Fé em Ação: Pastora Mônica Rocha fala sobre a mulher samaritana e mostra como Jesus transforma a sede em recomeço
No quadro Fé em Ação, do Diário Tocantinense, a Pastora Mônica Rocha trouxe uma reflexão marcada por fé, esperança e recomeço a partir de uma das passagens mais conhecidas do Evangelho de João: o encontro de Jesus com a mulher samaritana junto ao poço de Jacó.
A mensagem parte de uma cena aparentemente simples. Uma mulher vai buscar água e encontra Jesus sentado junto ao poço. Mas o encontro registrado em João 4 se transforma em algo muito maior do que uma conversa sobre sede.
Para a Pastora Mônica Rocha, a passagem mostra que Jesus consegue encontrar uma pessoa justamente no lugar onde ela tenta se esconder, se isolar ou evitar ser conhecida. “E se eu te disser que Jesus encontrou uma mulher onde ela procurava se esconder, se isolar, exatamente naquele lugar onde ela não queria ser exposta, ser conhecida? Jesus encontra e, ao invés de condená-la, abraça aquela mulher, cura aquela mulher e ela entrega o que ninguém imaginava: o seu tudo”, refletiu.
A mulher samaritana havia ido apenas buscar água. Jesus estava ali. É justamente essa simplicidade que transforma João 4 em uma das passagens mais profundas sobre mudança de vida, perdão, restauração e esperança.
Na reflexão apresentada no Fé em Ação, Mônica Rocha faz uma comparação entre o poço da narrativa bíblica e os momentos difíceis enfrentados ao longo da vida. “Às vezes você não está nem nas margens do poço. Talvez esteja lá no fundo do poço e acha que não tem mais jeito. Mas eu quero te dizer que tem jeito, porque Jesus está lá.”
A mensagem ganha ainda mais força quando a pastora fala diretamente àqueles que atravessam períodos de solidão, medo, frustração ou sensação de abandono. “Lá no fundo tem uma luz. Lá no fundo tem uma resposta. Tem resposta aí no lugar que você está. Talvez você esteja isolado, se escondendo, fugindo e acha que acabou para você. Mas Jesus está lá.”
A água ocupa um lugar profundo em toda a narrativa bíblica. Ela aparece associada à vida, à purificação, à renovação e, em diferentes passagens, à relação entre Deus e seu povo.
No capítulo 4 do Evangelho de João, essa simbologia ganha um significado especial quando Jesus fala sobre uma água diferente daquela que a mulher havia ido buscar: “Quem beber da água que eu lhe der nunca mais terá sede” (João 4:14).
A água do poço atendia a uma necessidade física. A água apresentada por Jesus aponta para algo muito mais profundo. É a chamada água viva.
Segundo a reflexão apresentada por Mônica Rocha, essa água representa a presença de Deus capaz de alcançar aquilo que existe no interior de uma pessoa. A pastora chama atenção ainda para um detalhe importante da narrativa: a conversa entre Jesus e a mulher não termina em um simples copo de água.
“Observa que, na passagem bíblica, ela não deu água para Jesus no sentido literal. Ele também não deu água para ela daquele poço no sentido literal. Mas Ele disse: se eu te der da água de beber… Nenhum dos dois bebeu literalmente daquela água naquele momento, mas ela se encheu da presença, porque Jesus é a água viva.”
A mensagem central de João 4 passa justamente por essa mudança de perspectiva. A mulher chega ao poço procurando aquilo que resolveria uma necessidade momentânea, mas sai de lá diante de algo que toca sua história inteira.
Para a Pastora Mônica, compreender Jesus como a água viva significa reconhecer uma fonte de cura, transformação e renovação espiritual. “Se você, de fato, se entregar e entender que essa água é purificadora, se beber dessa fonte que sara, que cura e que transforma, você vai entender que Jesus transformou aquela mulher de uma forma extraordinária.”
A narrativa também mostra que Jesus conhecia o passado da mulher samaritana. Conhecia suas escolhas, sua história e aquilo que poderia provocar vergonha ou julgamento diante da sociedade. Mesmo assim, a conversa não termina em condenação. Ela termina em transformação.
É exatamente nesse ponto que surge uma das frases mais fortes da mensagem apresentada no Fé em Ação: “O seu passado pode explicar quem você foi, mas ele não define e nem tem autoridade de decidir quem você é ou quem você será.”
