CBF e federações em movimento: articulação de Samir Xaud reacende cobrança por renovação no futebol tocantinense

CBF e federações em movimento: articulação de Samir Xaud reacende cobrança por renovação no futebol tocantinense
Crédito: Divulgação
Ricardo Fernandes AlmeidaPor Ricardo Fernandes Almeida 22 de julho de 2026 0

Ao Diário Tocantinense, pessoas ligadas ao futebol estadual criticam a falta de alternância no comando da Federação Tocantinense e cobram transparência, fortalecimento dos clubes e abertura para uma nova gestão

A movimentação do presidente da Confederação Brasileira de Futebol, Samir Xaud, junto às federações estaduais reacendeu no Tocantins a cobrança por renovação na Federação Tocantinense de Futebol, comandada por Leomar Quintanilha desde a criação da entidade.

A CBF reuniu presidentes e vice-presidentes das 27 federações estaduais no Rio de Janeiro para apresentar um balanço da gestão, discutir o próximo ciclo da Seleção Brasileira e alinhar projetos para o futebol masculino, feminino, categorias de base e arbitragem.

O encontro também serviu para demonstrar o apoio político das federações a Samir após a participação brasileira na Copa do Mundo de 2026. Leomar Quintanilha, que chefiou a delegação da Seleção Brasileira no torneio, participou da reunião e defendeu o trabalho realizado pela atual direção da CBF.

No Tocantins, porém, a articulação nacional provocou uma pergunta inevitável entre dirigentes, ex-dirigentes, pessoas ligadas a clubes e integrantes do meio esportivo: a renovação anunciada pela CBF também chegará à Federação Tocantinense de Futebol?

Pessoas ouvidas pelo Diário Tocantinense, que pediram para não ser identificadas por receio de desgaste e retaliações no ambiente esportivo, criticaram a longa permanência de Leomar Quintanilha no comando da FTF.

A principal cobrança é pela abertura de espaço para novas lideranças, maior participação dos clubes nas decisões, transparência na aplicação dos recursos e apresentação de um projeto capaz de fortalecer o futebol tocantinense dentro e fora do Estado.

Leomar assumiu a Federação Tocantinense ainda no início da organização do futebol do novo Estado. Em 2022, depois de 33 anos no cargo, foi reeleito por aclamação para o mandato de 2023 a 2027. Apenas uma chapa participou do processo eleitoral. Em 2026, sua permanência à frente da entidade chega a aproximadamente 37 anos.

Para as pessoas ouvidas pela reportagem, o tempo de comando não representa, por si só, uma irregularidade, mas levanta questionamentos sobre alternância, democracia interna e oportunidades para que outros projetos sejam apresentados aos clubes filiados.

Os críticos reconhecem a influência nacional de Leomar e sua proximidade com diferentes administrações da CBF. Entretanto, avaliam que essa força política ainda não foi transformada em resultados suficientes para colocar o futebol tocantinense em posição de destaque no cenário brasileiro.

A cobrança envolve a fragilidade financeira dos clubes, a dificuldade para manter elencos durante todo o ano, o calendário reduzido, a pouca presença de equipes tocantinenses nas principais divisões nacionais e a falta de estrutura adequada em diversos municípios.

Também há pedidos por investimentos permanentes nas categorias de base, no futebol feminino, na qualificação da arbitragem e na formação de novos dirigentes.

Na avaliação das fontes, os clubes não podem permanecer dependentes apenas de repasses pontuais, ajudas públicas ou recursos obtidos em competições de curta duração. A defesa é por um planejamento de longo prazo, com metas, prestação de contas e acompanhamento dos resultados.

As pessoas ouvidas também questionam a ausência de uma disputa efetiva pelo comando da entidade. Para elas, eleições com chapa única e aclamação sucessiva dificultam o debate sobre caminhos diferentes para o futebol estadual.

A avaliação é que a Federação precisa criar condições para uma disputa democrática, com igualdade de participação entre grupos interessados e segurança para que dirigentes e clubes possam apresentar posições diferentes sem medo de perder espaço nas competições.

Outro ponto levantado é a necessidade de a FTF divulgar de maneira mais acessível informações sobre receitas, despesas, repasses recebidos da CBF, investimentos nas competições, critérios para distribuição de recursos e planejamento anual.

A Federação mantém campeonatos profissionais e de base, além de competições femininas, mas os críticos defendem que a quantidade de torneios precisa ser acompanhada de qualidade, estrutura e condições para que os clubes continuem funcionando depois do encerramento das disputas.

Leomar Quintanilha possui uma trajetória de forte influência política e esportiva. Além de comandar a FTF, já ocupou mandatos de deputado federal e senador e exerceu funções relevantes junto à Seleção Brasileira.

Sua escolha para chefiar a delegação do Brasil na Copa do Mundo de 2026 confirmou o espaço que mantém dentro da CBF e entre os presidentes das federações.

Para os críticos, justamente por possuir essa força nacional, Leomar deveria entregar ao Tocantins um futebol mais competitivo, com clubes estruturados, calendário ampliado e maior presença nas divisões organizadas pela CBF.

A movimentação de Samir Xaud foi recebida como uma oportunidade para discutir mudanças. O presidente da CBF tem defendido modernização, profissionalização da arbitragem, desenvolvimento do futebol feminino e atenção às diferentes regiões do Brasil. A expectativa é que esses compromissos não fiquem restritos à sede da entidade e também alcancem as federações estaduais.

No Tocantins, a pressão deverá aumentar conforme se aproxima o fim do atual mandato de Leomar, previsto para 2027. A discussão não se limita a quem poderá substituí-lo, mas ao modelo de gestão que será adotado pela FTF nos próximos anos.

Os clubes terão papel decisivo nesse processo, pois participam das assembleias e das eleições da Federação. A renovação dependerá da disposição das próprias agremiações para discutir novas propostas e romper com um sistema marcado pela continuidade.

O debate também precisa envolver atletas, treinadores, árbitros, torcedores, empresários e o poder público. O futebol tocantinense movimenta profissionais, representa municípios e pode gerar oportunidades econômicas e sociais, mas ainda enfrenta dificuldades para alcançar estabilidade.

A reunião da CBF mostrou que as federações continuam sendo peças centrais na estrutura política do futebol brasileiro. No Tocantins, essa força contrasta com a cobrança de quem considera que a entidade estadual precisa se abrir, renovar sua direção e apresentar resultados mais visíveis.

Leomar Quintanilha permanece como um dos dirigentes esportivos há mais tempo no poder no Brasil. Sua experiência é reconhecida até pelos críticos, mas a permanência de quase quatro décadas transformou a sucessão na FTF em um debate inevitável.

O Diário Tocantinense mantém espaço aberto para que Leomar Quintanilha, a Federação Tocantinense de Futebol, os clubes filiados e demais pessoas mencionadas apresentem suas posições, esclarecimentos e respostas às críticas.

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