Efeito Tarcísio: PL tenta tirar Flávio do isolamento; no Tocantins, aliança com União Brasil já antecipa convergência
A pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro à Presidência entrou na reta das convenções ainda sem vice definido e sem uma aliança nacional fechada fora do PL. Para romper esse isolamento, o partido aposta na influência do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, para atrair o Republicanos e a Federação União Progressista, formada por União Brasil e PP.
Levantamento especial do Diário Tocantinense mostra que as negociações avançaram em São Paulo, mas continuam enfrentando resistência das direções nacionais. Flávio deverá ser oficializado candidato pelo PL enquanto mantém abertas as conversas com Republicanos, União Brasil e PP até o encerramento das convenções, em 5 de agosto.
Tarcísio declarou apoio à candidatura de Flávio e se tornou o principal fiador da tentativa de reunificação da direita. O governador busca a reeleição em São Paulo e trabalha para manter ao seu lado PL, Republicanos, União Brasil e PP.
Dentro do PL, a avaliação é que a força eleitoral de Tarcísio pode convencer essas legendas a ampliarem nacionalmente uma união que já existe em alguns estados. A prioridade é conquistar estrutura partidária, tempo de propaganda, palanques regionais e um nome para compor a vice.
O Republicanos, entretanto, ainda não oficializou apoio a Flávio. A direção da legenda trabalha com a possibilidade de neutralidade nacional, enquanto setores estaduais negociam acordos com o PL para as disputas pelos governos e pelo Senado.
A União Progressista também não tomou uma decisão nacional definitiva. União Brasil e PP possuem dirigentes favoráveis à aproximação, mas enfrentam divisões internas e interesses diferentes nos estados.
Em São Paulo, setores das duas legendas já se aproximaram do palanque de Flávio e da reeleição de Tarcísio. Nacionalmente, porém, a federação ainda avalia se apoiará oficialmente o candidato do PL ou se liberará seus diretórios para construírem alianças próprias.
Tocantins já antecipa aproximação entre PL e União Brasil
No Tocantins, a convergência que o PL tenta construir nacionalmente já aparece de maneira concreta. O partido integra a frente União pelo Tocantins, liderada pela senadora Professora Dorinha, do União Brasil, pré-candidata ao Governo do Estado.
O senador Eduardo Gomes, presidente do PL tocantinense e pré-candidato à reeleição, participa diretamente da construção do projeto de Dorinha. Os dois têm aparecido juntos em eventos, reuniões e lançamentos políticos realizados em diferentes regiões do Estado.
A frente reúne União Brasil, PL, Republicanos, Progressistas e Podemos, reproduzindo no Tocantins parte da aliança que Flávio e Tarcísio tentam consolidar nacionalmente. O grupo também conta com o apoio do governador Wanderlei Barbosa, do Republicanos, e afirma reunir mais de 100 prefeitos.
Dorinha será oficializada candidata ao Governo durante convenção marcada para 5 de agosto, em Palmas. O grupo ainda precisa definir o candidato a vice e resolver a disputa pelas duas vagas ao Senado.
Eduardo Gomes busca a reeleição pelo PL. Também disputam espaço na chapa Carlos Gaguim, do União Brasil; Eli Borges, do Republicanos; e Ronaldo Dimas, do Podemos.
Durante o lançamento da aliança em Araguaína, Eduardo Gomes defendeu a unidade do grupo e afirmou que as definições sobre o Senado serão tomadas nas convenções. Ao comentar o cenário nacional do PL, declarou acreditar que “a união vai prevalecer”.
A presença do PL no palanque de Dorinha mostra que uma eventual aliança nacional entre Flávio Bolsonaro e a União Progressista não encontraria, inicialmente, grandes obstáculos no Tocantins.
Ao contrário de outros estados, onde PL e União Brasil possuem candidatos adversários, as duas legendas tocantinenses já caminham juntas na disputa pelo Palácio Araguaia.
Caso a União Progressista decida apoiar Flávio nacionalmente, o grupo de Dorinha poderá apresentar uma convergência entre os palanques estadual e presidencial. A aliança fortaleceria Eduardo Gomes como principal ligação entre a candidatura tocantinense e o projeto nacional do PL.
Caso União Brasil e PP adotem neutralidade na eleição presidencial, a composição estadual ainda poderá ser mantida, mas cada partido terá liberdade política para apresentar posicionamentos diferentes sobre a disputa pelo Palácio do Planalto.
O Republicanos também ocupa uma posição estratégica. No plano estadual, o partido do governador Wanderlei Barbosa está com Dorinha. Nacionalmente, a legenda é justamente uma das principais forças que Flávio tenta atrair por meio da articulação de Tarcísio.
Assim, o Tocantins poderá se transformar em uma vitrine da união pretendida pelo PL. Dorinha, Eduardo Gomes, Wanderlei Barbosa e as lideranças da União Progressista já dividem o mesmo projeto estadual, mesmo antes de uma definição nacional.
O ponto de maior tensão permanece na escolha dos candidatos ao Senado. Como existem mais interessados do que vagas disponíveis, a convenção poderá consolidar a unidade ou provocar insatisfação entre os aliados que ficarem fora da chapa.
Até 5 de agosto, PL, Republicanos e União Progressista continuarão negociando nacionalmente. No Tocantins, porém, a possível convergência já saiu dos bastidores e está presente no palanque de Dorinha.
O “efeito Tarcísio” ainda precisa superar resistências para retirar Flávio Bolsonaro do isolamento nacional. No Tocantins, a aliança entre PL e União Brasil mostra que essa aproximação é possível, mas dependerá das convenções e da capacidade do grupo de acomodar todos os interesses.