A afirmação resume uma das grandes mensagens do encontro registrado em João 4. A mulher tinha uma história, tinha marcas e tinha um passado. Mas aquele passado não impediu que sua vida assumisse uma nova direção.
Depois do encontro com Jesus, ela deixa o poço e retorna à cidade para falar sobre aquilo que havia vivido. A mesma mulher que poderia ter motivos para evitar exposição passa a compartilhar sua experiência.
Sua história atravessou séculos e continua sendo lembrada nas igrejas, nos estudos bíblicos e nas mensagens de fé em diferentes partes do mundo. “Aquela mulher foi buscar água, mas encontrou algo maior. Encontrou algo que transformou a vida dela e mudou a história daquela mulher”, destacou Mônica Rocha.
A partir dessa passagem, a pastora também provoca uma reflexão pessoal. O que você tem buscado? Onde você tem procurado? O que está tentando encontrar e ainda não conseguiu?
A pergunta ultrapassa a própria narrativa bíblica e chega à realidade de quem busca respostas em diferentes áreas da vida. Pode ser uma resposta na família, na vida espiritual, nos relacionamentos, no trabalho, em uma decisão, em um período de sofrimento ou simplesmente na necessidade de reencontrar sentido.
Para Mônica Rocha, a resposta começa em um lugar de intimidade com Deus. “Você precisa aprender a descer na presença de Deus. Não precisa descer para a beira de um poço. Basta você descer no seu secreto.”
A expressão faz referência ao momento de oração e encontro pessoal com Deus, um lugar onde não existe necessidade de aparência, onde não existe plateia e onde não é necessário esconder aquilo que se vive.
“Ele sabe exatamente quem você é. Ele te chama pelo teu nome. Ele sabe o que você está passando, o que já passou e o que vai passar, porque Ele é o dono dos nossos dias.”
Essa dimensão torna o episódio da mulher samaritana especialmente atual. Todos os dias, pessoas continuam buscando uma espécie de “água” capaz de saciar diferentes necessidades. Algumas procuram reconhecimento, outras dinheiro, relacionamentos, sucesso, aceitação, segurança ou respostas.
Mas a reflexão de João 4 apresenta a ideia de que existem sedes que nenhuma conquista material consegue resolver completamente. É justamente para essas sedes interiores que Jesus apresenta a água viva.
Ao longo das Escrituras, a água também aparece ligada à purificação e ao recomeço. Em Ezequiel 36:25, a imagem da água aparece associada à purificação. Em Isaías 44:3, Deus promete derramar água sobre a terra sedenta. No livro do Apocalipse, a água da vida volta a surgir como símbolo da presença e da renovação que vêm de Deus.
No cristianismo, a própria água do batismo também carrega esse significado de nova vida, decisão, fé e início de uma caminhada renovada.
É por isso que a história da mulher samaritana continua sendo lembrada mais de dois mil anos depois. Ela foi buscar água. Encontrou Jesus. Chegou ao poço carregando sua realidade e saiu dali levando uma nova perspectiva.
A sede física levou aquela mulher até o poço, mas foi uma sede muito mais profunda que acabou sendo alcançada naquele encontro.
Para a Pastora Mônica Rocha, essa mesma mensagem continua válida para quem acredita que chegou ao limite. “Talvez você esteja pensando que se perdeu, que acabou, que desistiu de tudo. Talvez você precise ouvir isso hoje.”
A mensagem termina com um chamado à fé e à reação diante das dificuldades. “Então, assim como Deus fez com aquela mulher samaritana de João 4, Ele pode fazer na sua vida. Ele pode transformar a sua história. Não perca tempo ocioso, trancado em um quarto escuro, reclamando da vida. Clame, porque o Senhor fará por você.”
No encontro entre Jesus e a mulher samaritana, a água deixa de representar apenas aquilo que mata a sede do corpo. Ela passa a representar recomeço, cura, esperança, presença e transformação.
E talvez seja justamente essa a principal mensagem deixada por João 4: existem momentos em que alguém acredita estar indo apenas até um poço, mas pode voltar de lá com uma nova história.
“Quem beber da água que eu lhe der nunca mais terá sede” (João 4:14). Referências bíblicas: João 4:1-42; João 4:10-14; Ezequiel 36:25; Isaías 44:3; Apocalipse 22:1-2.