EDITORIAL: Wanderlei declarou apoio irrestrito a Dorinha; agora é hora de mexer no governo e separar o joio do trigo
O governador Wanderlei Barbosa foi claro ao declarar apoio irrestrito à pré-candidatura da senadora Professora Dorinha ao Governo do Tocantins. A decisão colocou sua liderança política, sua palavra e a força do grupo governista em torno de um projeto de continuidade para o Estado.
Agora, porém, chegou o momento de transformar a declaração em organização, presença nos municípios e trabalho efetivo. Não basta aparecer em fotografias, participar de eventos, declarar apoio e pedir votos. Apoio verdadeiro exige compromisso, coerência, mobilização e lealdade ao projeto que está sendo apresentado à população.
A campanha não pode ser construída apenas com imagens de unidade. É necessário haver unidade de fato.
Wanderlei e Dorinha precisam observar quem realmente trabalha pelo projeto, quem mobiliza suas bases, quem defende a pré-candidatura nos momentos difíceis e quem aparece apenas quando as câmeras estão ligadas.
Também é necessário rever a situação daqueles que, mesmo ocupando cargos e espaços dentro do governo, provocaram desorganização política, alimentaram divisões internas ou se aliaram a grupos de oposição.
Chegou a hora de mexer no governo.
Cargos de confiança existem justamente para serem ocupados por pessoas que tenham compromisso com a gestão, capacidade de entregar resultados e alinhamento com o projeto político-administrativo escolhido pelo governador. Quem ocupa uma função estratégica, mas trabalha para fortalecer adversários, precisa ter sua permanência avaliada.
Não se trata de perseguir servidores, punir opiniões pessoais ou impedir divergências. Servidores efetivos possuem direitos que devem ser respeitados. A discussão envolve especialmente os espaços políticos e os cargos de confiança, nos quais lealdade institucional, competência e alinhamento com as diretrizes do governo são indispensáveis.
Não faz sentido exigir esforço dos aliados verdadeiros enquanto pessoas que trabalham em duas frentes continuam ocupando posições importantes, influenciando decisões e utilizando a estrutura governamental para alimentar projetos contrários.
É preciso reorganizar o primeiro e o segundo escalões, avaliar secretarias, autarquias, superintendências, diretorias e representações regionais. Quem trabalha, entrega resultado e permanece fiel às decisões do grupo deve ser valorizado. Quem fez bagunça, criou conflitos e se aproximou dos opositores precisa ser chamado a explicar de que lado realmente está.
Política exige clareza.
Quem deseja permanecer no governo não pode agir publicamente como aliado e, nos bastidores, construir palanques para adversários. Também não pode usar o nome de Wanderlei e a estrutura da gestão para conquistar espaço enquanto enfraquece a candidatura apoiada pelo próprio governador.
Pedir votos sem construir apoio é insuficiente. Declarar apoio sem mobilizar ninguém é apenas retórica. Sair na fotografia sem demonstrar compromisso nas decisões políticas não fortalece candidatura alguma.
O governador conhece as lideranças que integram sua administração e sabe quem esteve ao seu lado nos momentos mais importantes. Dorinha, por sua vez, precisa identificar quem realmente acredita em sua candidatura e quem tenta permanecer bem relacionado com todos os grupos, aguardando apenas para aderir ao lado que parecer mais forte.
Wanderlei já deu um passo decisivo ao anunciar apoio irrestrito. Agora, ele precisa comandar a reorganização da base e, quando necessário, realizar mudanças dentro do próprio governo. Dorinha também deve participar dessa avaliação, ajudando a construir uma equipe política preparada para entrar em campo.
Não se vence uma eleição importante com uma estrutura dividida, secretários silenciosos, dirigentes ambíguos e aliados que trabalham para os dois lados.
A mudança no governo também deve considerar competência, produtividade e capacidade de diálogo com a população. Não basta ser aliado apenas no discurso. É necessário atender os municípios, resolver demandas, fortalecer a gestão e contribuir para que os resultados cheguem à vida dos tocantinenses.
Separar o joio do trigo significa reconhecer quem trabalha, quem entrega resultados e quem mantém sua palavra. Também significa identificar quem aparece para as fotografias, faz declarações convenientes e desaparece quando o projeto precisa de defesa.
A eleição exigirá muito mais do que discursos e eventos. Exigirá coragem para enfrentar os adversários, maturidade para corrigir os erros internos e firmeza para retirar dos espaços estratégicos aqueles que não possuem compromisso com o caminho escolhido.
O tempo da ambiguidade está terminando. Cada liderança terá de demonstrar, por meio de atitudes, de que lado está.
Antes de avançarem definitivamente para as ruas, Wanderlei e Dorinha precisam olhar para dentro da própria estrutura, reorganizar a base, mexer no governo e colocar nos espaços de decisão pessoas que tenham competência, compromisso e disposição para defender o projeto.
Uma campanha forte não começa apenas com uma declaração de apoio. Começa com confiança, organização, entrega e lealdade.
É hora de fazer campanha, corrigir a bagunça interna, rever alianças, mexer no governo e separar definitivamente o joio do trigo.