Disputa de palanques no Tocantins: Dorinha deve fechar com Flávio, Vicentinho mira a direita e Laurez entra no mapa de Lula, dividindo grupo com Caiado
A disputa pelo Governo do Tocantins ganhou dimensão nacional com a aproximação das convenções partidárias. Professora Dorinha, Vicentinho Júnior e Laurez Moreira precisarão definir não apenas suas chapas estaduais, mas também quais candidatos à Presidência terão espaço em seus palanques.
Dorinha caminha para fechar com Flávio Bolsonaro e reunir a maior parte do eleitorado conservador. A senadora conta com a articulação de Eduardo Gomes, presidente estadual do PL e candidato à reeleição ao Senado, além do deputado Carlos Gaguim, também cotado para a disputa senatorial.
A aproximação com Flávio poderá fortalecer Dorinha entre os eleitores bolsonaristas e ampliar sua estrutura política. O desafio será manter o apoio de setores de centro e de lideranças que possuem relações administrativas com o Governo Federal.
Na pesquisa Vópe divulgada em 20 de julho, Dorinha aparece na liderança da corrida pelo Palácio Araguaia, com 32% das intenções de voto. Vicentinho Júnior ocupa a segunda posição, com 29%, enquanto Laurez Moreira registra 15%.
Vicentinho ainda não anunciou oficialmente qual candidato presidencial apoiará, mas deve permanecer no campo da direita ou da centro-direita. Caso Dorinha consolide o palanque de Flávio Bolsonaro, ele terá de decidir se disputará o mesmo eleitorado ou se buscará aproximação com outro nome conservador, como Ronaldo Caiado.
O deputado terá Amélio Cayres como candidato a vice-governador e Alexandre Guimarães como principal nome ao Senado. Alexandre aparece com 25% das intenções de voto e ocupa a segunda colocação na disputa senatorial, atrás de Eduardo Gomes.
O principal desafio de Vicentinho será evitar que Dorinha concentre sozinha o voto da direita. A diferença de apenas três pontos entre os dois mostra que a escolha presidencial poderá influenciar diretamente o rumo da campanha estadual.
Laurez Moreira, por sua vez, entrou no mapa eleitoral do presidente Lula após o PT confirmar apoio à sua candidatura ao Governo. O partido indicou Paulo Mourão para disputar uma das vagas ao Senado.
A aliança cria uma situação delicada porque Laurez preside o PSD no Tocantins, enquanto a legenda lançou Ronaldo Caiado à Presidência da República. Dessa forma, o grupo estadual poderá ficar dividido entre Lula e Caiado.
Parte dos aliados de Laurez deverá defender o apoio a Lula, especialmente o PT e Paulo Mourão. Outra ala poderá manter fidelidade a Caiado e à direção nacional do PSD.
A divisão também deverá atingir a disputa pelo Senado. Além de Paulo Mourão, o grupo tem Irajá Abreu, que busca a reeleição e pertence ao PSD. Os dois poderão disputar o mesmo eleitorado dentro de uma composição que reúne forças políticas diferentes.
Para Laurez, o apoio de Lula representa a oportunidade de crescer entre os eleitores de esquerda, ampliar sua presença no interior e relacionar sua candidatura aos programas e investimentos do Governo Federal. Com 15%, ele ainda está distante de Dorinha e Vicentinho, mas poderá tentar romper a polarização entre os dois primeiros.
Na disputa pelo Senado, Eduardo Gomes aparece como o nome mais forte do grupo de Dorinha. Alexandre Guimarães ocupa posição competitiva ao lado de Vicentinho. Paulo Mourão e Irajá Abreu deverão disputar espaço dentro do palanque de Laurez.
As alianças presidenciais poderão definir a transferência de votos, a presença de lideranças nacionais e a força das campanhas nas redes sociais e nos municípios. Dorinha tenta dominar o campo bolsonarista, Vicentinho busca evitar o isolamento na direita e Laurez aposta em Lula, mesmo comandando no Estado um partido que tem Caiado como candidato presidencial.
O resultado dessa disputa de palanques poderá decidir não apenas quem governará o Tocantins, mas também quais serão os dois representantes do Estado no Senado Federal.