“Depois de uma consulta feita à Executiva Nacional do PSD, através do nosso líder maior, presidente Gilberto Kassab, nós vamos anunciar a pré-candidatura ao Senado Federal da nossa amiga Ivanete”, declarou Irajá.

Kassab também afirmou que Irajá considera mais favorável disputar a reeleição sem uma candidatura do PT ao Senado dentro da mesma composição. “Tem uma visão de que, se puder o PT não ter uma participação com o candidato ao Senado, acha que é mais fácil a sua eleição”, disse.

A fala aumentou a crise dentro do PSD e atingiu diretamente a articulação do vice-governador Laurez Moreira, presidente estadual da legenda e pré-candidato ao Governo do Tocantins.

Laurez afirmou que não foi informado sobre a coletiva organizada por Irajá. “Não fiquei sabendo do evento”, declarou. Ao comentar o lançamento de Ivanete, reagiu duramente.

“Eu acho absurdo o que ele fez.” Segundo Laurez, o acordo firmado pelo grupo prevê uma candidatura do PSD e outra do PT ao Senado. Irajá tentaria a reeleição pelo PSD, enquanto Paulo Mourão ocuparia a vaga destinada aos petistas.

“O partido tem compromisso com o PT, que é uma vaga nossa e outra do PT. Para a Ivanete ser candidata, só se alguém desistir de ser candidato. Não tenho nada contra ela”, afirmou.

Laurez também reafirmou que não pretende abandonar Paulo Mourão. “O candidato nosso ao Senado é Paulo Mourão. O partido tem compromisso. Eu sou homem de uma palavra só.”

Após a reação, Irajá tentou diminuir o desgaste e reconheceu que o PT possui legitimidade para lançar Paulo Mourão. Mesmo assim, continuou defendendo a presença de Ivanete na disputa.

O grupo passou, então, a ter três nomes para apenas duas vagas ao Senado: Irajá, Ivanete Lima e Paulo Mourão. A crise ocorre às vésperas da convenção estadual do PSD, marcada para 20 de julho, em Palmas. O encontro deixou de ser apenas o ato de oficialização da candidatura de Laurez e passou a representar um teste de autoridade para o presidente estadual da legenda.

Além da disputa interna pelo Senado, Laurez enfrenta sinais concretos de esvaziamento. Homero Barreto Júnior, presidente estadual do Cidadania, e Jairo Mariano, ex-presidente estadual do PDT, deixaram o grupo e anunciaram apoio à pré-candidatura de Vicentinho Júnior ao Governo e à composição com Amélio Cayres.

Os dois participaram da administração de Laurez durante o período em que ele comandou interinamente o Governo do Tocantins. Homero ocupou a Secretaria Executiva da Governadoria, enquanto Jairo Mariano comandou a Secretaria da Fazenda.

“Nossa relação política é histórica e é um movimento muito natural. Vejo que Vicentinho tem condições de fazer melhor”, afirmou Homero. Jairo Mariano também confirmou a mudança de lado.

“Estou aqui por acreditar neste projeto e por sempre ter caminhado junto com o Vicentinho”, declarou. As baixas possuem peso político porque envolvem lideranças que participaram diretamente da estrutura comandada por Laurez e agora passam a trabalhar por um adversário na disputa pelo Palácio Araguaia.

Na convenção, Laurez terá de resolver a disputa pelo Senado, reafirmar o acordo com o PT, definir o candidato a vice-governador, organizar as chapas proporcionais e demonstrar que ainda possui força para manter o grupo unido.

De um lado, Laurez sustenta Paulo Mourão e o compromisso com os petistas. Do outro, Irajá mantém Ivanete na disputa. No centro da crise, Kassab pergunta “como é o nome dela lá?”, nega ter autorizado o lançamento e afirma que não participou da decisão.

Com perdas confirmadas, divisões dentro do próprio PSD e indefinições na chapa majoritária, o grupo de Laurez entra na semana decisiva sob pressão e risco de novo esvaziamento.

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